Brasil

A Seleção começou o novo ciclo sem nada muito além do que você já tinha visto

Para quem esperava grandes inovações na seleção brasileira (se é que alguém tinha mesmo essa expectativa, depois das decisões engessadas das últimas semanas), nada feito.No novo ciclo pós-Copa, o time não apresentou nada que o torcedor já não estivesse acostumado a ver antes do início da segunda passagem de Dunga: futebol pragmático, falta de criatividade no meio-campo, dependência de Neymar e das bolas paradas. Mas, para quem concorda com o jogo de resultado pregado, o placar em Miami foi o suficiente. Com uma atuação pouco empolgante, o Brasil venceu a Colômbia por 1 a 0, graças ao golaço de Neymar.

A escalação da Seleção prometia ser um pouco menos conservadora do que nos tempos de Felipão, mas nada tão revolucionária. Diego Tardelli é um atacante de maior mobilidade do que Fred, que deveria abrir um pouco mais de espaço para a trinca de meias formada por Willian, Neymar e Oscar. A solidez no meio-campo era garantida por Luiz Gustavo e Ramires, enquanto a zaga tinha David Luiz e Miranda no miolo, além de Maicon e Filipe Luís nas laterais. No gol, Jefferson. Era um 11 inicial que apostava no entrosamento ganho nos últimos anos, mas com novos detalhes na formação tática.

Não funcionou muito bem. Em um primeiro tempo de muitas faltas, que parecia continuação do tenso jogo da Copa, o Brasil estava limitado a querer explorar os contra-ataques, sem trabalhar o passe quando tinha a bola. Willian aparecia mais recuado, fazendo a ponte entre volantes e meias, mas faltavam tramas mais consistentes. Mesmo assim, a Seleção se aproximava do gol. Pecou mais na pontaria. Neymar, acompanhado de perto pelos colombianos, sofria muitas faltas e abusava das jogadas individuais. Além disso, a movimentação de Tardelli era pouco aproveitada. Ao menos na defesa a situação estava controlada, com James Rodríguez, centro gravitacional dos Cafeteros, muito bem marcado.

Para o segundo tempo, Dunga trocou os volantes e mandou a campo Elias e Fernandinho. Era um jogo teste, a seleção brasileira não rendia como se esperava e o técnico demorou demais para fazer as alterações que pudessem dar uma nova cara ao time. Em um lance discutível, o árbitro expulsou Juan Guillermo Cuadrado e deixou o Brasil em vantagem numérica. Serviu para que a equipe tivesse ainda mais a bola, mas penasse para encontrar espaços na defesa colombiana, sem pensar o jogo.

Somente aos 25 é que algumas novas caras começaram a pintar, como Éverton Ribeiro e Philippe Coutinho. Logo na primeira bola, o meia do Liverpool quase descolou uma assistência para David Luiz em cobrança de falta. Mas a Seleção era isso: apostava na bola parada, chutava no abafa e raras vezes achava espaços a partir da criatividade. Depois, ainda viria Robinho. Em um jogo sonolento, o gol só saiu aos 37 minutos do segundo tempo, graças à genialidade de Neymar. A partir de uma falta mal marcada na entrada da área, o camisa 10 cobrou com maestria e acertou a forquilha para vencer David Ospina. E ficou nisso.

Está claro desde sempre que o Brasil de Dunga será um time mais do resultado do que do espetáculo. Este primeiro jogo, no entanto, foi um enorme banho de realidade. A mudança no estilo de jogo, com mais técnica e menos pragmatismo, que era o principal pedido depois do vexame da Copa, não deverá ser atendida. Ao menos Neymar é um alento de que, a partir de seu jogo, a Seleção possa jogar bonito de alguma forma.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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