Brasil

Sobre jogadores com dupla nacionalidade no Brasil Sub-20, Jardine observa e aponta: “Eles têm que querer estar na Seleção”

*Por Mozart Maragno, do Olheiros

Na última quarta-feira, André Jardine deu uma entrevista coletiva para discutir a convocação da seleção brasileira sub-20, que aproveita a Data Fifa para um período de treinos. O técnico falou sobre a lista de convocados, bem como sobre os próximos passos projetando o Mundial Sub-20 de 2021. O Olheiros, representando também o Portal da Base Brasil, esteve presente (de maneira virtual) e aproveitou para saber mais sobre a aprendizagem de Jardine nas competições sul-americanas, bem como sobre a visão quanto aos atletas com dupla nacionalidade.

A convocação de atletas com mais de uma possibilidade de seleção nacional é um assunto pertinente, mas ao mesmo espinhoso na base brasileira. O caso de Thiago Alcântara é emblemático, ainda mais pelo grande nível que o meio-campista apresentou na final da Champions League – o que voltou a alimentar a discussão sobre sua não-convocação à base da Seleção quando estourava no Barcelona. Em 2008, o antigo site Olheiros publicou um texto questionando os motivos que levavam a CBF a não brigar pelo atleta. Na época, seu pai, o tetracampeão Mazinho, manifestava a preferência para que Thiago defendesse o Brasil.

Sobre o tema, Jardine declarou, ainda falando sobre outras promessas em atividade na Europa: “O atleta tem que querer estar na seleção brasileira, esse é o ponto mais importante”. O treinador também afirmou que ele e a CBF estão atentos aos talentos nesta condição. Atualmente, alguns nomes com dupla nacionalidade despontam e podem pintar nas seleções de base em breve.

Na pergunta feita pelo Olheiros, foi citado Oliver Batista Meier, ponta que pertence ao Bayern de Munique e acabou emprestado ao Heerenveen nesta janela de transferências. Nascido em Kaiserslautern, mas filho de mãe brasileira, ele chegou aos bávaros em 2016/17 e se destacou em diferentes níveis da base. Na última temporada, o jovem de 19 anos se valorizou no Bayern II, que conquistou a terceira divisão sob as ordens de Sebastian Hoeness. Batista Meier disputou 18 partidas na campanha, com quatro gols e uma assistência, além de ter feito sua estreia na equipe principal durante a reta final da Bundesliga. Neste início de Eredivisie, também se destaca no Heerenveen, com um gol e duas assistências nas quatro primeiras rodadas da liga. O teuto-brasileiro já teve passagens pelas seleções de base tanto do Brasil quanto da Alemanha.

Outro que poderia ser citado, também com idade sub-20, é o volante Johnny. O jogador do Internacional nasceu em Denville, cidade americana no estado de Nova Jersey. Filho de imigrantes brasileiros, o garoto voltou com a família para Criciúma logo aos três meses de idade. Ainda assim, permanece dividido entre a possibilidade de defender as seleções de base do Brasil e dos Estados Unidos – sondado pelo US Team. Depois de começar no futsal, teve passagens por Avaí e Criciúma, até se juntar ao Inter em 2014. Campeão na base colorada, se destaca pela capacidade de marcar gols, chegando a ser artilheiro mesmo na cabeça de área.

Jardine também indicou que a CBF tentará a convocação de alguns jogadores brasileiros em atividade na Europa, ainda que as dúvidas sobre a liberação permaneçam: “Tem jogadores na Europa com idade para o Sul-Americano Sub-20, como o Gabriel Martinelli e Rodrygo, que já estão numa outra etapa da carreira. Mas Reinier e João Pedro gostaríamos de contar, embora não seja uma liberação fácil agora”.

Entre outros assuntos, Jardine falou ao Olheiros sobre a aprendizagem adquirida nas competições sul-americanas que participou, visando o próximo objetivo da Seleção, no Sul-Americano Sub-20 de 2021. Existe certa pressão sobre o Brasil, já que a equipe ficou de fora nas duas últimas edições do Mundial. Jardine comandou o São Paulo campeão da Libertadores Sub-20 em 2016 e foi quarto colocado em 2018. Pouco antes da pandemia, ainda classificou a Seleção Sub-23 para os Jogos de Tóquio através do Pré-Olímpico.

Em todas as oportunidades, as disputas foram muito duras. Jardine analisou: “Essas experiências foram fundamentais para dar lastro. Para enfrentar aspectos como arbitragem diferente, disputas físicas intensas e adversários provocativos, mais cancheiros, mais malandros”. O treinador, além do mais, confia na geração para buscar a classificação ao Mundial Sub-20 de 2021: “Tivemos vários jogadores de qualidade nos dois ciclos sub-20 anteriores (2017 e 2019) e não nos classificamos. O problema não foi individual. E a geração atual, com campeões mundiais sub-17, não é diferente. Agora é fazer funcionar coletivamente e buscar os resultados”.

O Sul-Americano Sub-20 será disputado em fevereiro, na Colômbia. Os quatro primeiros colocados garantem vaga na Copa do Mundo da categoria. O Brasil é 11 vezes campeão sul-americano entre os juniores e cinco vezes campeão mundial, mas se ausentou de três das últimas quatro edições do torneio da Fifa.

O Olheiros seguirá acompanhando os passos da seleção sub-20, como das demais seleções de base e jovens. Acompanhem a cobertura no nosso Twitter, no nosso Instagram e no nosso canal no YouTube.

* Formado em Educação Física e membro do Olheiros desde a sua fundação, em 2007, Mozart Maragno acompanha futebol de base com mesmo fervor das equipes principais. Afinal, o mundo do futebol sempre se renova.

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