Brasil

Timão sem euforia e sem preocupação. E o São Paulo?

Para o Mário Espinoza, meu companheiro de bancada, os minutos finais do jogo contra o Al-Ahly foram uma tortura egípcia. Com mãos cruzadas, rezando muito e xingando na língua dos faraós, ssó conseguiu articular um “Vai Curintcha” quando o juiz apitou o final da partida.

Não é para tanto. Não sei como se diz sufoco em egípcio, mas em português a palavar não cabe. Os africanos dominaram o segundo tempo, sem dúvida, mas não houve chutes que chegassem ao gol. Passaram perto, mas nada que merecesse um pedido a São Jorge. É lógico que não se deve pedir coerência a um torcedor em dia de jogo decisivo, mas o Mário podia ter deixado suas mandingas para domingo.

O domínio do Al-Ahly se deve a uma falha na estratégia corintiana. Com 1 a 0 a favor, o time recuou para matar o jogo em contra-ataque. Colocou Romarinho em campo, mas a bola não entrou. E o time ficou muito atrás.

Realmente eu não entendo essa indigência dos treinadores brasileiros. E nem estou falando de Tite, o mais badalado deles. Se o Corinthians dominou o primeiro tempo, se poderia ter feito mais um gol, por que mudar a postura – mais do que a tática – em campo. Não dá para continuar marcando pressão? Tudo bem, mas vamos marcar no meio-campo. O recuo exagerado é inadmissível e leva a sustos perfeitamente desnecessários.

Esse pragmatismo de Tite dá resultados quase sempre, não se pode discutir, mas futebol poderia ser mais do que isso. No mais, não é caso de desespero. O Chelsea, outro favorito, também deve ter dificuldades contra o Monterrey. E o vencedor, seja quem for, encontrará um Corinthians muito forte no domingo. Sem beleza, mas pragmaticamente forte.

Hoje à noite, será a vez do São Paulo. Para mim, será uma surpresa muito grande se encontrar facilidades contra o Tigre. Não foi assim contra o LDU de Loja e nem contra o Universidad Catolica. Dois empates em casa. Goleada houve contra a Universidad do Chile, dirigida por Jorge Sampaoli, o novo gênio cultuado pela inteligentzia futebolística brasileira.

Se o São Paulo ainda tivesse volantes que tivessem saída de jogo e chegada ao ataque… Mas Paulinho é do Corinthians e Hernames da Lazio.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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