Temos um time

Ninguém gosta de perder e muito menos para a Argentina. O Brasil, porém, não tem que lamentar. Fez um bom jogo contra os vizinhos, que venceram por ter ao seu lado o melhor jogador do mundo. A boa exibição fechou a série de quatro amistosos com uma boa impressão. Depois de muitos meses sem sequer sabermos qual seria o time olímpico, após os quatro jogos sabemos que há um time e, mais ainda: que é um time forte.
Certamente há quem chegou até aqui no texto e já pensou: e a defesa? Sim, essa é um problema. Bruno Uvini e Juan não são suficientes para dar segurança à zaga. E os erros individuais de Sandro na marcação também comprometeram no jogo contra a Argentina, muito embora o volante seja bom jogador e mereça estar na lista.
O que deu para ver nos amistosos é que a base do time está pronta. Do meio para frente, o time já tem os nomes. Resta distribuir os jogadores acima da idade e ficou claro que é preciso que ao menos uma, mas preferencialmente duas delas sejam para a zaga. Thiago Silva é nome certo. David Luiz é um candidato. E Marcelo, na lateral esquerda, deve ficar com a vaga, apesar do comportamento infantil nos amistosos, mostrando um destempero injustificável. Como o lateral reserva, Alex Sandro, não é confiável, é provável que Mano leve o jogador do Real Madrid.
Se o técnico brasileiro levar dois zagueiros, Hulk fica automaticamente fora. E ainda que tenha feito boas participações nos quatro amistosos, o atacante não é necessário. Lucas não é o grande craque já se imaginou que seria, mas pode fazer a função. Ainda há Philippe Coutinho e Giuliano, que dão opção como meias centrais ou pelos lados. Todos dentro da idade olímpica.
Não há dúvidas que Neymar é o principal jogador do time e joga mais pela esquerda do ataque. Oscar tomou conta da camisa 10 e mostrou que Ganso terá que jogar muito para tomar de volta o lugar. Lucas pode jogar pela direita, com opções para substituí-lo.
Como atacante mais avançado, Leandro Damião não fez uma boa sequência de jogos, mas ainda é um jogador a se apostar para Olimpíadas. Ainda há Alexandre Pato, que muitos torcem o bico, mas é um jogador que tem que estar ali. Não há muito mais nomes para a posição com sua experiência internacional e qualidade.
Entre os ausentes, destaco o volante Fernando, do Grêmio. Um jogador que foi muito bem no sul-americano que classificou o Brasil para a Olimpíada de Londres e titular do time campeão mundial da categoria. Não por acaso. É um jogador com experiência em seleções de base e que tem feito um ano excelente pelo Grêmio. Tem bola não só para estar entre os 18 que irão aos Jogos Olímpicos, como pode ser titular.
Da partida contra a Argentina, ficou a boa atuação do setor ofensivo, que dá um indício que o ouro em Londres é possível. A Espanha está mais preparada e o Egito, que está no grupo do Brasil, jogou mais vezes junto. É tudo verdade. O time brasileiro tem talento e mostrou um time. Com o amistoso contra o Reino Unido às vésperas da competição e os jogos da primeira fase, o Brasil pode estar pronto para buscar o título.
Curtas
– Vasco 100%: já vimos essa história antes. Ano passado, o Corinthians venceu nove dos primeiros dez jogos e disparou na frente. Os pontos que o time está conquistando agora, aproveitando quem dá de ombros ao Brasileirão, serão muito úteis lá na frente.
– Atlético e Ronaldinho: a estreia do R49 foi discreta, como tem sido o jogador ultimamente. Um coadjuvante com salário de protagonista. E o pior é que, incrivelmente, pode ser que ainda dê certo. Ele chama a atenção – mesmo não sendo decisivo – e pode abrir espaço para os outros jogadores. É uma aposta arriscada – e que eu jamais faria –, mas pode dar certo.
– Corinthians e Santos seguem perdendo pontos por escalarem reservas. Aliás, mais o Corinthians do que o Santos, que de fato tem muitos desfalques. O Timão foi até Porto Alegre perder de um Grêmio que, titular, daria trabalho, mas era vencível. Os reservas do Corinthians, porém, estão muito abaixo do que o time titular pode fazer. O time sente muito a falta dos volantes titulares, seja na recuperação de bola com desarmes e sem faltas, seja na presença de Paulinho, hoje o principal jogador de criação do time.
– No Grêmio, destaque para Fernando, que continua muito bem no meio-campo, e para Souza, que fez uma bela partida no Olímpico. O time, em princípio, não é favorito ao título. Mas para a Libertadores é possível, ainda mais com tanta gente desinteressada do Brasileiro neste início de campeonato.
– O Internacional, titular, já mostrou que não é time para brigar pelo título. Ao menos não pelo que mostrou em campo. No papel, como tem sido nos últimos anos, o time é ótimo. Na bola, nãos tem sido. Mas é time para brigar ao menos por Libertadores.
– O Náutico mostrou poder de recuperação ao bater o Botafogo, o que poderá ser útil para um time que, primeiro, tem que pensar em não ir de volta à segunda divisão. O Bahia, ainda que tenha perdido novamente, mostrou que não é time para cair. Mas precisa vencer os times de baixo.



