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Pés no chão, o Vasco dá um passo à frente ao apresentar o novo projeto de São Januário

São Januário exala história. Poucos são os estádios brasileiros com o rico passado dos cruzmaltinos. Mais do que isso, a praça esportiva com mais de 90 anos serve como digno caldeirão ao Vasco, um cenário totalmente ligado às raízes do clube. Por isso mesmo, à administração vascaína, pensar no futuro também inclui a modernização da velha casa. E, neste sentido, se torna importante o projeto apresentado nesta semana para as reformas do local. Uma maneira de olhar para frente, sem necessariamente renegar o estádio consagrado por uma arena qualquer. O caldeirão poderá ferver um pouco mais com as novas ideias.

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As finanças do Vasco são uma preocupação óbvia e, desta maneiro, o projeto para São Januário é a médio prazo. O clube busca parcerias para as obras, orçadas inicialmente em R$208 milhões. A meta é de que a entrega aconteça em 2027, quando o local completará seu centenário. O chamado Plano Diretor se torna o primeiro passo. O clube criará um fundo imobiliário, que começará a funcionar a partir do segundo semestre de 2019. A venda de camarotes também ajudará nos custos, assim como a rentabilidade de serviços dedicados não apenas ao futebol.

Com as mudanças, São Januário deverá ter sua capacidade aumentada para 41,4 mil espectadores. Além da modernização das instalações, o estádio será “fechado” com a construção de um novo setor de arquibancadas – como uma “muralha alvinegra” para os torcedores ficarem em pé. Além disso, serão erguidos dois prédios anexos, onde funcionarão o museu, a loja oficial, um restaurante e um centro de convenções. Também serão ampliadas as vagas de estacionamento. Apesar da mudança visual significativa na parte externa do estádio, a fachada original será preservada.

Outro projeto apresentado pelo Vasco nesta semana foi o da construção de um novo centro de treinamentos, avaliado em R$45 milhões. O moderno local servirá para unir os trabalhos dos profissionais e também das categorias de base. Passo importante para tentar melhorar o rendimento esportivo, se aproximando dos principais rivais em nível de estrutura. A meta prevê a conclusão do local até 2025.

O Vasco tem consciência de que, para assumir objetivos mais ousados, precisa equacionar as suas dívidas. Segundo os dirigentes, o clube calcula a redução gradual dos débitos, impulsionando-se após isso com as novas casas. Os pés no chão e os planos concretos são um bom caminho para tentar atrair novos investidores, demonstrando a ambição e a responsabilidade dos cruzmaltinos. Melhor ainda se valorizar a tradição e as raízes do clube, como se vê em São Januário. A torcida agradece.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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