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Vasco livra-se de vexame, mas precisa trabalhar muito para evitar os futuros

Ficar na Série B por mais um ano seria um vexame sem precedentes para o Vasco. Nenhum grande teve que passar por isso desde que a competição passou a ser disputada por pontos corridos. Não era uma missão tão difícil porque bastava ganhar do Ceará, em um Maracanã lotado, para conquistar o acesso sem depender de outros resultados. Mas, nesses últimos meses, até tomar um Chicabon é difícil para o Vasco. Nos primeiros minutos do segundo tempo, Thalles marcou duas vezes e garantiu o retorno do clube cruz-maltino à primeira divisão, mas ele precisará de muito trabalho para se manter nela.

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Logo abaixo de terminar a Série B em quinto lugar na lista de cenários péssimos para o Vasco, estava perder do Ceará no Maracanã e precisar torcer para uma vitória do Oeste, fora de casa, contra o Náutico, para não se complicar. Esse pesadelo aconteceu no primeiro tempo: o Ceará passeou no Rio de Janeiro, com contra-ataques letais que exigiram defesas do goleiro Martín Silva e culminaram no gol de Eduardo. Em Pernambuco, o time treinador por Fernando Diniz já vencia os donos da casa por 2 a 0.

A decepção foi grande para o Náutico, que bateu novamente na trave do acesso, exatamente 11 anos depois da Batalha dos Aflitos. Torcedores invadiram o gramado e foram para cima dos jogadores, em uma demonstração lamentável de protesto. No geral, foi uma boa campanha do Timbu mesmo assim, e a derrota para o Oeste, no fim das contas, não fez nenhuma diferença porque alguma coisa aconteceu com o Vasco nos vestiários do Maracanã.

O time da casa voltou com tudo para cima do Ceará e conseguiu a virada em um período de dois minutos. Dois gols de Thalles, cria da casa, tantas vezes contestado. Pegou rebote de uma finalização de Éder Luis para empatar e estava esperto dentro da pequena área para completar de cabeça e fazer 2 a 1 para o Vasco. O acesso já era provável, com o placar da Arena Pernambuco, mas, além dele, o time e a torcida precisavam de outra coisa: da dignidade de subir com as próprias forças.

O ano passado acabou com boas perspectivas para o Vasco. A reta final do Campeonato Brasileiro foi ótima. O clube ainda conquistou o Campeonato Carioca no primeiro semestre e começou muito bem a Série B. Era um cenário perfeito para renovar a sua envelhecida equipe, lançar jovens, montar a base para o ano que vem.

Depois do que aconteceu nos últimos meses, no entanto, tudo isso foi por terra. Jorginho não deve ficar, e o Vasco precisa começar tudo de novo mais uma vez. No apito final, o Maracanã dividiu-se entre vaias e comemorações. Porque a torcida sabe que escapou por muito pouco de um grande vexame e que ainda há muito caminho a ser percorrido para evitar que eles existam no futuro.

 

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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