Brasil

Taison completou a volta para casa e tem muito a contribuir para o novo estilo do Internacional

A contratação do atacante de 33 anos foi oficializada nesta sexta-feira

Após uma passagem frutífera pela Ucrânia, Taison está de volta. O atacante do Shakhtar Donetsk foi anunciado oficialmente como o novo reforço do Internacional nesta sexta-feira. Completa uma muito especulada volta para a casa e pode ajudar bastante o recém-nascido projeto do treinador Miguel Ángel Ramírez.

Taison tem apenas 33 anos, uma idade boa para quem retorna da Europa. Ao contrário de outros jogadores do seu nível, muitos dos quais trataram a Ucrânia como um patamar intermediário para centros mais badalados, a sua trajetória europeia parou no Shakhtar Donetsk, mas nem de longe isso quer dizer que não foi um sucesso.

Após três temporadas pelo Metalist, chegou ao Shakhtar para se tornar um ídolo – e um capitão. Disputou 299 partidas pelo clube, 43 delas na Champions League. Participou de duelos de alto nível contra equipes do calibre de Borussia Dortmund, Manchester United, Bayern de Munique, Real Madrid, Paris Saint-Germain, Manchester City e Internazionale.

Marcou 55 gols, média de um a cada seis partidas, boa para um atacante que variou entre os lados do campo e a armação. Ganhou seis títulos ucranianos, cinco copas domésticas e, para sublinhar como a sua história foi diferente dos compatriotas, é o único brasileiro que conseguiu entrar entre os 20 jogadores que mais defenderam o Shakhtar.

Embora tenha tentado sair. Em setembro de 2019, chegou a reclamar nas redes sociais de que o Shakhtar havia “outra vez cancelado o seu sonho” ao não fechar negócio por uma transferência para o Milan. No fim de março deste ano, foi afastado do grupo principal após o que segundo ele foi uma “discussão normal” com o treinador Luis Castro.

De qualquer maneira, na hora da despedida, qualquer ressentimento ficou para trás e deu lugar à gratidão. Taison também pediu “compreensão” pelos erros que cometeu nos últimos meses. “É muito difícil falar. Quero agradecer a todos pelo amor que mostraram a mim e a minha família durante todo esse tempo”, afirmou, ao site do clube.

“Estou saindo, mas nunca esquecerei minha gratidão pelo clube. Sentirei falta de vocês. Eu dei meu melhor pelo clube e espero que tenha feito as pessoas felizes. Continuarei torcendo pelo Shakhtar. Muito obrigado por tudo que vocês fizeram pela minha vida”.

Antes do afastamento, Taison vinha jogando regularmente, embora essa não seja sua melhor temporada em números. Fez apenas dois gols – em um mesmo jogo, contra o Mariupol, em outubro – e deu uma assistência. Mas não parece ter nenhum problema físico sério e em 2019/20 ainda foi muito produtivo, com dez gols e dez assistências.

Além do apelo emocional, a contratação de Taison também atende a uma demanda da mudança de estilo à qual o Internacional se propôs com a contratação de Ramírez. O elenco do ano passado, que conseguiu brigar pelo título brasileiro até a última rodada, tinha muitas opções de meio-campo, mas poucas de jogadores para os lados, onde o natural de Pelotas já mostrou que sabe atuar muito bem e deve ser uma posição importante para o esquema do novo treinador.

Taison estreou em 2008, contra a Portuguesa. Era um momento de transição ao Internacional, que perdeu aquela partida no Canindé. Abel Braga foi trocado por Tite, e o capitão Fernandão também se despediu. O então jovem ponta insinuante ganharia mais oportunidades com o novo comandante. Participou bem do título da Copa Sul-Americana, conquistado naquele ano, especialmente na goleada por 4 a 0 sobre o Chivas nas semifinais.

O ano seguinte foi de afirmação. Virou titular de Tite e brilhou em campos nacionais. Deixou a sua marca na segunda rodada da Copa do Brasil e também das oitavas de final até a semifinal que classificou o Colorado para a decisão contra o Corinthians. No ano seguinte, o seu canto do Cisne no Beira-Rio seria a conquista da Copa Libertadores, na qual também teve participação importante, especialmente nos mata-matas.

Uma semana depois do título, conquistado contra aquele mesmo Chivas, Taison fez o último dos seus 137 jogos com a camisa do Internacional, contra o Avaí. Mas o último apenas por enquanto.

.

.

Mostrar mais

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo