Brasil

Ted Boy leva uma parcela da minha infância (agora com fotos e vídeo)

Tem alguma coisa errada com esse menino.

A preocupação do meu pai era genuína. Com 13, 14 anos eu andava em má companhias. Mais do que isso, eu idolatrava um bandido, a verdadeira encarnação do Mal. Não queria saber do loirinho vindo da Argentina – depois fiquei sabendo que nascera na Itália – que encantava o Brasil com seus draps e tesouras.

Ted Boy, o genro que toda senhora queria ter

Ted Boy era o herói. Bonito, cabelinho arrumado, participava dos programas humorísticos – como Os Insociáveis, onde era parceiro de Vanusa, Vanderlei Cardoso, Didi e Dedé – mas eu gostava mesmo era de Aquiles. Gordo, mulato, cabelo ruim, com ele não tinha golpezinho não. Plantava os pés no chão e o punho fechado na cara dos mocinhos.

Perdeu duas vezes só. As duas para Ted Boy, para meu desgosto, para minhas lágrimas. No ano passado, quando entrevistei o Aquiles, ele me disse que considerava Ted Boy meio mariquinha. Me senti realizado.

Escolher mal um lutador de luta-livre era preocupante? Sim, amigos, era um Brasil mais inocente. Tinha gente que não acreditava em marmelada. Aquilo, pelo menos para nós em Aguaí, não era mentira não. Tudo era verdade.

Hoje, Ted Boy, quando você partiu e levou contigo um pedação da minha infância, eu só queria te dizer que não era nada pesoal não. Não tinha nada contra você, desculpa alguma coisa aí. Eu era gordinho – agora sou gordão – ruim de bola e filhinho de papai e de mamãe. Tinha de ser diferente, um pouco de bad boy.

Porra, Ted Boy, porque tu não deu um drap, uma tesoura na mulher de foice? Pode não adiantar mais, mas quero dizer que você foi grande. Mesmo um fã de Aquiles como eu, precio admitir.

Um abraço, velho

 

AQUI, UMA LUTA DE TED BOY CONTRA RINO

<iframe width=”420″ height=”315″ src=”http://www.youtube.com/embed/MWDdk6UTulc” frameborder=”0″ allowfullscreen></iframe>

 

Mostrar mais
Botão Voltar ao topo