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Três jogos no Brasileirão tiveram roteiros semelhantes: empate maluco e agonia nos minutos finais

Três dos primeiros quatro jogos do Brasileirão na noite de quarta-feira terminaram empatados. Apenas o Fortaleza, com mais um gol de Wellington Paulista, conseguiu a vitória – ao bater o Sport por 1 a 0. A igualdade repetitiva, porém, não eximiu os demais compromissos de doses cavalares de emoção. Todas as outras partidas tiveram finais agonizantes, com pênaltis (nem sempre convertidos) e momentos decisivos. Pelas circunstâncias, alguns times podem até se dizer vencedores por aquilo que ocorreu.

A rodada começou na Arena da Baixada, com a visita do Botafogo ao Athletico Paranaense. Depois de um primeiro tempo sofrível, em que um gol bem anulado dos alvinegros foi o principal lance, as emoções ficaram à etapa complementar. O duelo ganhou intensidade e mais oportunidades no segundo tempo. Até que, aos 31 minutos, começasse a pegar fogo a partir de um pênalti cometido sobre Rhuan. Na cobrança, Victor Luis converteu e colocou os botafoguenses em vantagem.

O Athletico, que tinha sido melhor na primeira etapa, passou a pressionar em busca do prejuízo. A entrada do estreante Ravanelli seria importante para a reação. E seria dele o gol de empate, aos 42 minutos, aproveitando passe de Geuvânio. Pois o Furacão ainda ficou com a sensação de que poderia ter arrancado a virada nos acréscimos. Um pênalti cometido por Rafael Forster acabou desperdiçado por Nikão, isolando a cobrança. Marcelo Benevenuto assustou na sequência aos cariocas e, antes do apito final, Geuvânio ainda carimbou o travessão.

Se o empate por 1 a 1 no Paraná parecia maluco o suficiente, a situação foi ainda mais intensa na Serrinha, onde o Goiás encarava o Coritiba. O duelo entre alviverdes seria cheio de reviravoltas, assim como guardaria uma taquicardia pouco antes do apito final. O primeiro tempo foi do Coxa, que abriu o placar aos 12 minutos, em bola ajeitada por Sassá que Robson concluiu. A equipe acertaria a trave com Sassá, antes que William Matheus ampliasse aos 38, num lance sem querer após a trapalhada dos esmeraldinos.

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Apesar do baque, os goianos protagonizaram praticamente um milagre. Ainda antes do intervalo, o caminho se abriu. Um pênalti cometido por William Matheus permitiu que Rafael Moura descontasse. Já nos acréscimos, Rodolfo Filemon acertou o He-Man na região da Espada do Poder e acabou expulso. Em vantagem numérica, os goianos pressionaram no segundo tempo e empataram aos 34. Victor Andrade bateu rasteiro e Ignacio Jara mandou para dentro. Pois ainda teria a virada no minuto seguinte. Num novo lance bisonho, Sabino mandou contra o próprio patrimônio.

Naquele momento, a vitória parecia nas mãos do Goiás. Mas nem assim a partida estava totalmente decidida na Serrinha. A reviravolta ficaria aos 48, quando Rafael Vaz também cometeu um pênalti e terminou expulso. O desfecho da partida terminaria nos pés do próprio Sabino, que se redimiria do gol contra e marcaria o tento que confirmou o empate por 3 a 3. As circunstâncias atrapalharam a vantagem inicial do Coritiba, especialmente pela expulsão. Mesmo assim, os acréscimos deixaram um gosto amargo maior aos goianos.

Por fim, seria a vez de São Paulo e Red Bull Bragantino empatarem por 1 a 1 no Morumbi. E, neste caso, claramente os tricolores saíram agradecidos pelo resultado. O time de Fernando Diniz até foi melhor durante o primeiro tempo, criando chances mais claras. O time acertou a trave e balançou as redes, em dois lances anulados por impedimento. Apesar disso, o controle dos são-paulinos nem sempre se converteu em agressividade. A igualdade permitiu que o Massa Bruta acordasse na volta do intervalo.

Logo aos sete minutos do segundo tempo, o Bragantino saiu em vantagem. Artur fez ótima jogada e Raul, que saíra do banco, concluiu. Os visitantes cresceram com o tento e levavam perigo nos contra-ataques. Assim ganharam um pênalti, após toque no braço de Luciano – que rendeu uma bronca épica de Diniz. Claudinho mandou para fora. O desperdício teve seu preço e o São Paulo empatou com o próprio Luciano, aos 32, aproveitando a saída desastrada do goleiro Cleiton. Mas não que isso tenha alimentado uma reação dos tricolores. Artur era o principal nome do Braga e acertou o travessão em cobrança de falta, antes de assumir mais um penal ao seu time durante os acréscimos. De novo faltou precisão e o jovem carimbou a trave. Por dois erros nos 11 metros, a vitória no Morumbi escapou.

Dos seis que empataram, o São Paulo é aquele em melhor situação. Soma 17 pontos, igualado ao líder Internacional. Mas seria esta uma ocasião para os tricolores tomarem a primeira colocação. Bragantino e Goiás ocupam a zona de rebaixamento, enquanto Coritiba, Athletico e Botafogo aparecem à beira da zona da degola. Esses podem ser pontos bastante lembrados ao final da campanha – garantidos ou desperdiçados.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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