Brasil

Um time sem alma

Criticar um segundo colocado em pontos corridos, normalmente, já é algo difícil de se fazer. Não se acha, porém, que o elenco santista seja estelar a ponto de fazer mais que isso. Tampouco, o resultado obtido contra o Flamengo no Maracanã é que pauta a coluna. Mas, ao longo das rodadas, fica bastante evidente que o Santos “pós-Zé Roberto” é um time gelado, muitas vezes sem alma, e que tem potencial técnico para pontuar mais.

Fibra, obstinação, preparo físico e, até mesmo indignação, são características essenciais de equipes capazes de buscar resultados adversos. Nos 16 jogos em que saiu perdendo, neste Campeonato Brasileiro, o Santos perdeu 11 e empatou três. Só venceu dois. Os números, neste caso, são fiéis.

Embora a torcida santista normalmente não seja das mais assíduas, os números se refletem nas arquibancadas. Nesta edição do Campeonato Brasileiro, apenas Juventude e Figueirense, longe do apelo e da tradição do Santos, conseguem ficar abaixo na média de público. Em boa parte da competição, aliás, os catarinenses estavam acima no ranking. Nem mesmo em seqüências positivas, o time de Vanderlei Luxemburgo conseguiu atrair o torcedor à Vila Belmiro. Até mesmo rebaixáveis como Paraná Clube e América – este com uma campanha que dispensa maiores apresentações – levaram mais gente ao estádio.

Uma das explicações para o “sangue frio” do Santos, nitidamente, é a formação do elenco. Primeiro porque, e é bastante nítido, Vanderlei Luxemburgo não consegue mostrar mais a mesma disposição pela vitória que tinha em seus melhores momentos. Segundo, pois, na montagem de um grupo, ter jogadores emergentes é essencial.

Petkovic, Kléber, Maldonado, Fábio Costa e Marcos Aurélio: cinco exemplos, de titulares praticamente absolutos, que transparecem alguma indiferença com as pretensões do clube. É claro que os citados têm caráter e, nos tempos recentes, têm sido bastante profissionais. Mas, aparentam não perder o sono após uma derrota. E a capacidade de indignação é um dos principais gatilhos para o sucesso.

Há, claramente, gente com sede de vitória: Renatinho, Domingos, Moraes, Vítor Júnior, Adriano, Baiano e Dionísio. Em boa parte dos casos, ou falta talento, ou falta espaço. É, basicamente dos citados no parágrafo acima, além de Kléber Pereira e Rodrigo Souto, de quem o Santos de hoje depende para triunfar.

Na imprensa santista, segundo se comenta, a possibilidade de Vanderlei Luxemburgo permanecer pela terceira temporada consecutiva é enorme. Ainda que a comissão técnica atual seja cara e o clube atravesse uma situação financeira difícil, não há como se questionar sua qualidade. Este, que fique claro, não é o objetivo da coluna. Trata-se, apenas, de uma situação esporádica. Mas, feita a opção pela continuidade, combater o marasmo será um desafio e, de repente, uma prioridade na aquisição de reforços para 2008.

A sujeira na base corintiana

A semana passada, por incrível que pareça, conseguiu piorar o ambiente político e aumentar ainda mais os problemas que circundam o Parque São Jorge. Escândalos de pedofilia e supostos desvios de dinheiro na montagem do time B, ainda resquícios de Nesi Curi e seus infiltrados, tumultuaram a vida do clube que briga pela permanência no Campeonato Brasileiro.

No tocante aos assédios sexuais de Evanir Jesus de Moraes, antigo gerente do departamento amador, a confirmação de Willian (Shakhtar) dá legitimidade ao que muita gente já sabia. Em 2000, Wando – como é conhecido o ex-dirigente – foi acusado, na Revista Placar, de cobrar dinheiro para “vender” lugares para alguns garotos na base do clube. A versão de que os garotos foram apanhados com droga, na época, não foram convincentes.

Wando, afastado por Clodomil Orsi, antigo presidente “tampão”, deve ter deixado muitos jogadores bons pelo caminho. Sua permanência no clube, segundo se diz, muito tinha a ver com a presença de Nesi Curi. Este, que angariou votos para a chapa de Andrés Sanchez, teria tentado manter pessoas de sua influência no Departamento Amador do Corinthians. Entretanto, as escolhas por Cilinho e Miguel Marques e Silva, ao que parece, foram corretas e transmitem lisura.

Ainda que pudesse trazer coisas boas caso fosse reestruturado, o time B foi desmontado. Algo que, aparentemente, significa um movimento por transparência. Ou, ainda, uma iniciativa para abafar o caso. Segundo foi apurado pelo próprio clube, jogadores do time suplementar, em alguns casos, ganhavam mais que algumas opções regulares de Nelsinho Baptista. Nesi Curi, sempre envolto às acusações, teria participação nos vencimentos desses atletas. Na prática, o famoso caixa dois.

Lulinha, Willian, Betão, Bruno Bonfim, Fábio Ferreira, Marcelo Oliveira, Nílton… entre os atletas que passaram pelo clube em 2007, fica clara o quão importante tem sido a base para o Corinthians. Imagine, então, se fosse feito um trabalho sério e honesto.

Santa na rabeira

A matemática torna menos dramática a situação do Santa Cruz. Por ela, é perfeitamente viável que o clube pule fora da zona de rebaixamento da Série B. A realidade dos últimos dois anos, porém, acentua a dramaticidade no Arruda, ao mesmo tempo em que Sport e Náutico praticamente asseguram a estabilidade na primeira divisão.

O momento horroroso do Santa Cruz contrasta com a euforia vivida no início do ano. A saída do antigo presidente, Romerito Jatobá, oxigenou o ambiente tricolor. Edinho, o novo comandante do clube, parecia um nome sério e ciente da combalida situação que acabara de assumir. O time montado, porém, é incapaz de fazer muito mais do que tem feito, até porque Marcelo Ramos e Piauí, dois dos poucos bons jogadores que passaram em 2007, foram para o Atlético Paranaense.

Mauro Fernandes, como já se esperava, não era o nome indicado para dar novo alento ao Santa Cruz. Sua escolha, aliás, foi tão infeliz quanto as de Givanildo, Valdir Espinosa e Charles Muniz. O elenco, frágil e inexperiente, termina um contorno com muita cara de Série C para 2008.

Série C

Faltam cinco rodadas para o fim da Série C. Quatro times subirão. A classificação é:

1) Bragantino – 19 pontos
2) Vila Nova – 16
3) Bahia – 16
4) Crac – 15
5) ABC – 14
6) Atlético-GO – 12
7) Barras – 4
8) Nacional de Patos – 2

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