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Tradição, emoção, rivalidade: Oito razões que tornam o Nordestão 2016 imperdível

A Copa do Nordeste abre neste sábado a sua quarta edição consecutiva. E não dá para negar a importância que a gloriosa “Lampions League” ganhou desde então. O torneio se consolidou como um dos mais legais do calendário brasileiro, e por diferentes motivos: desde o envolvimento das torcidas, à qualidade dos embates e mesmo à organização demonstrada pelos clubes. Uma competição para valorizar não apenas a identidade cultural dos nordestinos, assim como as rivalidades e o peso das camisas do futebol local.

A fase de grupos não costuma ser tão movimentada quanto os mata-matas, mas já traz bons atrativos. É o começo de uma caminhada que vai até maio. E que, a partir do que aconteceu nos últimos anos, promete se encerrar com estádios lotados, futebol competitivo e alto nível de emoção. Campinense, Sport e Ceará não podem reclamar da projeção que o Nordestão lhes ofereceu desde 2013. Abaixo, destacamos oito pontos positivos da disputa que se inicia neste final de semana:

– O campeonato mais valorizado do primeiro semestre no Brasil

Não vamos ser tão radicais: os estaduais têm os seus momentos de emoção – especialmente se você, como eu, torce para um clube do interior. Mas o fato é que, no geral, a atual representatividade desses torneios é bem pequena, sobretudo para os times de elite do futebol brasileiro. Assim, o Nordestão assume uma posição de destaque, e com o peso que nenhuma outra competição decidida no primeiro semestre oferece. O número de jogos interessantes é considerável, assim como os esforços dos participantes na busca pela taça. E isso sem contar a vaga oferecida na Copa Sul-Americana, oportunidade única para aqueles que não estão na Série A do Brasileirão. Elementos que resultam no alto nível da copa.

– O espetáculo das torcidas

A torcida do Ceará na final contra o Bahia no Castelão (Foto: Divulgação)

Um dos pontos fortes do Nordestão, sem dúvidas, acontece nas arquibancadas. Se os clubes valorizam tanto a participação no torneio, isso se confirma a partir das torcidas. Por mais que a primeira fase da Copa do Nordeste não conte com estádios tão cheios, a média de pública é maior do que em qualquer estadual. Além disso, as etapas eliminatórias costumam lotar as arquibancadas. Os números de 2015 reforçam isso: cinco dos 30 maiores públicos do ano no futebol brasileiro aconteceram na Lampions League, incluindo o terceiro, a finalíssima no Castelão. E isso sem contar as festas contínuas, além do comparecimento, com os bandeirões e mosaicos que marcaram as últimas edições do certame.

– Ah, os mata-matas…

Para quem gosta do formato, o Nordestão é um prato cheio. O nível de tensão nos jogos a partir da fase eliminatória costuma ser altíssimo. Basta ver o desdobramento de alguns dos confrontos nas últimas edições, a exemplo do jogo de volta das semifinais entre Bahia e Sport. Considerando a própria maneira como o título representa, há um estímulo a mais para se esfolar em campo.

– A chance de ver grandes clássicos estaduais e também os regionais

Vez ou outra, a Copa do Nordeste guarda jogos entre rivais tradicionais. Mas a rixa na competição vai muito além dos limites dos estados, envolvendo também confrontos de grande peso na região como um todo – especialmente remetendo à identidade local, na briga para dizer quem é o maior nordestino. Na atual edição, por exemplo, os grandes duelos começam na fase de grupos. Três se destacam: Bahia x Santa Cruz, Sport x Fortaleza e Sampaio Corrêa x Ceará.

– A lembrança dos maiores esquadrões nordestinos

A Lampions League renasceu com força em 2013. Entretanto, remete a outros momentos em que o Nordeste contou com uma competição regional de clubes – como bem destaca o texto de Cassio Zirpoli no Diário de Pernambuco. Ao próprio Nordestão, que sobreviveu na virada dos anos 1990, ou mesmo de outras competições não reconhecidas como oficiais. Desde a década de 1940 existem campeonatos envolvendo as principais forças estaduais da região, incluindo as preliminares da Taça Brasil ou o torneio paralelo ao Roberto Gomes Pedrosa. Disputas que distribuíram taças aos principais clubes nordestinos e ajudaram a eternizar timaços.

– Ídolos e promessas prontos para brilhar

grafite

Como todo bom campeonato, o Nordestão serve para deixar bons nomes em evidência. Desde jovens jogadores que despontem no principal palco regional, até veteranos que andam meio esquecidos em outros cantos do país. O maior exemplo disso, em 2015, veio com Magno Alves. O atacante serviu de referência ofensiva na grande campanha do Ceará, embora não tenha seguido no Vozão para a sequência do ano. Será que Grafite, Hernane Brocador, Durval ou algum outro medalhão consegue se consagrar desta vez? Ou um novo Ricardinho vai fazer o seu nome para o resto do Brasil?

– Uma boa prévia para o Brasileirão

Dos 20 participantes da Copa do Nordeste, 13 disputam as três primeiras divisões nacionais. Destes, sete ainda estarão no mesmo grupo da Série C, que se promete eletrizante neste ano. Os embates devem servir de base para o que acontecerá nos próximos meses, diante das possibilidades de consolidação no cenário nacional. Vale, principalmente, ficar de olho em como será o desempenho do Santa Cruz, recém-promovido à primeira divisão. E ver se ninguém cairá na armadilha como o Ceará, campeão nordestino e não rebaixado por um triz na Série B – no milagre protagonizado por Lisca.

– Um exemplo como liga

Se a Primeira Liga ainda dá os seus primeiros passos, o Nordestão já se firmou no modelo de organização apontado por muitos como “solução” para o futebol brasileiro. Obviamente, a liga não rompeu totalmente o seu laço com as federações, com uma relação equilibrada. Mas a Lampions League serve de exemplo especialmente pela gestão estabelecida entre os clubes na realização do torneio e também pelo fortalecimento econômico com certa autonomia.

E sempre vale relembrar o hino da Lampions League, no ritmo do Nordeste.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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