Brasil

Tudo pelo talento

Vanderlei Luxemburgo recebeu duras críticas quando veio ao Palmeiras e decidiu apostar nas recuperações de Lenny e especialmente Léo Lima. Luxa rebateu lembrando que havia tido sucesso em situação parecida, no Santos, com Pedrinho. Quase nunca falou sobre o fracasso de Petkovic na Vila Belmiro.

No início do ano, o Morumbi assistiu ao desembarque de Adriano e Carlos Alberto para vestir tricolor. Adeptos da noitada, os dois têm, indiscutivelmente, qualidade técnica acima da média. Grêmio e Vasco, com elencos limitados, engoliram Roger e Edmundo, tentando encontrar algum diferencial, por mais que a atração de problemas soasse mais provável.

No Santos, Leão precisa pedir que seus atacantes recuem para marcar os laterais adversários. Tudo para preservar o colombiano Molina, sem boas condições físicas, mas com um toque de qualidade que a Vila Belmiro só vê quando a bola pára em seus pés.

Ao redor do futebol brasileiro existem, aos montes, tais exemplos. Encontrar jogadores de qualidade técnica apurada, por aqui, não é nada fácil. “O talento está todo fora do país”, sentenciou Júnior, hoje no Sportv, em papo com este colunista na última semana. Se o São Paulo ainda tivesse Kaká, e Diego ainda vestisse a dez santista, certamente, não precisaríamos nos curvar aos efeitos colaterais que surgem quando se tem um Adriano em seu elenco.

Sábio foi quem lembrou, certa vez, que os craques já não estão por aqui. Nossos foras-de-série, ou já deixaram esse estágio para trás, ou ainda não o atingiram. Identificar em jovens talentos a solução, ou ao menos a esperança de encontrar um diferencial, quase sempre, é um processo delicado e de pouquíssima eficácia.

Quem acompanha o futebol de base, indiscutivelmente, pode sentenciar a qualidade em Sérgio Mota, Tiago Luís e Lulinha – para se ater a três nomes no âmbito paulista. Jovens valores que, se bem lapidados, poderiam render muitos frutos. Por razões diferentes, porém, vêm tendo um início de temporada complicado.

Sérgio Mota conta com a enorme desconfiança de Muricy Ramalho. Após arrebentar na Copa São Paulo de 2007, o meia-esquerda foi subestimado durante todo o ano. Não satisfeito, Muricy lhe mandou de volta para o time júnior. Na Copinha/08, Sérgio teve atuações convincentes, mas ainda não foi aproveitado em nenhum jogo do tricolor nesta temporada, ainda que o treinador se queixe do desgaste de seu elenco.

Na Vila Belmiro, após responder todas as questões possíveis quando na base, Tiago Luís teve uma estréia de impacto diante do Bragantino. A má companhia do problemático Alemão, porém, lhe fez perder espaço com Leão, que tem apostado em “foguetes molhados” como Quiñonez, Tripodi e Sebastián Pinto – imposições de Marcelo Teixeira. O presidente pode não saber, mas está desperdiçando um atacante com qualidade em todos os fundamentos e ótima margem de crescimento profissional.

Lulinha, com pouco menos de um ano no elenco profissional, paga por não corresponder todas as expectativas que trouxe consigo das categorias de base. Tido como um fenômeno, o meia-atacante mostrou qualidades em torneios nacionais e internacionais, mas claramente foi promovido antes da hora. Tem sérias limitações físicas, e não parece ter a cabeça bem trabalhada. Nos bons jogos que fez nesta temporada, Lulinha mostrou o quão útil pode ser no Corinthians. Nomes como Mauro Beting e Paulo Vinícius Coelho, referências, abalizam a qualidade dele.

O desperdício de jovens talentos, porém, deve ser encarado com mais atenção pelos clubes brasileiros. Se gigantes como Milan e Manchester United podem desprezar a formação de jogadores jovens, Corinthians, Santos e São Paulo, certamente, têm aí a saída para o sucesso. Caso contrário, terão de engolir os Léos Lima de hoje. E aí, a possibilidade de ter efeitos colaterais é enorme.

O filtro da Copa do Brasil

No último meio de semana, se encerrou a primeira fase da Copa do Brasil, deixando em seu extenso funil 32 equipes eliminadas. A maior zebra, aliás, foi a eliminação do Atlético Paranaense por parte do Corinthians de Alagoas. Em alta no estadual, o Furacão sentiu que precisará fazer muito mais para a Série A. Mais que isso: perdeu uma grande oportunidade de avançar ao menos até as semifinais sem enfrentar adversários de primeira linha nacional.

Analisando o cenário que restou, outras 32 equipes se enfrentarão por um lugar nas oitavas. O nível de enfrentamentos, porém, não deve melhorar muito. Só em cinco duelos estarão em campo duas equipes de primeira e/ou segunda divisão. Casos de Vasco e Bragantino, Sport e Brasiliense, Corinthians e Fortaleza, Paraná e Vitória e São Caetano e Coritiba.

Dos caminhos dispostos para os grandes, o vascaíno parece o mais tranqüilo para chegar até as semifinais. Mesmo com uma equipe razoavelmente limitada, de repente, o Vasco pode aparecer como um dos quatro na competição. Em sua chave, só tem o Criciúma e o Juventude como adversários de primeira ou segunda divisão. Além do Bragantino, claro, seu rival na segunda fase.

Mais acima do mesmo lado da chave, Internacional e Palmeiras aparece como um possível trepidante duelo de quartas-de-final. Vitória e Sport, outros rivais do mesmo emparceiramento, não vivem momentos suficientemente bons para atuarem com conforto diante das equipes de Abel Braga e Vanderlei Luxemburgo.

No lado oposto da chave, aparece um equilíbrio bastante forte. Náutico, Portuguesa, Botafogo e Atlético Mineiro, quatro times médios (pelo que têm jogado, não pela tradição), produzem um clima de imprevisibilidade na briga por mais uma das vagas para a fase semifinal. Caso a zebra não apareça, é possível que apareçam, todos, nas oitavas.

Enfim, no último quarto da chave, o Grêmio, cuja tradição na Copa do Brasil é gigantesca, parece o time mais pronto para pensar adiante. Como força alternativa, o Corinthians de Mano Menezes, indiscutivelmente com um estilo copeiro, pode surpreender, no que seria outro duelo São Paulo versus Rio Grande do Sul na fase de quartas. Goiás e Coritiba, em estágios razoavelmente bons, também têm bola, elenco e treinador para se colocar nessa briga.

É claro que fazer previsões, como mostrou o duelo entre Atlético Paranaense e Corinthians de Alagoas, certamente, é algo bastante possível para que erros apareçam. Tais análises devem ser encaradas sem que se pense estar desprezando os times menores, teoricamente favoritos para a eliminação. Até porque, na Copa do Brasil, a zebra já se mostrou ainda mais comum que em outros torneios.

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Equipe Trivela

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