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Título Paulista dá o respaldo que Carille merece no Corinthians e fortalece Rodriguinho, Pablo e Jô

Era difícil saber o que esperar do Corinthians no início da temporada. Uma das coisas que se esperava se confirmou: o técnico Fabio Carille montou um time forte defensivamente, que consegue dificultar mesmo para as equipes mais fortes. Só que foi além disso. Ao longo destes quatro primeiros meses de trabalho, o treinador conseguiu fazer um time competitivo que se mostrou forte diante dos rivais diretos, Palmeiras, São Paulo e Santos. A conquista do título do Campeonato Paulista neste domingo sobre uma Ponte Preta dá ao técnico o respaldo que ele não teve na diretoria quando foi contratado.

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A saída de Tite para a seleção brasileira criou um problema no Corinthians em 2016. A contratação de Cristóvão Borges foi um erro e acabou prejudicando a campanha do time no Brasileirão. Carille assumiu e a diretoria disse que seria até o gim do ano. Não foi. O presidente Roberto de Andrade trouxe um técnico da sua confiança, Oswaldo de Oliveira, para terminar a temporada e iniciar o planejamento de 2017. O plano de dar a Carille tempo durou poucos jogos. Como a aposta em Oswaldo também não deu certo – previsivelmente, aliás -, o Corinthians foi obrigado a buscar um novo técnico.

Vários nomes foram especulados e a diretoria do Corinthians admite que procurou um deles: Reinaldo Rueda, treinador do Atlético Nacional. Como não houve acerto, o clube ficou sem muitas opções. Resolveu, então, apostar em Carille. Não que tivesse plena convicção no trabalho do auxiliar, que está no Corinthians desde 2009. Era por falta de uma opção melhor. E qualquer insucesso seria colocado nas costas dele, como aconteceu com Eduardo Baptista no Palmeiras. Só que Carille conseguiu ir bem nestes primeiros quatro meses e mostrou preparo e potencial.

Uso das categorias de base

O novo técnico só tinha de novidade a função. Já conhecia o elenco. Carille fez a pré-temporada e montou um time baseado nos jogadores que tinham. Deixou fora do time jogadores que, embora caros, não vinham rendendo, como Marquinhos Gabriel, Giovani Augusto e Guilherme. O último já até deixou o clube.

Deu espaço para Guilherme Arana se consolidar na posição de lateral esquerdo, como já tinha mostrado potencial no Campeonato Brasileiro de 2015, e ele foi o melhor do Paulistão. Maycon, já se sabia, era um talento que a Ponte Preta aproveitou em 2016. Assim que teve espaço, com a lesão de Filippe Bastos, não saiu mais do time. Também deu chances em alguns jogos a Léo Jabá e Pedrinho, outras crias da base. São jogadores mais para o futuro, mas começaram a ter seu espaço para ganharem experiência.

Pablo, gigante na defesa

Na defesa, o grande nome foi Pablo. Uma das apostas do técnico. Contratado nesta temporada, o zagueiro, ex-Ponte Preta, estava no Bordeaux. Especialista em montar defesas, Carille fez um bom trabalho tornando o time do Corinthians seguro. O paraguaio Balbuena cresceu de produção com a parceria ao lado de Pablo. Fagner e Cássio, veteranos do time, também conseguiram ter um bom desempenho.

No meio campo, Rodriguinho foi o grande nome. O meio-campista, camisa 26, não esteve presente no último jogo do Paulista neste domingo, contra a Ponte, suspenso. Tinha sido o principal jogador do time na partida de ida, com dois gols e passe para outro na vitória por 3 a 0. Foi um jogador que cresceu no final do campeonato, depois de começar 2017 sem jogar muito bem. Seu bom desempenho nesta reta final é um bom indicativo que o jogador volte a render aquilo que mostrou em 2016, quando foi um dos principais jogadores do time.

Jadson e Romero, importantes de formas diferentes

Jadson chegou ao longo do campeonato, demorou a entrar em forma, mas também voltou a ter um papel importante no time. É um time diferente daquele de 2015, então Jadson também teve que se adaptar. Atuou pelos lados, mas também por dentro. Ajudou o time com alguns gols e assistências.

O paraguaio Ángel Romero foi, sem dúvida, o jogador mais contestado do Corinthians. O atacante não é um jogador que esbanja técnica ou habilidade. É veloz e é, principalmente, muito dedicado. A principal característica do Corinthians de Fabio Carille é ser organizado. Nesse sentido, Romero ajuda muito. Tanto que fez ótimas partidas nos jogos grandes, contra Palmeiras, Santos e São Paulo, além da Ponte Preta na final.

Romero é um jogador que pode ser útil. Nunca será um craque e tem problemas técnicos que às vezes irritam a torcida. É natural. Por vezes, Romero é excessivamente criticado justamente pela sua limitação. Foi mais uma vez útil e marcou ainda o gol simbólico do título na Arena Corinthians – da qual é artilheiro, aliás.

A recuperação de Jô

O principal nome no ataque é Jô. Sua contratação, ainda em 2016, gerou muita desconfiança. Primeiro, pelos valores divulgados. Mas especialmente porque era um jogador que gerava desconfiança pelo desempenho que teve nos últimos anos. Desde 2013, quando foi campeão da Libertadores pelo Atlético Mineiro, Jô não era o mesmo jogador participativo e útil.

O verbo já mostra que isso mudou. Jô teve um início lento, mas aos poucos ganhou moral. A começar pelo clássico com o Palmeiras, na Arena Corinthians, no dia 22 de fevereiro. Jô não vinha rendendo bem e perdeu a posição para Kazim, contratado do Coritiba. Jô entrou durante o jogo e marcou o gol da vitória por 1 a 0, nos acréscimos. Foi o ponto de virada do atacante.

Virou o “God of Clássicos”, uma brincadeira com o “God of Zaga” do São Paulo para Maicon. Jô marcou contra Santos e São Paulo e, mais do que os gols, teve boas atuações em várias partidas na reta final do Paulista. Se consolidou como um jogador recuperado, que passou a ser um dos principais da posição em São Paulo.

De olho no Brasileiro

O setor de criação foi o principal problema do Corinthians. O time sofreu muitos jogos por não conseguir atacar bem, chegar com qualidade ao ataque. Foi preciso evoluir aos poucos para amenizar o problema. O problema não desapareceu e a tendência com o Campeonato Brasileiro que se aproxima é que isso volte a aparecer. Ao menos há um caminho. O título dá a Carille o tempo que ele precisa para desenvolver mais o time, para trabalhar com mais calma. A eliminação na Copa do Brasil foi doída para a torcida, mas o título Paulista ajuda o técnico a ter o seu tempo.

O 28º título do Campeonato Paulista pode não ter o mesmo gosto de conquistas do passado, quando o estadual tinha um peso muito maior e era o principal título do ano. Este, porém, é importante justamente para fortalecer quem precisava se consolidar. De Carille a Jô, a visão sobre eles depois de quatro meses de trabalho melhorou. Certamente a visão sobre esse time do Corinthians deste dia 7 de maio de 2017 é bem melhor do que a do início do ano.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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