2016 x 2026: Como as transmissões do futebol mudaram tanto em 10 anos no Brasil
Chegada do streaming bombou novas marcas que se juntaram aos canais tradicionais da TV
Como virou moda relembrar nas redes sociais como nós éramos em 2016, vale a pena recordar também como fazíamos para assistir aos principais campeonatos de futebol aqui no Brasil há exatos 10 anos.
Essa última década foi marcada por profundas mudanças, principalmente com o fim da concentração de praticamente todos os eventos nas mãos da Globo em todas as plataformas. A Libertadores, por exemplo, não passa no sportv desde 2020, e a Sul-Americana não está em qualquer veículo do grupo desde a final de 2018.
A chegada dos streamings, impulsionados pela ampliação da estrutura da internet durante a pandemia e pelo dinheiro de gigantes estrangeiras como Disney, Warner, Paramount e o Google, com um YouTube hoje cada vez mais recheado de futebol ao vivo, mudou demais o cenário das transmissões.
Para muitos torcedores, o cenário de 2026 é mais confuso.
Quem segue todos os jogos do Corinthians, por exemplo, precisa ficar atento para saber se a partida do dia vai passar na Globo, Record, CazéTV, GE TV, ESPN, Paramount+, Amazon Prime Video, sportv, Premiere, TNT ou HBO Max, a depender da competição disputada.

Mas não é sempre verdade que consumir futebol ficou mais caro. Há 10 anos, assinar o Premiere era impossível sem ter um plano de TV por assinatura. Hoje é possível fazer a assinatura de forma direta pela internet por meio do Globoplay ou do Amazon Prime Video.
Este próprio colunista viveu uma história que ilustra como eram aqueles tempos. A Globo já oferecia no streaming o serviço Premiere Play, mas condicionado à assinatura do Premiere na TV paga. Era preciso entrar com login e senha da operadora. Funcionava até que bem em 2016 para os padrões da época.
No ano seguinte, o Premiere Play “salvou” demais durante viagens internacionais para manter o contato com o Brasileirão. Em 2018, porém, quando negociamos um desconto com a operadora para aliviar o combalido orçamento mensal, o valor do Premiere caiu de R$ 105 para R$ 79,90 mensais.
A surpresa, porém, veio logo em seguida: o “desconto” na verdade era um rebaixamento de plano, e o mais barato só funcionava na TV. Em resumo: perdi o acesso ao Premiere Play. Se considerarmos a inflação entre 2016 e o fim de 2025, só o Premiere me custaria cerca de R$ 170 atuais.
Valor com o qual eu consigo pagar o atual Premiere (R$ 29,90 por mês no plano anual), o Amazon Prime Video (R$ 13,90 por mês no plano anual), o Disney+ Premium (R$ 46,82/mês no plano anual), a HBO Max (R$ 22,90 por mês no plano anual), e o Paramount+ (R$ 27,90/mês no anual). Lembrando que eu já pagava pela internet, não foi um gasto a mais.

Voltando ao cenário dos direitos de transmissão, já havia as primeiras iniciativas de venda direta de futebol no streaming. A aquisição da Champions League com exclusividade pelo Esporte Interativo, na temporada 2015/16, trouxe o pacote completo de jogos disponível no EI Plus, mais tarde transformado em Estádio TNT Sports e depois absorvido pela HBO Max.
A Band vivia seu último Paulistão e não chegou a transmitir o Brasileirão na parceria que durou desde 2007 dividindo os mesmos jogos com a Globo. Hoje, a Record tem jogos exclusivos, dois por rodada no Paulista e um no Brasileirão. A Globo está fora do estadual de São Paulo, mas segue firme nas competições nacionais.
O Brasileirão 2016 era todo da Globo. O Fox Sports até exibia VTs, mas ao vivo era só na TV Globo, sportv e Premiere. Hoje a lista inclui, além desses três canais, a Record, CazéTV no YouTube, GE TV e Amazon Prime Video.
Na Copa do Brasil, a mudança foi no sublicenciamento. A Globo continua dona do torneio, mas transmite menos fases na TV aberta (entra apenas nas oitavas de final, apesar de não dividir mais a rede com jogos da Libertadores, como acontecia em 2016). Há 10 anos, ESPN e Fox Sports transmitiam a competição por meio de acordos com a Globo. Hoje, quem faz isso com 40 jogos exclusivos por ano é a Amazon e o seu Prime Video.
Na Libertadores, em 2016 ainda vivíamos a época de domínio do Fox Sports. A emissora era responsável até pelo credenciamento de imprensa nos estádios. Tenho várias credenciais da década passada de jogos que cobri em São Paulo com o logo do canal. A Fox sublicenciava o sportv na TV paga.
A Globo transmitia na aberta, mas com divisão de praças em todas as fases, podendo dividir com outros torneios, inclusive. O mesmo acordo era válido na Copa Sul-Americana. E não havia qualquer obrigação de exibir as finais se não houvesse times brasileiros nela, ou de passar a final para todo o Brasil, caso o brasileiro fosse um time de fora do eixo RJ-SP.
Atualmente, a Libertadores tem os direitos concentrados nas mãos da agência FC Diez Media, que faz licitações por ciclos de quatro anos. Em 2026, viveremos o último ano do atual ciclo, com a TV Globo exibindo um jogo em rede nacional por data de mata-mata, e dois jogos em divisão de praças por rodada da fase de grupos. A ESPN, com o seu Disney+, tem o pacote principal de plataformas pagas. O Paramount+, no streaming, exibe a outra metade, sem a final.

