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Sem vaga na Libertadores, Santos paga o preço de ter perdido uma aposta arriscada

Quando o Santos acordou, na manhã de quinta-feira seguinte ao segundo jogo das semifinais da Copa do Brasil, estava em quarto lugar no Campeonato Brasileiro, brigando por vaga na Libertadores. Ganhou do Palmeiras, no jogo seguinte, e de mais ninguém. Às vésperas da rodada final, não tem mais chance de disputar o torneio sul-americano do ano que vem, depois de ser derrotado pelo rival alviverde, nos pênaltis, na última quarta-feira, no Allianz Parque.

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O Santos tinha plenas condições de terminar a corrida, que naquela época envolvia São Paulo, Internacional, Sport, Palmeiras e Ponte Preta separados por três pontos, à frente dos seus competidores. Não apenas porque desempenhava um grande futebol, mágico nos pés de Lucas Lima, eficiente nos de Ricardo Oliveira, e bem planejado por Dorival Júnior. Também porque a tabela para os últimos seis jogos do Brasileirão previa três candidatos ao rebaixamento (Joinville, Coritiba e Vasco), fora de casa, e dois clubes sem pretensões (Flamengo e Atlético Paranaense) mais o Palmeiras na Vila Belmiro, onde o Peixe de Dorival estava imbatível.

Vencer todas as partidas dessa sequência não seria uma previsão absurda. Certamente, o Santos tinha condições de fazer mais do que os cinco pontos que somou nas cinco primeiras dela. Mas tirou o pé cedo demais, já no começo do mês, mesmo tendo liderado o movimento de bastidores que adiou a primeira partida da final da Copa do Brasil para o fim de novembro. Poupou jogadores e baixou a intensidade. A concentração foi total nos dois jogos contra o Palmeiras pela decisão.

O próprio adiamento atrapalhou o Santos, já que, na época inicialmente prevista para o jogo de ida, era um dos melhores times do país, provavelmente o segundo, junto com o Corinthians. Perdeu o embalo em nome de não esfriar a decisão, que teria um intervalo grande demais entre as partidas. Também queria mais tempo para se preparar, mas os resultados desse trabalho não foram muito bons.

O Santos foi de longe o melhor time no jogo de ida na final, mas venceu por apenas 1 a 0. Duas defesas brilhantes de Fernando Prass e o pênalti perdido por Gabriel contribuíram para isso, mas, mesmo na Vila Belmiro, onde tinha um retrospecto excepcional com Dorival, e contra um Palmeiras que era presa fácil, não criou um número de chances compatível com o domínio que teve durante os 90 minutos. No Allianz Parque, sucumbiu à pressão da torcida e do time de Marcelo Oliveira, que soube encurralá-lo.

Os clubes brasileiros têm mesmo a mania de priorizar excessivamente uma competição em detrimento da outra. Geralmente, fazem isso com a Libertadores, quando o Campeonato Brasileiro ainda está no começo, e há tempo suficiente para correr atrás. O Santos, porém, fez isso na reta final, no momento em que estava muito bem colocado para levar a vaga na Libertadores, apostando que seria campeão da Copa do Brasil.

O Santos termina o ano campeão paulista e no máximo quinto colocado do Campeonato Brasileiro, pouco para o que se esperava de um time que jogou tão bem durante tanto tempo. Dorival, de fato, não tem um elenco farto em mãos e se defende com o argumento de que era impossível manter o mesmo ritmo nas duas competições no último mês da temporada. As lesões de Thiago Maia e Gabriel na decisão corroboram a sua tese, mas foi arriscado deixar o Brasileiro tão de lado e tão cedo. E, no fim, a aposta foi perdida.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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