Uma falsa discussão

E o Palmeiras cometeu mais uma bobeada. A postura ruim da equipe abriu espaço para que o Santo André pudesse surpreender – ainda mais com os erros de posicionamento da defesa, que permitiram a Camilo e Nunes saírem por duas vezes frente a frente com Marcos, em posição legal, e fazerem as jogadas dos gols dos 2 a 0, ambos marcados por Nunes. Atlético, Internacional, São Paulo e Flamengo não desperdiçaram as chances que tinham, desta vez. E o Campeonato Brasileiro ganhou um equilíbrio definitivo, a sete rodadas do final.
O fato de apenas três pontos separarem o quinto colocado (Flamengo, com 51) do líder (Palmeiras, com 54) deu munição para que os defensores dos pontos corridos colocassem mais ardor ainda na defesa do sistema de disputa atual do campeonato. Seria a prova provada de que torneios disputados dessa maneira podem ser emocionantes – uma das grandes reservas dos adeptos do mata-mata, que alegam ser mais difícil a ocorrência de jogos de importância histórica, no atual sistema.
Nas discussões cada vez mais ferrenhas entre os torcedores, ambas as partes trazem alguns argumentos que merecem ser levados em consideração. O que, desnecessário dizer, não está sendo feito. O radicalismo cada vez maior impede opiniões frias, prejudicando o debate e confundindo os “indecisos”. O que é o caso do titular da coluna, que, pessoalmente, era contrário aos pontos corridos antes de 2003, mas, agora, já aprendeu a respeitá-los e a achar que um campeonato pode ser interessante com eles. Sem, no entanto, deixar de achar que os “mata-matistas” também devem ser ouvidos.
E, além do radicalismo, outro erro cometido é diminuir a questão apenas a um ponto de vista. Por exemplo, o caso da emoção, citado no começo do texto. Os defensores dos play-offs julgam que pontos corridos, em geral, são campeonatos aborrecidos, onde o provável campeão já é conhecido muito antes das rodadas finais. Algo que pode ser desmentido não por 2009, mas por 2004, quando o Santos virou líder na penúltima rodada. Ou mesmo 2005, em que Corinthians e Internacional disputaram o título até o fim – cenário que poderia ser ainda mais equilibrado, não fosse o escândalo da Máfia do Apito.
Ao mesmo tempo, os adeptos dos pontos corridos criticam a injustiça excessiva do mata-mata, quando um clube supostamente “melhor” pode por tudo a perder, caso tenha infelizes 90 minutos, numa fase eliminatória. E a história mostra que nem sempre um clube superior desde o início do Brasileiro foi surpreendido no mata-mata.
O Corinthians de 1999 e o Palmeiras de 1993 são dois exemplos de campeões que já haviam passado pela fase de classificação com facilidade – e confirmaram a superioridade nos play-offs (1999), ou quadrangulares semifinais (1993). Além disso, em 2001, os dois finalistas, São Caetano e Atlético Paranaense, foram justamente os dois primeiros colocados, ao final da fase de classificação.
Enfim, querer discutir o sistema de disputa do Campeonato Brasileiro é absolutamente legítimo. O que não dá é para estreitar cada vez mais essa importante discussão. Que acaba sendo falseada para favorecer, dependendo de que lado se está. Emoção, ou a falta dela, há em todos os campeonatos. Com pontos corridos ou mata-mata.
2009 precisa de um bom fim
Com apenas uma vitória nos últimos cinco jogos, o Corinthians já começa a exasperar sua torcida. O título do Campeonato Brasileiro era esperado por muitos, mas exigido apenas pelos mais fanáticos. Afinal de contas, o principal era garantir a vaga na Copa Libertadores de 2010 – e ela veio, no melhor momento do time paulistano nesta temporada.
Mesmo assim, esperava-se por um desempenho digno no Brasileiro. Algo semelhante com o Fluminense de 2007, que ganhou a Copa do Brasil, mas manteve animação suficiente para chegar em quarto lugar – e, portanto, deixar a torcida calma e tolerante com o time, no início da Libertadores. Não é o que está acontecendo, e isto pode ser prejudicial para o clima que Mano Menezes quer dar ao elenco.
Primeiramente, a ausência de André Santos e Cristian ainda é sentida, e muito. Pela lateral esquerda, nem Marcelo Oliveira, nem Diogo, nem Bruno Bertucci conseguiram preencher a lacuna do hoje jogador do Fenerbahçe. Com limitações físicas, Edu e Marcelo Mattos também não impõem ao meio-campo a pegada voluntariosa dada por Cristian.
Afora isso, há também problemas com peças-chave do 4-3-3 de Mano. William e Chicão, soberanos no primeiro semestre, mostram eventuais falhas, agora. E Ronaldo precisa retomar o ritmo de que é capaz, para poder acalmar Dentinho e Jorge Henrique, sobrecarregados no ataque.
Tudo isto precisa ser feito ainda neste ano, para que o fim de Brasileiro seja mais tolerado pela torcida corintiana. O que evitaria um clima desconfiado às vésperas da Libertadores – algo pouquíssimo recomendado no Parque São Jorge, como experiências anteriores provam.



