Tabelinha para a eternidade: 40 anos do gol mais bonito e mais importante de Falcão pelo Inter

A história dos maiores esquadrões se forja em grandes jogos. E é impossível relembrar a trajetória do Internacional bicampeão brasileiro nos anos 1970 sem mencionar o triunfo sobre o Atlético Mineiro, na semifinal de 1976. Um jogo cardíaco, cujo desfecho aconteceu em um lance genial: aos 45 do segundo tempo, Paulo Roberto Falcão anotou o gol mais bonito e mais importante de sua passagem pelos colorados. Eliminou o fortíssimo time do Atlético Mineiro de virada, provocando o silêncio de admiração no Beira-Rio lotado. Vitória por 2 a 1 que completou 40 anos na última segunda-feira.
O regulamento daquele Brasileirão previa apenas um jogo para as semifinais. Assim, dono da melhor campanha em sua chave na fase anterior, o Inter atuaria em Porto Alegre. Ainda assim, a parada era duríssima. O Galo do técnico Barbatana contava com alguns jovens bastante talentosos, a exemplo de Toninho Cerezo, Marcelo e Paulo Isidoro. Além disso, também dispunha de outros nomes rodados, como Ortíz, Vantuir e Cafuringa. Parada duríssima para os comandados de Rubens Minelli, por mais que qualidade não fosse problema em um grupo estrelado por Falcão, Figueroa, Manga, Marinho Peres, Dario, Lula, entre outros históricos.
Aquela partida foi repleta de momentos tensos ao Inter. Afinal, o Atlético passou boa parte do tempo em vantagem no placar. Vantuir, de cabeça, jogou um balde de gelo no Beira-Rio ao fazer o primeiro, aos 30 minutos da etapa inicial. O relógio pressionava e o empate colorado só saiu após o intervalo. Aos 28, Batista acertou um chutaço da entrada da área e deixou tudo igual, em placar que ainda forçava a prorrogação. E todos pareciam resignados ao tempo extra quando Falcão surgiu como salvador, nos instantes finais.
A jogadaça costuma ser narrada de cor por qualquer colorado. Tudo começou em um lançamento de Figueroa. O zagueiro chileno alçou a bola ao ataque e Dadá ajeitou para Escurinho. Então, a tabela para a eternidade: de Escurinho de Falcão, que devolveu de cabeça e recebeu de novo de Escurinho. O atacante, que saíra no banco de reservas, deixou o meio-campista na cara do gol. Projetando-se entre os zagueiros, o craque desviou com a ponta da chuteira. Contou com o vacilo do goleiro Ortiz, que vinha pegando tudo, para celebrar o gol marcante. A bola viajou pelos ares de todo o campo de ataque e, em cinco toques sem cair, morreu nas redes.
“Foi uma tabela, como a gente treinava. Quando o Escurinho me passou de cabeça, eu senti que daria certo. Devolvi e recebi na frente diante do goleiro Ortiz, tive de me esticar e alcancei a bola com o bico da chuteira. Neste momento, o silêncio foi total”, afirmou Falcão, em 2014, durante entrevista ao Zero Hora. Sua foto comemorando aquele tento se tornou célebre.
A partir de então, o Inter pavimentou o caminho ao bicampeonato nacional. O timaço de Rubens Minelli teve outra vez a vantagem de disputar o jogo decisivo em casa. Não houve invasão corintiana no Beira-Rio, e muito menos o Corinthians teve fôlego para suportar o poderio colorado. Dadá e Valdomiro anotaram os gols do título, com vitória por 2 a 0. Tão importantes quanto aquele de Falcão, uma semana antes, mas não tão emblemáticos.



