Sorria Bahia

Por uma semana, toda a Bahia está em festa. O estado, “capital” do eixo Norte-Nordeste, pôde sorrir com as duas vitórias convincentes do Vitória pela Série B, responsáveis por recolocar o clube no G-4 que aspira à elite do país. Nada disso, porém, que se compara ao que aconteceu na noite de domingo na Fonte Nova.
A tarefa do Bahia era absolutamente inglória. Após ser batido pelo ABC, em Natal, no meio de semana, o tricolor da Boa Terra dependia de um tropeço do Rio Branco contra os potiguares que, pouco dispostos a ajudar, mandaram 11 reservas a campo. Na Fonte Nova, precisava bater o já eliminado Fast.
E o gol salvador só saiu aos 50min do segundo tempo, com o iluminado Charles, coincidentemente xará do centroavante campeão brasileiro em 1988. A classificação só foi possível pelo zero a zero do Rio Branco no Acre, onde os donos da casa até pênalti perderam.
Para seguir vencendo, o Bahia tem alguns problemas a resolver, especialmente suprir a ausência de Danilo Rios. O armador, cedido ao Grêmio, era a principal referência do meio-campo tricolor. Seu substituto, o nacionalmente conhecido Preto Casagrande, ainda não engrenou, visto que era subutilizado no Vitória.
Há, porém, nomes bons no time do Bahia. O atacante Moré, por exemplo, já teve sondagens do Santos e costuma formar a linha de frente com o experiente Nonato. O arqueiro Márcio é responsável por colocar o veterano Sérgio, ex-Palmeiras, no banco de reservas. Carlos Alberto, Emerson Cris e Fausto fecham o restante da espinha dorsal tricolor.
Julgando pelos adversários agora na disputa, a situação pode se tornar favorável para o Bahia. Porém, o entusiasmo da vitória precisará substituir as enormes animosidades que orbitaram na Fonte Nova, sobretudo em relação a Arturzinho. Pois, se a camisa pesar, o tricolor estará entre os quatro que ascendem.
Vitória
Os rubro-negros também tiveram uma semana bem interessante, após acumularem recentes resultados ruins na Série B. A volta ao G-4 foi pavimentada pelos seis pontos somados diante da Ponte Preta, fora de casa, e do Barueri, no Barradão. Vadão, ainda que tenha suas limitações, mostra o quão foi infeliz a escolha anterior por Marco Aurélio.
Utilizando bem a mescla – que é possível fazer – entre veteranos e garotos formados no clube, o Vitória tem um time tão bom quanto o Coritiba, por exemplo. O meia Bida e o lateral Apodi, este negociado com o Cruzeiro, são provas claras de que a base rubro-negra segue fortíssima. Surgindo, Adriano também é tido como perspectiva no Barradão, e engrossa uma qualificada lista de bons atacantes: Joãozinho, Caíque, Sorato e até o veterano Edílson são opções bastante válidas.
Quem poderia ser o melhor do time, mas não parece capaz de voltar aos melhores dias, é Índio, que, em 2007, fez mais gols que qualquer outro atacante em atividade nas três primeiras divisões do Brasil: são 32 no total. Atacante de enorme faro de gol e boa capacidade técnica – do tipo que bate faltas e escanteios, o ídolo da torcida, a cada dia menos, faz parte dos planos principais do Vitória. A má fase do jogador não parece ter fim e se agrava pela concorrência pesada.
A verdade é que, com ou sem Índio, o Vitória tem cancha suficiente para voltar ao cenário principal do Brasil. Assim como, o tricolor baiano, pode dar mais passos adiante. Só mesmo o tempo, como sempre, poderá selar o destino do futebol baiano. Enquanto isso, sorrir é o melhor remédio.
Octogonal Final da Série C
Vila Nova-Go; Atlético-Go ; Barras-Pi; Nacional de Patos-Pb; ABC; Bahia; Crac-Go e Bragantino-Sp
Limitação ou sensacionalismo?
Lamentável a forma com que boa parte da imprensa, seja ela de qual segmento, buscou a polêmica entre Palmeiras e Grêmio. Seja ao longo da semana, antes, durante ou depois do jogo, repórteres tentaram a todo instante levantar a bola para alguém cortar. Em contrapartida, boa parte dos personagens envolvidos – jogadores e treinadores – fugiram de qualquer problema na maioria das vezes.
Para quem não sabe, Valdívia disse que o time gremista jogava duro e, por vezes, era violento. Mano Menezes, também durante a semana, retrucou, mas de maneira serena, dizendo que o Palmeiras estava preparando uma situação para tendenciar a arbitragem. Fora isso, nada de relevante aconteceu.
A verdade é que, muito pelo clima criado e forçado, foi excessiva a conduta de marcação do Grêmio na partida. Caracterizado como um time que joga duro, mas com lealdade, o de Mano Menezes se perdeu diante de um provocante Valdívia. Gavillán, que agrediu o palmeirense, tem de receber uma punição severa.
Pois foi essa a abordagem de boa parte das entrevistas: “Fulano, o que você achou de tal de declaração?”. “Ciclano, o time do Grêmio é violento?”. Não tocar no assunto, de fato, seria dar as costas à básica premissa do jornalismo. Instigar a polêmica a todo instante, aí sim, soa como sensacionalismo. Ou, até, como limitação.
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Sobre Palmeiras e Grêmio, um dos possíveis assuntos a serem explorados, sem dúvida alguma, eram os trepidantes e inesquecíveis duelos dos anos 90. Confira um especial no blog:
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