Brasil

Uma multidão de apaixonados

Qual foi o maior público do fim de semana no futebol brasileiro? Pense apenas nos estádios grandes, onde grandes públicos são possíveis. Não foi o clássico Botafogo e Fluminense, no Engenhão. Nem foi o Santa Cruz, que enfrentou o Feirense no estádio Arruda com público de pouco mais de 17 mil pessoas. Nem foi na reinauguração do Castelão, em Fortaleza, com rodada dupla e público de pouco mais de 34 mil (algo compreensível, dado o que relatou Fernando Graziani no seu blog, que, aliás, recomendo acompanhar). O maior público do fim de semana no futebol brasileiro foi no estádio Olímpico do Pará, o famoso Mangueirão, para o maior clássico do norte do Brasil, Remo e Paysandu, o Re-Pa.

Um público de 41.604 pessoas compareceu ao estádio para acompanhar o confronto entre os dois times, até entoa invictos no Campeonato Paraense. E que vivem momentos bastante opostos nos últimos anos. Enquanto o Paysandu conseguiu o acesso à Série B em 2012, o Remo sequer tem vaga assegurada na Série D deste ano. E chegou a ficar fora até da última divisão do futebol brasileiro em 2009 e 2011, por não conseguir a classificação via Campeonato Paraense.

Em 2012, conseguiu a vaga apenas depois de negociar com o Cametá a vaga na Série D. O time do interior tinha a vaga por ser o campeão estadual, mas alegou problemas financeiros e cedeu a vaga ao Remo, algo que gerou controvérsia. Mas não adiantou: o time acabou eliminado nas oitavas de final da Série D, perdendo para o Mixto-MT, e não conseguiu o acesso.

A perspectiva em 2013, porém, é de melhora. O Remo contratou o técnico Flávio Araújo, responsável pela campanha notável do Sampaio Correia, que acabou com o título da Série D. A história do técnico é de muitos acessos, o que motiva ainda mais os torcedores remistas. Em 2009, o técnico levou o Icasa da Série C à Série B. Repetiu o feito com o América-RN em 2011. E por uma coincidência feliz para o torcedor remista, as duas conquistas foram sobre o Paysandu, grande rival no estado.

No sábado, o Leão Azul entrou em campo invicto e com três vitórias em três jogos. O Paysandu vinha logo em seguida, com duas vitórias em um empate. O confronto, portanto, definiria quem acabaria a rodada como líder da Taça Cidade de Belém, o primeiro turno do Campeonato Paraense. A vitória remista veio quase de forma improvável. O time foi pressionado em boa parte do jogo, mas soube se segurar e foi fatal nos ataques que fez. Nem o gol do estreante do dia, o atacante Iarley, de 38 anos, impediu a vitória dos azulinos por 2 a 1. Uma daquelas vitórias que deixa o torcedor com o sabor do sucesso na boca, com gol marcado nos minutos finais, depois de tomar pressão do adversário.

Fábio Paulista foi o assistente da tarde, com dois passes que resultaram em gol. O primeiro no início do jogo, que abriu o placar em gol de Val Barreto. O segundo já nos minutos finais, depois de jogada de ponta-esquerda que culminou no gol de Leandro Cearense. Entre eles, o gol de Iarley, em uma jogada de pinball, um bate-rebate que teria rendido muitos pontos (ah, como assim você não sabe o que é pinball? A Wikipedia te conta).

Vitória remista no Mangueirão cheio, com 41.604 pessoas (o estádio tem capacidade para 45 mil). Duas grandes torcidas de uma cidade importante do Norte do Brasil torcendo pelos seus times em um grande estádio. Em uma cidade que, aliás, não estará na Copa do Mundo, mesmo tendo mais tradição e presença de público que Manaus, por exemplo.

A diretoria do Remo espera aproveitar o sucesso do time no clássico e colocar 30 mil pessoas no jogo contra o Paragominas, no meio da semana, novamente no Mangueirão. Ingressos com preços mínimos de R$ 20, o que é razoável. E o Remo sabe o quanto é importante manter o público indo ao estádio. Neste domingo, Remo e Paysandu faturaram, cada um, quase R$ 300 mil, o que ajuda os dois rivais a pagarem a folha salarial.

Com os estaduais tão abandonados e tão inchados, mesmo no Pará, é bom ver um clássico levar 40 mil pessoas ao estádio. É campeonato estadual, não é o mais legal nem o mais importante do ano, mas é fundamental que se leve pessoas ao estádio. Saber a medida de quanto se cobrar no ingresso para ter casa cheia é importante para o sucesso a longo prazo. Até porque ninguém vive só de jogos grandes, bem ao contrário. Muitos jogos são menos interessantes que os clássicos e o clube precisa de público, porque a bilheteria pode e deve ser uma receita importante. Que esses dois gigantes do Pará consigam fazer com que o Mangueirão seja visto assim, cheio, muitas vezes no ano. E não só no Parazão, mas principalmente no Brasileiro da Série B e, se o Remo classificar, na Série D.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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