Só Joel salva

O título da coluna se justifica. Não foi esta atual a primeira vez em que o Flamengo, no aperto, recorreu a Joel Santana como solução aos seus problemas. Em 2007, como já havia sido há dois anos atrás, o treinador cala os críticos. À sua maneira, montou um time trabalhador, motivado e que, com o que vem fazendo nas últimas semanas, poderá se colocar entre os quatro primeiros ao fim da 38ªrodada. São três pontos atrás do G-4 e dois confrontos diretos, contra Cruzeiro e Santos. Ou seja, um cenário, sim, possível.
Os resultados, por mais incríveis que possam parecer, têm sido exuberantes. O retrospecto recente aponta para três vitórias seguidas. Outro, um pouco mais amplo, também dá um panorama ainda mais interessante: em 15 jogos, são 8 vitórias (inclusive sobre São Paulo, Cruzeiro, Grêmio e Vasco), 4 empates e 3 derrotas. São 28 pontos em 45 possíveis, contando desde a saída da zona do rebaixamento em 23 de agosto.
Feita por Joel, a reconstrução do Flamengo passa primordialmente pelo plano psicológico. Embora conte com um sistema tático que tem funcionado, boas fases de alguns jogadores e a chegada de reforços pontuais desde a saída de Ney Franco, é inegável que se passaram mudanças totais de astral e motivação, o que fatalmente pauta arrancadas fulminantes como a atual.
O símbolo disso, claro, está nas arquibancadas. Com cantos bonitos e uma participação maciça, a torcida do Flamengo comanda um movimento de ótimos públicos nas últimas semanas do campeonato. Se havia colocado 61 mil pessoas contra o Fluminense e outras 59 mil contra o São Paulo, foram outras 63 mil contra o Grêmio, quebrando pela terceira vez o recorde do Brasileirão 2007.
Entender a necessidade de cada jogo, de cada ponto, tem sido outro mérito do Flamengo. É a instabilidade, nos últimos anos, que fazia o clube sofrer, perdendo pontos em partidas aparentemente de importância menor. Em um torneio de pontos corridos, todavia, todos os jogos têm o mesmo peso. Só assim é possível se manter firme na tabela de classificação.
No plano tático, o Flamengo apresenta poucas novidades e/ou variações. Normalmente, usa um volante fazendo o papel de zagueiro pela direita. O posto era de Rômulo, jovem promovido por Joel, mas que, lesionado, passará o bastão para Jaílton ou Cristian.
A prioridade, na concepção flamenguista, é liberar para o jogo Juan e Léo Moura, seus dois maiores talentos. A dupla, justifica a ousadia: Juan tem cinco gols e oito assistências precisas. Léo Moura também tem cinco gols e deu outros cinco passes.
Com um meio-campo equilibrado, o Flamengo também pode respirar com a posse de bola e exigir algum talento que não parta dos pés de seus laterais. Se Toró e Jaílton esbanjam vitalidade, o mesmo não falta a Cristian, que pode e tem oferecido mais qualidade ainda. O dono do meio-campo, contudo, é Ibson. Perfeito em todos os fundamentos, o ex-portista é a referência técnica, tática e da confiança do time. Fez, ainda, cinco gols.
Imaginar um espaço para Kléberson, em 2008, é prudente e possível. O pentacampeão mundial prima justamente por ser um multi-funcional em campo, característica dos componentes do setor na atualidade.
À frente, Maxi parece consolidado como um valor importante, à medida em que Souza, jogo a jogo, melhora e se torna útil. Fez, contra o Vasco, um jogo interessante. Contra o Grêmio, além disso, fez gol.
Na defesa, passado o início ruim de Campeonato Brasileiro, o goleiro Bruno consegue oferecer a mesma segurança de seus primeiros meses de Gávea. A presença de Fábio Luciano, mesmo sem a velocidade de desarme dos tempos de Corinthians, Ponte Preta e Internacional, elevou o nível da zaga, fazendo Ronaldo Angelim, reconhecidamente um bom defensor, se consolidar.
A boa fase do Flamengo, como a de qualquer equipe, merece um porém. A regularidade e a ambição, descritas algumas linhas acima, devem seguir “embaixo dos travesseiros” dos atletas. Não se trata de um timaço repleto de craques, mas um time virtuoso, de camisa pesadíssima e torcida apaixonada. Com suas limitações. Mas, encantando.