A Champions League é outro campeonato que teve mudanças, mas ficou nas mãos da mesma empresa. O Esporte Interativo, que dominava as plataformas pagas, hoje é a TNT Sports, que tem o pacote completo. Em 2016, a Globo tinha os direitos de TV aberta e sublicenciava a Band. Hoje o SBT transmite nessa mídia mediante sublicenciamento com a TNT Sports.
A Liga Europa, que tinha o Esporte Interativo no sinal aberto e a ESPN nas plataformas pagas, hoje está com a CazéTV, talvez a maior novidade desses 10 anos com transmissões gratuitas de eventos como a Copa do Mundo, Olimpíadas, Mundial de Clubes, Copa Intercontinental, estaduais e o Brasileirão, entre outros tantos.
Os campeonatos nacionais da Europa começaram 2016 praticamente divididos entre ESPN e Fox Sports. A Premier League era da Fox, que sublicenciava metade dos jogos para o canal da Disney. Mas foi no meio de 2016 que entrou em vigor um novo ciclo, no qual a ESPN levou os direitos e resolveu não retribuir o sublicenciamento com a Fox, usando muitas vezes o streaming Watch ESPN como local para jogos menores.
Hoje, com exceção da Bundesliga, as principais ligas nacionais europeias estão nas mãos da Disney, que usa ESPN e Disney+ no plano Premium para exibir as partidas, muitas delas só no streaming. A novidade recente foi a criação da Xsports, canal de esportes na TV aberta que chegou com acordos de sublicenciamento com a ESPN para exibir o Inglês, Espanhol, Italiano, entre outros torneios.
Na lista abaixo, você relembra como eram e como estão alguns campeonatos na TV na comparação do começo de 2016 com o começo de 2026. Para você, melhorou ou piorou?

Paulistão:
2016: Globo, Band, sportv e Premiere
2026: Record/R7, CazéTV/YouTube e TNT Sports (TNT e HBO Max)
Carioca:
2016: Globo, sportv e Premiere
2026: Globo, GE TV, sportv e Premiere
Brasileirão:
2016: Globo, sportv e Premiere
2026: Globo, Record, CazéTV/YouTube, GE TV, sportv, Premiere e Amazon Prime Video
Copa do Brasil:
2016: Globo, sportv, ESPN Brasil, Fox Sports
2026: Globo, GE TV, sportv, Premiere e Amazon Prime Video
Libertadores:
2016: Globo, sportv e Fox Sports
2026: Globo, GE TV, ESPN, Disney+ e Paramount+
Copa Sul-Americana:
2016: Globo, sportv e Fox Sports
2026: SBT, ESPN, Disney+ e Paramount+
Copa do Mundo:
2016 (contratos fechados para 2018): Globo, sportv e Fox Sports
2026: Globo, SBT, sportv, N Sports, GE TV (menos YouTube), Globoplay e CazéTV (única com todos os jogos)
Champions League:
2016: Globo, Band, Esporte Interativo (canais EI Maxx e o streaming EI Plus)
2026: SBT e TNT Sports (antigo Esporte Interativo – TNT e HBO Max)
Europa League:
2016: Esporte Interativo (TV aberta) e ESPN
2026: CazéTV
Campeonato Espanhol:
2016: ESPN e Fox Sports
2026: Xsports (TV aberta), ESPN e Disney+
Campeonato Inglês:
2016: ESPN e Fox Sports
2026: Xsports (TV aberta), ESPN e Disney+
Campeonato Alemão:
2016: ESPN e Fox Sports
2026: RedeTV!, Xsports, CazéTV, Canal GOAT, SportyNet, sportv, e OneFootball
Campeonato Italiano:
2016: ESPN e Fox Sports
2026: Xsports, CazéTV, ESPN e Disney+
Campeonato Francês:
2016: Sportv e ESPN
2026: CazéTV
Campeonato Português:
2016: Sportv
2026: Xsports, ESPN e Disney+
Brasileirão Feminino:
2016: TV Brasil, Fox Sports e EnterPlay (PPV)
2026: TV Globo, GE TV, TV Brasil, sportv
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