Por que clube do interior paulista que está próximo de título estuda mudança de cidade?
Gestor do Sertãozinho admite que foi procurado por representantes de outros municípios e escutará ofertas
Envolvido na final da Série A3 do Campeonato Paulista, o Sertãozinho pode mudar de cidade. O clube, que venceu o jogo de ida por 3 a 1, decidirá o título da divisão contra o Monte Azul neste sábado (12).
O momento de alta atrai olhares de empresários e até mesmo outras prefeituras para o clube que já disputou a elite do futebol de São Paulo, mas desde 2011 figura apenas entre a segunda e terceira divisão.
Quem revelou isso com exclusividade à Trivela foi Régis Villas Bôas Villela. O empresário é o responsável pela gestão do Touro dos Canaviais desde 2021.
Ele não descartou transferir o Sertãozinho para outro município, mas evitou trazer mais detalhes sobre o assunto, pois as abordagens recebidas atualmente ainda estão em estágios iniciais. Segundo o gestor, também houve contatos de empresários interessados em participar da administração do clube.
– Dois empresários, investidores, se interessaram. E duas prefeituras me sondaram. O assessor do prefeito de uma cidade e um vereador do grupo político do prefeito em outra. Ainda não sei o que há de concreto, mas não descarto conversar – disse Régis.
Em 2022, pessoas ligadas à política de Embu das Artes demonstraram interesse em levar a equipe do Sertãozinho para a cidade, localizada na Microregião de Itapecirica da Serra. Houve uma reunião com o prefeito do município, mas Régis descartou o negócio, acreditando que a cidade de Sertãozinho ofereceria maior apoio à equipe.
Para o empresário, o Sertãozinho Futebol Clube se tornou um produto atrativo não só por conta da campanha de destaque na Série A3 do Paulistão, também pela organização administrativa e melhoria na estrutura adquirida nas últimas temporadas.

O time não é exatamente uma SAF, mas Régis possui autonomia para transformá-lo. Atualmente, ele tem a função de gerir o clube
– Hoje, se vier algum parceiro para contribuir comigo na gestão, não sei em que modelo de negócio, pega um time na Série A2. Com algum investimento pode brigar para subir para a Série A1 e mudar completamente de patamar o negócio. Pega um clube com estrutura. Quando eu cheguei, não tinha nada. A gente não tinha nem bola para treinar. Não tinha estrutura, não tinha jogador, diretor de futebol, gerente, preparador físico, funcionário da área técnica e outras áreas, como massagista, roupeiro. Cheguei em terra arrasada. Hoje, o parceiro entra num clube com estrutura, equipe enxuta, já treinada, com histórico. Os profissionais do futebol reconhecem o Sertãozinho como um excelente clube para trabalhar, que o mês possui 30 dias – disse Régis.
Mesmo com os interesses, o empresário deixa claro que o Sertãozinho não está no mercado para ser vendido, mas não descarta conversar com potenciais parceiros.
– O Sertãozinho não está buscando ninguém no mercado para ser comprado, o Sertãozinho está sendo procurado. Cada um apresenta o modelo de negócio que melhor entende. O que eu falo é que sou obrigado a escutar todas as propostas.
Régis vê a cidade de Sertãozinho desinteressada no futebol do Clube
Quando assumiu a gestão do Sertãozinho, em 2021, a perspectiva de Régis era de ter a cidade ao lado para ajudar na gestão do clube. O que não aconteceu.
Mesmo com a campanha de destaque na Série A3 do Paulistão, a adesão de torcedores no estádio é baixa. De empresários, praticamente nenhuma, conforme relata o gestor. Como exemplo disso, o registro de somente 600 pagantes na semifinal da competição, contra o Marília, no dia 29 de março.
Mesmo em um jogo decisivo, o Sertãozinho teve prejuízo de R$ 837,38 registrado em borderô disponível no site da Federação Paulista de Futebol (FPF).
– Quem vai ao estádio hoje essencialmente é idoso e criança, porque não pagam e enxergam como uma alternativa gratuita de diversão – comentou Régis Villas Boas.
De acordo com informações levantadas pela reportagem, o custo médio do ticket nos jogos do Touro do Canavial é de R$ 10,00.
Outro fator relacionado à equipe do Sertãozinho e que possui baixa adesão entre os munícipes é o programa de sócios-torcedores. A cidade possui cerca de 130 mil habitantes, mas apenas 17 pessoas são associadas ao clube.
O plano básico anual custa R$ 190,80, valor que pode ser dividido em 12 parcelas e dá direito a gratuidade nos ingressos para todos os jogos do Sertãozinho como mandante.
– A impressão que tenho é que a cidade de Sertãozinho perdeu o interesse pelo futebol. Nesse sentido, não querendo o futebol, eu sou obrigado a ouvir prefeitos que empresários de cidades que queiram futebol. Por alguma razão, que desconheço e não estou culpando ninguém, a resposta da cidade para mim é clara, ela perdeu interesse pelo futebol – disse o atual responsável pela gestão da equipe.
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Prefeito atual já foi presidente do clube, mas se mantém afastado do time
Desde janeiro, a cidade de Sertãozinho é administrada pelo prefeito Zezinho Gimenez, que presidiu o clube entre 1996 e 1998. Antes, o município era liderado por Wilson Pires, o Dr. Wilsinho, candidato derrotado na eleição de 2024. Régis, porém, afirma que não teve o apoio institucional pretendido do poder público nas duas administrações.
– Nenhum dos dois apoiou. E são adversários. O atual, por exemplo, foi presidente do clube. Você vai jogar em outras cidades, por exemplo, os patrocinadores são todos prestadores de serviço da prefeitura e empresários locais. Se deixar claro que política dela é divulgar o nome da cidade através do clube, os prestadores de serviço da cidade já entendem o recado. A prefeitura poderia contribuir com a influência e liderança do prefeito – destacou o responsável pelo Sertãozinho Futebol Clube.
Régis Villas Bôas Villela acredita que um sinal positivo da prefeitura para o projeto do clube atrairia certamente os grandes empresários residentes na cidade. No entanto, não houve interesse da classe empresarial local em contribuir com a equipe.

– A participação dos empresários é extremamente tímida. Se eu for generalizar, eles se limitam em comprar ingresso e assistir o jogo. Eles não têm interesse e não tem mal nenhum nisso. Só acho uma visão míope porque eles são nascidos na cidade. Entendo que os empresários Sertanezinos deveriam ajudar, porque estaria tirando meus filhos, filhos de funcionários e funcionários do videogame, da ociosidade e levando para um ambiente saudável que é jogar e torcer pelo time de futebol. Estaria levando o nome da cidade para o Estado de São Paulo inteiro. Hoje, o nome Sertãozinho voltou a figurar nas manchetes de forma positiva em todos os jornais de São Paulo. O nome do Sertãozinho voltou por conta do sucesso do clube. Visão míope porque devolveria o orgulho e a valorização da cidade – desabafou Régis.
O Sertãozinho está a um jogo de ser o maior campeão paulista da Série A3 de forma isolada. O Touro dos Canaviais tem três títulos da competição (1971, 2004 e 2006). O clube já é o que mais possui títulos do torneio, mas ocupa a condição ao lado do Nacional Atlético Clube.



