‘É impressionante como o Brasil virou celeiro de goleiros, mas a cultura aqui é cruel com eles’
No 'Trivela FC', Tim Vickery faz reflexão sobre desenvolvimento de goleiros no Brasil e maneira que são tratados pelos torcedores
O goleiro John, do Botafogo, esteve na mira do West Ham e quase foi a a segunda contratação de um goleiro brasileiro nesta janela da Premier League, após o acerto de Lucas Perri com o Leeds.
John não é uma exclusividade. Nos últimos anos, muitos goleiros brasileiros foram negociados com clubes estrangeiros.
No Trivela FC dessa semana, o jornalista Tim Vickery analisou esse movimento.
“É impressionante como o Brasil virou um celeiro de goleiros“, destaca.
— A produção em massa de goleiros de qualidade é impressionante. Eu ia falar sobre excelência do departamento de scouting de Botafogo. Porque o Botafogo pegou o Lucas Perri na reserva, pegou o John na reserva e conseguiu transformar os dois em goleiros que estão indo para o Premier League. Lucas Perri vai para o Leeds, e John negociou com o West Ham.
Segundo Tim, o que diferencia os goleiros brasileiros é a maneira que eles são treinados. A evolução, em especial no aspecto físico, tem feito a diferença.
— A gente está vendo o John aqui, mas os goleiros que Brasil está produzindo são muito altos e muito atléticos. Isso é o padrão para o tipo de goleiro que o futebol brasileiro está produzindo. E para mim tem a ver esse crescimento com a preparação física que eles têm. Os programas que a preparação física fez dentro do futebol brasileiro nos últimos tipo 40 anos trouxeram grandes mudanças.
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Maneira como tratam os goleiros incomoda
Apesar de os goleiros brasileiros estarem sendo negociados com times estrangeiros, há uma cultura no Brasil, e talvez na América Latina, de sempre criticar os arqueiros.
Tim Vickery, no Trivela FC, analisou esse cenário e fez um alerta à torcida brasileira, que segundo ele, “trata muito mal os atletas dessa posição”.
— Eu acho vocês muito cruéis com os seus goleiros, muito cruéis. Porque eu venho de uma cultura onde a torcida mais animada fica por trás do gol, perto do goleiro, e o goleiro é o ídolo — começou o jornalista.
— Eu lembro lembro de um jogo, um dos meus primeiros jogos aqui, 30 anos atrás, estava no pequeno estádio Caio Martins, onde o Botafogo jogava na época. E o Wagner, o goleiro do Botafogo falhou, e a torcida estava gritando: “Wagner, você vai morrer”. Ele era ídolo, né? Você vai errar de vez em quando — seguiu Tim.
— Vocês são muito cruéis com os goleiros, até com os goleiros muito bons que agora vocês estão produzindo, e o fato que eles estão sendo contratados por clubes com grana no no exterior é uma prova — completou.