Brasil

Tardelli ganhou títulos, virou titular da Seleção… e não valorizou nada?

“Jogador está valorizado, é a oportunidade da vida.” Essa frase é muito comum para justificar a ida de um atleta em bom momento para o exterior, aceitando uma proposta que talvez não fosse tão alta em outro momento. A não ser que seja Diego Tardelli. O atacante do Atlético Mineiro vive o melhor momento de sua carreira, mas seu espaço no mercado ficou quase inalterado. Pelo menos foi o que ocorreu nas negociações mais recentes do jogador.

Chamou a atenção da maioria o fato de o atacante titular da seleção brasileira de Dunga ir ao Shandong Luneng, da China, ao invés da Europa. De fato, é um sinal de que o Brasil não está em alta entre os clubes europeus. O fato de o atacante do Atlético ter 29 anos também inibe potenciais compradores. Mas a questão mais curiosa é o que ocorreu com seu valor.

Em 2013, Diego Tardelli foi anunciado como uma das grandes contratações do Galo para a disputa da Libertadores. O clube mineiro pagou € 5,25 milhões para tirá-lo do Al-Gharafa, do Catar. Depois da estadia no Oriente Médio, Tardelli voltou ao Galo, ganhou a Libertadores, a Recopa Sul-americana, a Copa do Brasil, e virou o camisa 9 da seleção brasileira, decidindo inclusive um amistoso contra a Argentina, disputado na própria China.

Pelos critérios normais do mercado, houve uma evidente valorização. Mas não foi o que ocorreu na prática. Dois anos depois, o Atlético teria vendido o atacante ao Shandong Luneng, da China, por € 5,5 milhões, apenas € 250 mil a mais que pagou. A informação é do clube chinês, pois os atleticanos não anunciaram oficialmente por quanto foi o acordo. Alan, ex-atacante do Fluminense que estava muito bem no Red Bull Salzburg nas últimas temporadas, com títulos e muitos gols (é o atual artilheiro da Liga Europa), custou quase € 12 milhões aos cofres do Guangzhou Evergrande, que pagou € 15 milhões por Ricardo Goulart.

Claro que há alguns atenuantes aí. A cotação do euro subiu significativamente nos últimos anos, e a diferença em reais das negociações de 2013 e de 2015 é muito maior que na moeda europeia. Além disso, o atacante ficou dois anos mais velho e o Atlético tem salários atrasados e ainda deve dinheiro ao Al-Gharafa pela transação inicial, o que poderia forçar a diretoria a fazer dinheiro rápido.

De qualquer modo, o valor divulgado pelo Shandong Luneng contraria uma lógica do mercado do futebol. Se Tardelli realmente deixou Belo Horizonte por € 5,5 milhões, é sinal de que alguma coisa não funcionou direito. Ou o Atlético pagou caro demais ao Al-Gharafa devido à relação entre o jogador e a torcida, ou ficou em situação delicada para poder barganhar mais com os chineses.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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