Brasil

Uma equipe ao estilo Dunga

Um futebol pálido, de três volantes e nenhuma criatividade. Um futebol de laterais que, em 90 minutos, raramente vão à linha de fundo. Um futebol de um time que, ainda assim, é sujeito a contra-ataques mortais – como ontem, no segundo gol, ou como contra a Venezuela há poucos dias. Um futebol de uma equipe sem variações táticas, jogadas ensaiadas ou consistências nas bolas aéreas defensivas. Em uma definição mais exata: o Brasil de Dunga, que foi batido por 2 a 0 pelo Paraguai.

Foi essa a equipe se viu diante de paraguaios obstinados pela vitória no Defensores del Chaco, em Assunção, capital guarani. O Brasil de Dunga, que além de tudo não tem a garra que tinha o treinador em campo, caiu como time sem personalidade, sem rosto, em uma tragédia que já se anunciava há algum tempo. Desta vez, a comissão técnica não pode reclamar da falta de um período ideal para preparação: o grupo está reunido desde o dia 29 do mês passado.

O placar e a postura da Seleção Brasileira no quinto jogo destas Eliminatórias, pela primeira vez, realmente pressionam a continuidade do trabalho de Dunga. Vozes da imprensa que antes eram discretas, após o desempenho em Assunção, já questionam a qualidade dos já cerca de dois do treinador à frente da verde-amarelo. Cabe ressaltar que Dunga, até hoje, vive do êxito na final da Copa América e de uma enganosa vitória sobre o Equador no Maracanã e pode ganhar fôlego caso bata a Argentina no Mineirão. Agora, até quando se empurrará com a barriga?

O jogo em Assunção começou com um Paraguai indiscutivelmente superior. Arrojado, com três atacantes – Cabañas, Santa Cruz e Valdez – e tomando a iniciativa, os albirrojos dominavam o meio-campo, seja pela maior qualidade, seja pela imposição física. Assim, o Brasil pouco chegava no último terço de seu campo de ataque, preso pelo domínio paraguaio. 

Assim, em 45 minutos, não foi surpresa ver o Paraguai, além de abrir o marcador, criar chances de perigo, acertar a trave e só oferecer oportunidades aos brasileiros em duas cobranças de falta, mal batidas por Lúcio e Diego. O meia do Werder Bremen, aliás, tentava chamar o jogo, mas tinha mais disposição que inspiração, em um meio-campo onde praticamente pensava sozinho. À frente, Robinho pouco fazia e Luís Fabiano precisava se desdobrar entre os beques adversários. 

O intervalo trouxe a notícia que, em nosso blog, já alertávamos ser uma saída viável já para o início do jogo: Anderson veio para preencher o lado esquerdo do losango no meio-campo brasileiro, deixando o decadente Josué de fora da segunda etapa. Era a esperança de um pouco mais de criatividade, juventude e improvisação, em um time modorrento e tão mecânico. 

Logo na volta, a expulsão do lateral Verón parecia um prenúncio de que o Brasil tinha 45 minutos para buscar o placar. No lance seguinte, porém, contra-ataque com Santa Cruz pela ponta-esquerda, nas costas de Maicon, e o segundo gol dos anfitriões com Cabanãs. Um tapa na cara da Seleção Brasileira de Dunga.

Ao longo de toda a segunda etapa, o Brasil tocou a bola no campo de ataque, prendeu os paraguaios na defesa e, no fim das contas, pouco ameaçou Justo Villar – só Anderson, em dois chutes de longe, assustou o goleiro. Os paraguaios, aliás, ainda voltaram a acertar a trave de Júlio César. 

Resta saber como se portará, diante da Argentina, a equipe brasileira. Se jogadores como Hernanes e Anderson não ganharem oportunidades e o mesmo futebol pálido deste domingo for repetido, as possibilidades de derrota são grandes no Mineirão. O difícil é torcer a favor de uma Seleção tão pobre. Tão parecida com Dunga. 

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Equipe Trivela

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