Um mês após o final da Copa, 10 provas de que nada mudou… e 3 motivos de esperança
Schürrle avança pela esquerda e alça a bola. Götze domina e chuta na saída de Romero. Eram os minutos finais da prorrogação no Maracanã e a Alemanha fazia o gol do título na Copa do Mundo. Isso ocorreu em 13 de julho de 2014, um mês atrás. Foi um momento em que o brasileiro se reapaixonou pelo futebol, e viveu esse amor com o ímpeto de um casal que acabou de reatar.
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O problema é que esse novo namoro rapidamente entrou nos vícios que causaram a separação. Em um mês, o futebol brasileiro deu diversas mostras de que não está muito disposto a mudar, como o sujeito que continua deixando a louça acumular na pia achando que a esposa tem obrigação de lavá-la sempre (ou que a louça se lavará sozinha, vai saber).
Então, veja dez provas de que nada mudou no futebol brasileiro nesse mês pós-Copa:
Dunga e Gilmar foram contratados
O Brasil tomou um passeio na Copa, ficou nítida a defasagem coletiva da equipe. Também ficou claro que o País não vive um momento em que seus talentos não são tão salientes como em outras seleções. A solução da CBF? Aposentar Gilmar Rinaldi da carreira de agente de atletas para transformá-lo em coordenador de seleções e recolocar Dunga como técnico da seleção principal.
Clubes pedem novo financiamento de dívidas
Clubes fizeram reunião com o governo para pedir um novo financiamento das dívidas com o governo. Pelo menos, não falaram na criação de uma loteria que usa distintivo de clubes.
STJD mexe na classificação do campeonato
No caso, a notícia pós-Copa é até positiva, mas nos fez lembrar de uma notícia ruim durante a Copa. O Criciúma perdeu três pontos no STJD durante o Mundial, e o tribunal decidiu devolver em segunda instância. A questão não é do lado que está certo, mas o fato de ainda um tribunal alterar a tabela de classificação.
Crac abandona Série C no meio da disputa
Com problemas financeiros, o Crac anunciou nesta terça que não seguirá na disputa da Série C. O clube tem 8 pontos após dez rodadas do torneio e está na zona de rebaixamento para a Série D (mas a apenas cinco da zona de classificação para as quartas de final).
Botafogo atrasa salários
Os jogadores botafoguenses nem têm mais pudor de dizer: estão com vários meses de salários e direitos de imagens atrasados e entram em campo com faixa de protestos contra a situação do clube. Não à toa, o presidente alvinegro Maurício Assumpção foi um dos dirigentes mais ativos no segundo tópico desse texto.
Flamengo e Grêmio contratam Luxemburgo e Felipão
A falta de renovação não se limita à seleção brasileira. Os clubes continuam no vício de seguir atrás de nomes fáceis, por piores que sejam os históricos recentes deles. Para sair da crise, Flamengo e Grêmio contrataram Vanderlei Luxemburgo e Luiz Felipe Scolari. Claro que ambos não precisam ir para o ostracismo para o resto da vida, mas a busca imediata pelos nomes de grife impressiona.
Jogador investigado por estelionato
O volante Luiz Antônio, do Flamengo, é suspeito de estelionato e envolvimento com milícia. Em 11 de janeiro, o pai do jogador registrou um roubo de veículo que não ocorreu. O Ford Edge do flamenguista estava com um dos líderes da maior milícia do Rio de Janeiro.
Brigam de torcida antes de clássico
Corintianos e santistas entraram em confronto perto da entrada da torcida visitante da Vila Belmiro antes do clássico do último domingo. Depois, a briga voltou a ocorrer em um hospital onde era atendido um torcedor do Santos.
Jô e Valdívia vão e voltam
A relação entre clubes e jogadores segue esquizofrênica. Valdívia foi negociado com o Al Fujairah, dos Emirados Árabes, e se apresentou. Mas o clube desistiu e o chileno teve de voltar ao Palmeiras. Ou não, pois o meia ficou uns dias de folga na Disney. Jô também deu uma sumida, alegando problemas pessoais, mas a diretoria do Atlético Mineiro disse por alguns dias que desconhecia seu paradeiro.
Média de gols
O Brasileirão tem média de 2,14 gols por partida, a pior desde a adoção dos pontos corridos. A 11ª rodada, a segunda após o retorno da Copa, foi de apenas 1,5. Isso porque a Copa do Mundo que terminou há um mês teve o maior número de gols da história, empatando com a de 1998.
Mas nem tudo está perdido. Há algumas fagulhas que dão esperança de que algo pode melhorar:
A média de público está melhorando
O Brasileirão está com média de público de 14.109. Das últimas oito edições, só a de 2012 teve índice pior. Mas, acredite, a tendência deste momento é de melhoria. Desde o final da Copa do Mundo, apenas em uma rodada (a 11ª) a média foi inferior a 16 mil. Nas duas últimas, mais de 19 mil pessoas pagaram para ver futebol nos estádios. Ainda é pouco para o potencial do Brasil, mas pode indicar um ligeiro crescimento da presença de torcida.
Os cuiabanos estão indo ao estádio
Foram gastos bilhões de reais em estádios para a Copa do Mundo, e as maiores interrogações ficaram em torno das arenas em cidades com pouca tradição futebolística. Cuiabá era citada constantemente, mas até que vem dando boas notícias. Os clubes locais fizeram promoções e campanhas para incentivar o torcedor a ir à Arena Pantanal ver os jogos de Cuiabá (Série C) e Operário de Várzea Grande (D). E a resposta tem sido razoável, com públicos pouco abaixo de 15 mil.
O Bom Senso FC segurou a votação da lei
O Congresso adiou a votação da nova versão da Lei de Responsabilidade do Esporte após pressão do Bom Senso FC. Com mais tempo para o debate, o grupo formado por jogadores tentará incluir no texto uma contrapartida maior dos clubes, como redução no prazo para o pagamento de dívidas.



