Brasil

Segunda temporada

Em um ambiente de pressão excessiva, a permanência de Adílson Batista na Toca da Raposa seria colocada em dúvida. Afinal, o Cruzeiro só ficou entre os 16 da Copa Libertadores e, na hora que a onça bebeu água, faltou fôlego, experiência e competência para brigar pelo título do Brasileiro.

A avaliação cruzeirense para ficar com Adílson era por uma evolução em relação ao ano de 2007, bem como uma projeção na mesma linha para 2009. O que, de fato, vai mostrando ter acontecido. Hoje, o Cruzeiro parece pronto para brigar forte pelos dois principais títulos da temporada.

No mercado, trabalhou para aumentar a média de idade do elenco, e concentrou os esforços no miolo de zaga e no ataque, setores onde os problemas apareceram. No primeiro, Anderson e Gustavo vieram para auxiliar a jovens ainda inconstantes como Thiago Heleno e Léo Fortunato. O ataque agora tem o peso de Kléber, que se firmou como um jogador de ponta para o cenário nacional, e Wellington Paulista, que chegou com sede de gols, além de mais um ou outro nome de suporte.

É importante abrir parênteses e aguardar o prazo de validade da equipe para a temporada. A venda de Guilherme foi encarada como um grande negócio, sobretudo por Kléber ter vindo na negociação. Mas as cifras envolvendo o jovem atacante claramente não garantem a permanência de Wagner, Fábio, Ramires e outros jogadores importantes até o fim do ano. E isso se torna preocupação quando o clube em questão é o Cruzeiro.

Ramires, aliás, que se tornou definitivamente o principal jogador do time, explica sua mudança de posicionamento à coluna. “Hoje sou muito mais meia e, em razão do pé esquerdo do Wagner, o Adílson me empurrou para a direita. Contra adversários que jogam com dois meias e dois volantes, eu me adianto e vou jogar em cima dos volantes”, diz. Essa variação do meio-campo, entre 4-3-1-2 e 4-2-2-2, por exemplo, é um sintoma da evolução tática de um trabalho.

Mais conhecedor de seus atletas, e vacinado contra o rótulo de Professor Pardal, Adílson pode variar a escalação e o posicionamento dos jogadores, de acordo com o adversário. Jonathan pode aparecer nas duas laterais, Marquinhos Paraná também, além de fazer as funções defensivas no meio-campo. Gérson Magrão pode atuar no losango, na meia, ou na ala. Fernandinho na lateral, pelo lado esquerdo, ou até como meia-atacante. E por aí vai…

O ambiente na Toca da Raposa também parece mais saudável. Os criticados Espinoza e Jadílson – este que tantas dores de cabeça deu no ano passado, foram rifado na hora de remontar o elenco. E deve chegar um ídolo aglutinador. Sorín está sendo preparado para entrar em campo dentro da Libertadores e sua importância jamais pode ser relativizada. Sobretudo quando o Cruzeiro e a competição continental são os assuntos em questão. Sua recuperação física ainda não é certa, mas, bem preparado, ele tem tudo para brilhar.

Fosse um Botafogo, Corinthians ou Flamengo da vida, em que há vários caciques, poucos índios, e muito pouco profissionalismo – historicamente falando -, Adílson não teria ficado no cargo. Outros jogadores teriam chegado. Tudo precisaria ser novo. O Cruzeiro trabalhou com inteligência e tem bons frutos a colher.

Venda de Alex, um negócio mal conduzido

O post de Caio Maia no blog da Trivela, na última semana, fala bem sobre a venda de Alex. Tendo já ultrapassado a casa dos 25 anos, dificilmente o meia arrumará uma transferência rápida, a partir do Spartak Moscou, para um clube de uma liga européia com maior visibilidade. Em outras palavras, não há tempo suficiente para subir muitos degraus.

O fato é que a venda de Alex foi muito mal conduzida no Beira-Rio – pelo próprio jogador e pelo clube. Ídolo no Beira-Rio, onde vinha se mostrando mais importante que qualquer outro companheiro de equipe, além de selecionável de Dunga nas Eliminatórias, ele não precisa forçar uma negociação com tanta pressa. Era bem possível fazer um grande primeiro semestre, brigar pela Copa do Brasil e conseguir uma grande transferência no meio do ano, quando a crise econômica já deve ter tido seus efeitos diluídos e os clubes europeus, indiscutivelmente, contrataram três ou quatro vezes mais que em janeiro.

No caso do Inter, a condução foi ainda pior. Vender 70% dos direitos de Alex por “apenas” 7 milhões de euros é uma balela gigantesca. O clube provou se sentir pressionado pela postura do jogador, cuja titularidade, em razão da situação criada, já era ameaçada pelo jovem Taison, autor de oito gols no Campeonato Gaúcho – seis antes da venda, diga-se.

Faltou, principalmente, maior empenho em manter um jogador identificado com o Internacional, um dos remanescentes do título mundial. Alex disse que hoje em dia é difícil criar raízes, como fazem Marcos e Rogério Ceni. Mas ele e o Internacional não se esforçaram o bastante para manter viva a chama do amor à camisa.

Flamengo em chamas

A coluna já havia falado sobre o tema na última semana. Bastaria uma derrota para o ambiente de tensão na Gávea se transformar em crise de vez. A equipe que vencia com gols no fim, sem convencer, foi batia pelo modesto Resende, sem dó nem piedade, dentro do próprio Maracanã. Como é de praxe, o Flamengo não soube lidar com sua própria tragédia.

Cuca chegou a balançar no cargo, que acaba de assumir, e disse que a equipe precisa de mudanças e, também, muito trabalho. A comissão técnica encheu os jogadores de treinos físicos, causando descontentamentos nos atletas – Jônatas e Juan reclamaram publicamente das medidas adotadas. Aí entra a questão: como cobrar empenho de quem não é pago desde dezembro?

As próximas semanas da Gávea merecem um acompanhamento mais de perto. Cuca e a direção encaram como obrigação vencer a Taça Rio, mas esquecem que uma grande campanha na Copa do Brasil pode levar o clube para a Libertadores, jogadores estão descontentes e desmotivados e Márcio Braga está em recuperação de cirurgia. A temporada não podia começar pior.

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Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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