Brasil

Treinador de sete vidas

O cargo de Dunga já esteve em perigo várias vezes. A primeira delas foi na Copa América no ano retrasado, mas uma exibição de gala na final contra a Argentina – ainda que circunstancial, é verdade – salvou o treinador. Se pudesse, o gaúcho de Ijuí provavelmente gritaria um “vocês vão ter que me engolir” ou mesmo a impronunciável frase de quando levantou a taça do tetra em 94. Essa sensação tem se repetido com a verde-amarela e nesta semana não foi diferente com a sombra de Felipão desempregado.

Com a convincente vitória sobre a Itália em Londres nesta terça-feira, Dunga ganha mais uma sobrevida no comando da Seleção Brasileira. Em um duelo que pôs nove títulos mundiais dentro de campo, a Seleção teve uma postura tática muito boa, ainda que sem ter realizado um treinamento sequer para a partida.

Robinho e Elano, como externos em um 4-2-3-1, se encaixaram bem com Ronaldinho e envolveram os italianos. Bem protegida em uma surpreendente boa atuação defensiva de Marcelo, a equipe ainda assistiu a um debute convincente de Felipe Melo na cabeça da área. Essa conjuntura de fatos, aliada à uma Squadra Azzurra pouco inspirada, salvou novamente o pescoço de Dunga.

É inegável que ter uma opção como Luiz Felipe Scolari teoricamente disponível, ao se imaginar ou não a continuidade de Dunga, faz toda a diferença. Ao contrário de Vanderlei Luxemburgo ou Muricy Ramalho, Felipão tem bom trânsito dentro da CBF, ótima reputação pública e o respeito da imprensa – inclusive da Rede Globo. Assim, a demissão do capitão do tetra passa a ser mais factível. Dunga, todavia, parece se sentir mais confortável, ou motivado, quando tem pressão sobre si.

Sua saída já foi dada como certa em alguns momentos. Veja:

– A mais recente foi em novembro do ano passado. Havia quem garantisse que Muricy Ramalho, considerado o grande condutor do São Paulo ao tricampeonato, assumiria o cargo. A Seleção vinha pressionada pelo empate contra a Colômbia, dentro do Maracanã, mas com uma vitória por goleada sobre Portugal, em Brasília, Dunga afastou os boatos.

– O Brasil chegou super pressionado ao Chile, contando até com as críticas do presidente Lula e à reação desagradável de Júlio César. Com espaço para o contra-ataque, deixou Santiago com uma goleada e transformou o clima pesado sobre Dunga.

– Uma primeira fase pobre, com uma derrota na estréia e duas vitórias no sufoco, marcou o início da Copa América. Uma enganosa vitória sobre o Chile não reduziu as críticas ao treinador, que só pôs seu time na decisão pela ruindade uruguaia na cobrança de pênaltis. A Argentina, que mostrava o melhor futebol da competição, caiu graças à forte marcação de Mineiro e Josué, ao gol de Júlio Baptista na abertura e aos contragolpes mortais puxados por Elano e depois Daniel Alves.

Sub-20 campeã e no Mundial

Demorou, mas o time de Rogério Lourenço se achou no Sul-Americano Sub-20. Da equipe que hesitava e não tinha profundidade no quadrangular, o Brasil se encheu de bravura e naturalmente fez prevalecer sua maior técnica. Em um torneio em que a Argentina inexistiu, a verde-amarela sobrou até sobre os elogiados uruguaios.

No hexagonal decisivo, Sandro e Giuliano ratificaram que o torcedor do Internacional pode esfregar as mãos. São dois jogadores muito prodigiosos e, para a alegria dos gremistas, Maílson renasceu de um ano de 2008 apagado para dar mais oxigênio – e também idéias – para o meio-campo brasileiro. Com essa trinca como base, o time todo se afirmou, tendo Walter como o seu “match winner”. E assim, construiu a classificação e o título com naturalidade. Em uma competição sul-americana de tiro curto, é a fórmula mais consistente para atingir o objetivo máximo.

É preciso entender que a base que honrou o Brasil na Venezuela deve se alterar bastante até o Mundial do Egito, no meio do ano. A CBF sequer ainda sabe se irá poder utilizar os nomes europeus, e aí vem uma série de bons nomes convocáveis, como Pato, Breno e Rafael. E, se não puder, é possível que Rogério Lourenço veja seu leque se reduzir com a iminência da transferência de jogadores para o exterior.

Ainda que não tenha sido da forma brilhante e vistosa que normalmente o torcedor brasileiro quer ver, o saldo da disputa na Venezuela e positiva. Até porque os jogadores em si se desenvolveram e certamente tiraram boas lições dos sempre duros confrontos continentais.

 

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo