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Por que é bem possível que dois cariocas sejam rebaixados

Fluminense ou Vasco disputará a Série B do Campeonato Brasileiro em 2014. Esse é um fato consumado. Ambos estão em situação delicada e correm risco de rebaixamento e não há como os dois se salvarem juntos. O salvamento de um passa, necessariamente, pela desgraça do rival. E o pior, para o futebol carioca, é que há uma chance razoável que os dois caiam. O Fluminense tem uma situação mais trágica, porque precisa vencer o Bahia fora de casa e ainda torcer contra Vasco e Coritiba. O Vasco precisa vencer e torcer para Coritiba ou Criciúma perderem. A briga contra o rebaixamento tem outros personagens. A Portuguesa, que já escapou, a não ser que uma hecatombe aconteça, o Internacional, que tem missão relativamente fácil, Coritiba, que precisa vencer, e Vasco e Fluminense, os dois que estão na zona da degola atualmente e estão bem ameaçados. É bastante possível que os dois cariocas façam um clássico na Série B. Detalhamos a situação de cada time nas linhas abaixo.

A última rodada terá quase todos os jogos com importância, seja pelo rebaixamento, seja pela classificação à Libertadores. Confira como foram os jogos e a situação de cada time para a última rodada:

O jogão

Fluminense 2×2 Atlético Mineiro

Quem imaginou que o Atlético Mineiro entraria com a cabeça na lua (ou no Marrocos) se enganou redondamente. O Galo fez um ótimo jogo e complicou a vida do Flu. Primeiro, ao abrir o placar. O tricolor carioca ainda conseguiu a virada, com gols de Gum e Biro-Biro. Mas o drama voltaria com o gol de empate de Alecsandro. E considerando o desenrolar do jogo, o empate não foi o pior que poderia ter acontecido. Depois dos 40 minutos, Diego Tardelli fez uma linda jogada individual que acabou no travessão de Diego Cavalieri.

O Flu está em situação complicadíssima. Caiu para o 18º lugar, com 43 pontos. Enfrenta o Bahia na última rodada, em Salvador, provavelmente com a Fonte Nova cheia. Precisa vencer e torcer contra Vasco, que pega o Atlético Paranaense fora de casa, e o Coritiba, que enfrenta o São Paulo, que mandará o jogo em Itu.

A refugada

Coritiba 2×1 Botafogo

Alex marcou o segundo gol do Coxa, que depende só de si para escapar do rebaixamento (Foto: Coritiba.com.br)
Alex marcou o segundo gol do Coxa, que depende só de si para escapar do rebaixamento (Foto: Coritiba.com.br)

O Botafogo esteve em 30 rodadas (TRINTA) entre os quatro primeiros colocados.Sim, é isso mesmo, passou 79% do Brasileirão dentro do grupo que vai para a Libertadores (a não ser que a Ponte Preta leve a taça da Sul-Americana). O Coritiba, por sua vez, passou 11 rodadas nesse grupo. A última na 14ª rodada, quando era terceiro. Daí por diante, queda vertiginosa que culminou, na 36ª rodada, na 17ª posição, a primeira da zona do rebaixamento. O Botafogo, em quinto, precisava da vitória para ainda brigar por Libertadores.

O que se viu foi um Coxa valente, mais brigador e melhor do que o Botafogo em campo. A vitória por 2 a 1 veio merecidamente. Os gols de Deivid, em um frango de Jefferson, e Alex, em um petardo daquele estilo “sai da frente se não te afundo junto” foram suficientes para dar a vitória e o alívio ao time, que agora é 16º. O gol de Bruno Mendes no final foi só o chamado gol de honra do Bota.

O Coritiba, 16º com 45 pontos, precisa apenas vencer para escapar do rebaixamento. Se perder ou empatar, depende de derrotas do Vasco e do Fluminense. Já o Botafogo, quinto colocado com 58 pontos, precisa de uma vitória contra o Criciúma em casa e ao menos um empate do Goiás ou uma derrota do Atlético Paranaense. Isso tudo caso a Ponte não seja campeã da Sul-Americana, claro.

A lei do ex

Vitória 4×2 Flamengo

O Vitória sabia que precisa vencer para seguir com o sonho, um distante sonho, de chegar à Libertadores. E nada melhor que um ex para ferrar a vida do adversário, não é? Maxi Bianccuchi, ex-Flamengo, marcou um dos gols. Wallace, do Fla, empatou. Adivinha onde ele já jogou? Isso mesmo, no Vitória. E o técnico? Ney Franco, treinador do Vitória, é ex-Fla. A vida é curiosa, não é?

Bom, o Fla está a passeio no Brasileiro e na última rodada fará uma Supercopa do Brasil informal com o Cruzeiro. Já o Vitória terá pela frente o Atlético Mineiro no Independência. E será a volta de Ronaldinho Gaúcho. Ou seja, missão duríssima para o Leão, que precisa vencer e ainda torcer contra Botafogo e Goiás. Ele pode passar o Atlético Paranaense também, mas precisaria tirar um saldo de seis gols. É difícil.