Ney Franco
O trabalho de Joel Santana, não necessariamente, significa que Ney Franco tenha sido um mau treinador na Gávea. Tal qual o Flamengo, o Atlético Paranaense mostra uma capacidade de reorganização elogiável. E o treinador mineiro, com alguns ajustes como a entrada de Netinho e um sistema tático definido, tem méritos no Furacão. O rompimento, como este colunista havia dito em seu blog, tinha seus prós e contras. O tempo, sempre justo, deu razão aos dirigentes flamenguistas.
Corinthians x Goiás
Por mais que a matemática e algumas projeções possam apontar outras alternativas, parece definido e claro que Corinthians e Goiás, que brigaram por título em 2005, travarão uma batalha mano a mano pela permanência na Série A. Sport, Atlético Mineiro, Náutico e Vasco, embora próximos, parecem bem à frente da dupla.
Há seis rodadas, porém, são os corintianos que se mantêm como habitantes regulares da zona do rebaixamento. Embora mostre algum progresso com Nelsinho, segue sendo um time incapaz de criar chances de gol, como foi durante todo o torneio.
Mesmo em seus bons momentos de início de Campeonato Brasileiro, o Corinthians era um time sem poder de fogo. Tem – com Felipe, Fábio Ferreira, Zelão e Betão – uma defesa boa. Mas, para se salvar, precisará ganhar jogos. E não inventaram, ainda, outra maneira de ganhar sem fazer gols.
Já o Goiás, passado o período de Bonamigo, conta com a presença de Márcio Araújo, disposto a montar um time ofensivo e que faça muitos gols. O treinador, cuja história foi pavimentada no Parque Antártica, tem de onde tirar material humano para isso. Caso consiga dar regularidade aos atacantes que têm – especialmente Rinaldo, Cristiano e Felipe, haverá ainda o respaldo de Paulo Baier. Vale lembrar que Márcio, no Guaratinguetá, fez bom papel no Campeonato Paulista.
O que resta ao Corinthians:
Figueirense (casa), Flamengo (fora), Atlético Paranaense (casa), Goiás (fora), Vasco (casa) e Grêmio (fora)
O que resta ao Goiás:
Santos (fora), Vasco (casa), Paraná (fora), Corinthians (casa), Atlético Mineiro (fora), Internacional (casa)
O expresso de Zetti
Zetti é, sistematicamente, criticado pelas decisões que toma ao longo da carreira. Em 2004, largou o Paulista de Jundiaí em bom momento para descer a ladeira com o Guarani. Há pouco, vivia momento regular no Paraná Clube, mas recebeu uma proposta salarial bem superior do Atlético Mineiro, time de proporção nacional, uma oportunidade que o ex-goleiro do São Paulo jamais havia tido.
Pois, em baixa, Zetti voltou ao clube onde, talvez, tenha sido mais feliz como treinador. Foi em 2004, quando o Tricolor de Aço voltou para a primeira divisão. No Fortaleza, comanda uma empreitada regular rumo aos cinco primeiros colocados e que, ao que parece, beliscarão somente entre eles as quatro vagas do acesso. Em dez jogos, foram dois empates, duas derrotas e seis vitórias. Dentre estas, 4 a 1 sobre o absoluto líder Coritiba, então vindo de doze pontos consecutivos.
Com um bom elenco em mãos, Zetti tem tido performances elogiáveis de alguns de seus jogadores. César (ex-Portuguesa, Corinthians, Palmeiras e Atlético Paranaense) forma uma boa dupla de zaga com Preto. À frente, o camisa cinco Rogério desperta o interesse de clubes grandes e compõe um meio-campo onde o interminável Paulo Isidoro, após passagem pelo América de Natal, vem tendo atuações seguras.
Rogerinho é a bola da vez. Rápido e insinuante, chega a lembrar Carlinhos Bala. E vem tendo, ao lado, o ex-santista William, de bom desempenho. Mesmo sem grandes brilhos, o centroavante reserva de Alberto em 2002 mostra alguns momentos bons e oferece razoável colaboração para a boa fase do Fortaleza. Um aspirante, real, ao G-4 da Série B.
Série C
Passadas duas rodadas jogadas desde o último fim de semana, a classificação da Série C tem: Atlético-Go e Bragantino com sete pontos, Bahia com seis e ABC com com quatro. Vila Nova e Crac têm três, enquanto o Barras do Piauí tem dois e o Nacional de Patos segura a lanterna com um ponto. Ainda há onze rodadas a serem realizadas.
– Blog
No Papo de Craque, blog deste colunista, há ainda os tradicionais pitacos e a seleção da rodada.
http://dassler.blogspot.com



