Brasil

Os times do Brasil precisam viajar mais para o exterior

As excursões de antigamente são inviáveis hoje, mas o intercâmbio internacional faz muita falta ao nosso futebol.

Há duas formas de se analisar as intenções de Flamengo e Vasco ao dividir seus elencos para jogos do Campeonato Carioca e amistosos internacionais no início da temporada.

  • A mal-humorada resumiria a desprezo pela competição, prova de que os estaduais são objetivos secundários para os grandes clubes.
  • A bem-humorada apontaria o interesse de intercâmbio internacional e divulgação das marcas.

O Flamengo está com suas principais estrelas nos Estados Unidos, para uma sequência de pré-temporada, mesmo já tendo atuado duas vezes pelo estadual. Tite utilizou 22 dos 26 jogadores que viajaram na vitória tranquila sobre o Philadelphia Union, por 2 a 0. Este resultado é muito mais importante para o torcedor rubro-negro que o empate por um gol com o Nova Iguaçu, pelo Cariocão, com time reserva. Na partida realizada em São Petesburgo, na Flórida, o Rubro- Negro teve a estreia do uruguaio De La Cruz como grande atração. Em 27 de janeiro o Flamengo enfrentará o Orlando City, em novo amistoso nos EUA. Exposição de marca, tempo para treinamento e adaptação de novos contratados. 

O Vasco foi ao Uruguai para a pré-temporada, adotando medida semelhante à do rival, dividindo o elenco e deixando os reservas para as rodadas iniciais do estadual. O Cruzmaltino somou duas vitórias contra o argentino San Lorenzo e o uruguaio Deportivo Maldonado, ambas pela contagem mínima. A boa performance do francês Payet está sendo festejada pela torcida.

Não é só Flamengo e Vasco: ação do Bahia foi para lá de interessante

Outra ação muito interessante foi a do Bahia, que passou quase duas semanas em Manchester, terra do campeão europeu e mundial e principal time do grupo City. Além da referência elogiosa de Guardiola a Rogério Ceni, o grupo pôde conviver com atletas e estrutura da elite do futebol mundial. Certamente essa oportunidade terá muito mais impacto do que os dois jogos sem vitória no Campeonato Baiano.

A irracionalidade política do calendário do futebol brasileiro provoca um inchaço que não permite aos clubes uma janela para o intercâmbio. Nem sequer há tempo para uma pré-temporada completa. A adequação ao calendário europeu – medida que hoje me agrada mais do que antes – pode abrir espaço para intercâmbio. Os grandes times europeus costumam atuar na Ásia e nos Estados Unidos na pré-temporada, com grande sucesso. Não demora e a Arábia Saudita deve entrar nesse circuito.

Já imaginou como seria bom de mais clubes brasileiros fossem viajar para o exterior?

Não seria bacana que o Brasil pudesse fazer alguns jogos ou torneios com equipes europeias e até mesmo asiáticas, africanas e norte-americanas? Ou que clubes brasileiros pudessem excursionar, como faziam com frequência no século passado, participando de torneios tradicionais como Ramón de Carranza e Teresa Herrera, na Espanha, ou Torneio de Paris, na França?

Como os estaduais existem em função dos grandes times de cada estado, não seria justo que eles pudessem participar de etapas posteriores? Não adianta o braço-de-ferro de algumas federações, porque a ordem de grandeza não muda mais: os estaduais não são mais importantes que os torneios nacionais. Perderiam tanto assim se cedessem algumas de suas datas para amistosos e intercâmbio internacional num eventual começo de temporada?

Vale pensar no tema sem viés político. O futebol é cada vez mais um produto de padrão técnico europeu, e os clubes brasileiros raramente enfrentam equipes do Velho Continente. A seleção brasileira tem sido testemunha da falta que o intercâmbio faz.

Foto de Mauricio Noriega

Mauricio Noriega

Colunista da Trivela
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