O reencontro

Ponte Preta 0x2 Portuguesa

Guto Ferreira foi demitido da Ponte Preta na quarta rodada do Campeonato Brasileiro. Naquele momento, a Macaca estava em 18ª. Situação ruim, mas ainda tinha muito campeonato pela frente. Demitido, o treinador acabaria contratado pela Portuguesa, que também brigava contra o rebaixamento, na 10º rodada.

A Ponte já chegou a essa rodada rebaixada, enquanto a Lusa precisava só de uma vitória para escapar. E ela veio. Os 2 a 0 deixam a Lusa salva. A única chance de cair seria uma combinação maluca de resultados e goleadas absurdas – o Vasco precisa vencer e tirar 11 gols de saldo e Coritiba e Criciúma também precisam vencer.

A lambança

Criciúma 1×0 São Paulo

Com casa cheia, como é tradicional, no Heriberto Hulse. As 18.539 pessoas viram o Criciúma conseguir um gol logo no início do jogo, em um pênalti polêmico. Pior: foi marcado em um jogador que estava impedido. À parte o erro, o São Paulo não jogou nada e o Tigre soube segurar a vantagem. Podia até ter chegado ao segundo gol, que daria um alívio para a torcida do time catarinense.

O Criciúma está bem perto de se salvar. O time precisa de um empate com o Botafogo no Rio de Janeiro na última rodada para garantir a permanência sem depender de outros resultados. Caso perca, tem que torcer contra Coritiba e Vasco.

A pelada

Corinthians 0x0 Internacional

Tite foi homenageado pela torcida e pela diretoria do Corinthians (Foto: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians)
Tite foi homenageado pela torcida e pela diretoria do Corinthians (Foto: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians)

O jogo entre Corinthians e Internacional foi aquilo lá mesmo: um saco. Empate modorrento, futebol fraco, ataques inoperantes, etc. Nenhuma novidade. O que teve para se destacar no jogo foi a festa de despedida do técnico Tite, que deixará o comando da equipe e fez a sua última partida no Pacaembu, casa do Timão nos últimos anos. O carinho da torcida pelo técnico deixou marcas nos dois lados. Outro que irá se lembrar desse dia é Alessandro, que foi homenageado no intervalo, merecidamente, por sua história no Corinthians – chegou ao clube em 2008, para jogar a Série B, e capitaneou o time nas conquistas da Libertadores e Mundial.

Ruim mesmo foi para o Internacional, que além de ter feito uma partida muito ruim, ainda corre uma remota chance de rebaixamento. Se perder da Ponte Preta em Caxias do Sul, precisará torcer para que Vasco e Coritiba não vençam ou que o Criciúma perca.

A surpresa

Cruzeiro 1×2 Bahia

O Bahia conseguiu aquilo que era improvável. Não tanto pela força que o Cruzeiro fez, mas pelo time que tem e que o tricolor de aço não tem. O Bahia aproveitou o clima de pelada de churrasco do Cruzeiro para brocar a Raposa. Graças também ao gol de Anderson Talisca, um talento ainda a ser aprimorado desse time. Os 2 a 1, conseguidos no finalzinho, deram o alívio aos baianos, que estão livres do rebaixamento – e fez uma torcida, a irmã do zagueiro Demerson, que estava no Mineirão, ganhar o foco das lentes com sua comemoração empolgada.

A barbada

Vasco 2×0 Náutico

Pegar o Náutico é uma fase bônus do Brasileirão e o Vasco aproveitou para vencer, algo tão raro nesse campeonato para o time da Colina. Foi só a 11ª em 37 jogos. Só que o time precisará de outro bom resultado na última rodada. É preciso vencer o Atlético Paranaense, fora de casa, para escapar. E mesmo assim, terá que torcer para derrotas do Coritiba ou do Criciúma. A situação ainda é dramática.

A virada

Santos 2×1 Atlético Paranaense

O jogo não valia nada para o Santos. E daí? O time fez o seu papel, jogou e conseguiu uma vitória importante. Não tanto para si mesmo, mas para a briga pela vaga na Libertadores. O Furacão saiu na frente com um gol de Marcelo e dava pinta que seguraria o resultado. Ledo engano. Cícero decidiu o jogo. Primeiro, em uma cabeçada na segunda trave. Depois, recebendo um lançamento à lá Gérson de Durval e tocar com categoria por cima do goleiro. E aí, o Atlético Paranaense terá que ganhar para se garantir na Libertadores sem depender de ninguém. O adversário será o Vasco, em Joinville. Se o Furacão empatar, precisa que o Goiás não vença para se garantir em terceiro. Se perder, precisa torcer contra o Goiás, Botafogo e Vitória.

A marra

Grêmio 1×0 Goiás

Renato Portaluppi é ídolo do Grêmio e o resultado que o time comandado por ele conseguiu neste domingo é mais um elemento para aumentar isso. A vitória por 1 a 0 sobre o Goiás foi sofrida, bem sofrida, graças a um gol solitário de Barcos. Mas o que vale mesmo é que o time venceu e garantiu a sua vaga na Libertadores. Vice-líder da competição, com 64 pontos, o time até pode perder a segunda posição, mas é difícil. Precisará perder para a Portuguesa, no Canindé, e o Atlético Paranaense vencer o Vasco em Joinville. Assim, os times empatariam em pontos e em vitórias, mas o Furacão leva vantagem no saldo de gols.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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