Brasil

Um time a cada seis meses

O ano de 2003, no Serra Dourada, é conhecido como o que Cuca chegou no meio do Campeonato Brasileiro e tirou o Goiás da lanterna para a nona posição e a Copa Sul-Americana da temporada seguinte. Foi o time que o treinador trouxe para o São Paulo em 2004, com Grafite, Fabão e Danilo. Josué também chegaria em 2005. Desde então, a fórmula de refazer o planejamento no meio da Série A parece ter se tornado prática no esmeraldino.

Atualmente, o Goiás está na 17ª posição, jogou sete jogos e só venceu neste domingo – com brilho, é verdade. Hélio dos Anjos, anunciado na segunda-feira passada como o novo treinador, já é o terceiro na temporada – antes passaram Caio Júnior e Vadão. Vários jogadores – Iarley, Pituca, Henrique, Romerito, Frontini e Adriano Gabiru – têm desembarcado no Serra Dourada. Artur Neto, diretor-técnico e figura importante internamente, deixou o clube nos últimos dias e uma lacuna a ser preenchida.

O inferno alviverde na temporada começou no Morumbi, com a derrota contundente imposta pelo Corinthians e a conseqüente e inesperada eliminação na Copa do Brasil. Quatro dias depois, o Goiás perderia o título goiano dentro do Serra Dourada, para o Itumbiara, em outra goleada. Até então, o time de Caio Júnior havia vencido 15 de seus 23 jogos no ano, e vinha com moral por bater os corintianos, no Serra, por 3 a 1, além de se classificar para a final estadual com um 4 a 1 sobre o Anápolis.

As duas derrotas contundentes, em um intervalo de quatro dias, deixaram o trabalho de Caio Júnior totalmente sem clima. A senha para sua saída foi a oferta flamenguista, aceita de prontidão. Assim, algumas boas contratações de início de ano, como Schwenck, Alex Terra, Júlio César e Anderson Aquino, por exemplo, entravam em desgraça e já não eram vistas com bons olhos. A necessidade de um treinador experiente, capaz de dar moral para um razoável grupo de atletas, era explícita. Assim, a escolha de Vadão para assumir o barco foi mais do que infeliz, uma tragédia anunciada. Em seis jogos no Goiás, foram três empates e três derrotas – um 5 a 0 contra o Atlético Paranaense e um 3 a 0 contra o Grêmio.

Remontar o time no meio da temporada vem sendo algo usual no Goiás. Em 2005, com uma boa dose de sorte, o clube encontrou o sucesso com Geninho e contratações como Souza, Dodô, Roni e Cléber Gaúcho, agregando qualidade ao elenco que já tinha André Dias, Jadílson, Rodrigo Tabata e Paulo Baier. Foi a temporada em que os esmeraldinos chegaram à Libertadores, mesmo tendo perdido o Campeonato Goiano.

O mesmo se repetiu em 2006, com Geninho voltando ao clube após infeliz e meteórica passagem pelo Corinthians. Com um primeiro turno melancólico, terminando na 16ª posição e um trabalho horrível de Antônio Lopes, o Goiás se reabilitou, especialmente com Souza e o jovem Welliton no ataque – terminando na honrosa oitava posição.

Já em 2007, Geninho não resistiu à perda do título goiano nos pênaltis e, juntamente com Petkovic, foi chutado do Serra Dourada poucos dias antes da estréia na Série A. Em seguida, chegou Bonamigo e, mudando bastante a cara do time, conseguiu colocar temporariamente nas primeiras posições. Ledo engano. Refazer o planejamento quase foi fatal para o Goiás, que escapou, na última rodada, graças ao empate do Corinthians contra o Grêmio.

Em 2008, o campeonato se apresenta da mesma forma para o Goiás, que já tem o terceiro treinador no ano e vai contratando reforços a rodo. Às vezes dá certo, como em 2005. Em outras, pode levar ao fundo do poço, onde o clube parecia estar até enfiar uma goleada no Santos. De qualquer forma, é um planejamento longe do ideal, sobretudo para um clube que gosta de se vangloriar por sua suposta organização.

Descendo sem parar

Não satisfeito com a pífia campanha na última Série A – a pior da história dos pontos corridos -, o América de Natal vem firme para descer direto para a terceira divisão. Em sete jogos da Série B, perdeu seis. Em seis meses de 2008, o Mecão já teve quatro treinadores diferentes e sequer chegou à final do Estadual. Nem mesmo Luiz Carlos Ferreira, conhecido por trabalhos de fôlego com equipes modestas do interior paulista, resistiu muito tempo no alvirrubro.

Em 2004, foi o Criciúma o responsável por iniciar trajetória parecida. O Tigre, que chegou a liderar a Série A naquela temporada, caiu duas vezes consecutivas e, se em 2006, com o êxito máximo na Série C voltou à segundona. Ao contrário da equipe do interior catarinense, o América tem uma estrutura precária e pouca capacidade de se organizar, como foi mostrado pela Revista Trivela de outubro de 2007.

São apenas sete rodadas da Série B, mas o América, tocado pelo interino Carlos Moura, e com Souza, ele mesmo, como a maior esperança dentro de campo, corre sério de risco de se afundar mais um ano seguinte. Já são cinco pontos de distância para deixar a zona do rebaixamento.

O futuro vascaíno

A possibilidade de voltar a ser um clube sério ficou maior para o Vasco. Neste sábado, a eleição do Conselho Deliberativo determinou que, possivelmente, a chapa
liderada por Roberto Dinamite enfim colocará as mãos à frente do Gigante da Colina. Com a presença de policiais, urna eletrônica e todo o cuidado devido, Eurico
Miranda, desta vez, foi batido com sobras – e sem marmotas.

Na próxima quinta-feira, o Conselho vota e define entre Roberto Dinamite e Eurico Miranda. É dever de todo vascaíno que se preze dar apoio à chapa da oposição.
Há alguns anos, não bastasse a ditadura que envolve o clube, os resultados em campo e o planejamento de elencos se tornaram uma grande piada de mau gosto. Pare e
tente se lembrar da última grande contratação do Vasco, por exemplo. É preciso uma memória daquelas! Que mais um ditador, para não ir mais adiante, caia fora do
nosso futebol.

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Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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