Brasil

Vale isso tudo?

Ronaldinho Gaúcho, melhor do mundo nas temporadas 2004/05 e 2005/06. Um jogador sabidamente fora de série, ainda que as últimas temporadas desde 2006 tenham sido em um patamar bastante abaixo destes em que foi melhor do mundo. Não é à toa, então, que clubes brasileiros queiram trazê-lo de volta. Mas quanto vale o astro?

Grêmio e Palmeiras negociaram com Roberto Assis no segundo semestre do ano passado. O clube gaúcho revelou que foram nada menos do que sete contratos redigidos com os advogados do jogador para adequar às necessidades dele. O novo presidente do clube tricolor, Paulo Odone, afirmou que recebeu um “ok” de Assis em dezembro. Parecia tudo definido.

O Palmeiras também estava confiante. Fez a proposta, adequou ao que pediu o empresário e irmão de Ronaldinho e chegou a um possível acerto. Estava tudo muito próximo. Dirigentes já davam como certa a vinda de Ronaldinho dentro do clube. O técnico Luis Felipe Scolari foi avisado que o reforço estava acertado.

O Flamengo, sempre cotado como um dos destinos, foi o que conseguiu algo que nenhum dos outros teve: uma negociação bem sucedida com o Milan. Adriano Galliani, vice-presidente rossonero, e Patrícia Amorim, presidente do Fla, fecharam acordo pelo brasileiro. O italiano chegou a dizer que o negócio estava 99,9% fechado, depois de semanas com negociação arrastada.

Isso depois de uma coletiva dada por Ronaldinho, Assis e Galliani para informar que o Milan tinha concordado com a saída do jogador 0- o que era óbvio, já que Assis não só negociava, como tinha acertado valores com três clubes.

Os clubes, então, se submetem a um papel ridículo: ficar oferecendo cada vez mais dinheiro e quase que pedindo para Assis para fechar com ele. E tudo se arrastou por semanas, com grande destaque na mídia. Os clubes parecem cachorrinhos atrás do jogador.

Jogador algum vale um clube, ainda mais os envolvidos, clubes tradicionais. O único clube que soube se valorizar nessa história toda foi o Corinthians. O clube pareceu até entrar de forma jocosa na negociação, oferecendo um salário astronômico. Mas a proposta era real. E o clube não se rebaixou a entrar em leilão: o presidente Andrés Sanches afirmou que o salário a ser oferecido era de R$ 1,8 milhão, com ações de marketing e patrocinadores e que não pagaria um centavo para o Milan – o jogador deveria se acertar com o clube italiano. Fez o que todos deveriam ter feito: apresentar a proposta, o que está disposto e acabou. Cabe ao jogador e seus representantes decidirem.

Flamengo, Palmeiras e Grêmio ficaram se digladiando pelo jogador, mudando suas propostas para agradar a Assis/Ronaldinho. Os clubes mudaram as propostas, mudavam os contratos e ficavam à espera de Ronaldinho e dispostos a dar tudo que têm para ter o ex-melhor do mundo.

Cada um poderia ter feito a sua proposta, ir até o seu limite e fechar a proposta. A partir daí, o jogador e seu empresário definem o destino, analisando as propostas, o que pode ser bom ou ruim em cada um e decidem.

Enquanto os clubes se colocarem como menores do que os grandes jogadores e se submeterem a esse tipo de leilão, ficarão menores em sua grandeza. Assis não conduziu as negociações da forma mais limpa, o que está claro, mas os clubes também são co-responsáveis por isso. Até porque só entra em leilão quem quer.

Sem contar que, dentro de campo, não se sabe quem será o Ronaldinho. Certamente não será aquele que venceu o prêmio de melhor do mundo, mas é possível que seja um jogador ainda fora de série, que poderá ser muito útil no Brasil. Também pode ser um jogador que não entra em forma e vive de forma agitada fora de campo, com rendimento irregular. De qualquer forma, é um grande jogador, uma grande figura, que certamente terá muito destaque.

Ronaldinho chamará a atenção vestindo a camisa do Flamengo. Um grande destaque de público que poderá gerar muitos dividendos para o Flamengo em termos de marketing. Em campo, o desempenho deve ser suficiente para o time disputar o título do Carioca e até melhorar o que o Fla fez em 2010. Se será suficiente para colocar o rubro-negro carioca entre os melhores times do país, isso o tempo dirá. Por enquanto, só podemos dizer que ele conseguiu um excelente contrato por quatro anos, mesmo sendo ainda uma incógnita.

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Equipe Trivela

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