São Paulo mereceu a vitória, mas foi a inconsequência de Emerson que decidiu o clássico
O São Paulo entrou em campo decidido a não depender do resultado do outro jogo do grupo, Entre San Lorenzo e Danúbio, para se classificar. Intenso e com um plano em baixo do praço, disputou provavelmente os melhores 20 minutos da temporada. Criou pelo menos três chances de gol. Do outro lado, o bom Corinthians tentava frear o ímpeto do adversário e equilibrava a partida até o momento que definiu o clássico. Aos 19 minutos, Emerson Sheik foi Emerson Sheik e deixou os seus companheiros na mão.
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Não que ele sempre faça isso. Tem aquela pinta de malandro que parte da torcida adora e os adversários detestam. Quando coloca em prática durante o jogo, assume o risco. Longe da disputa de bola, trotando para recompor a defesa, deu um chutinho em Tolói para derrubá-lo. Não foi uma agressão, não foi uma atitude anti-desportiva, não merecia cartão vermelho. Mas foi a inconsequência de Emerson que permitiu a decisão rigorosa de Sandro Meira Ricci. Assumiu o risco a troco de nada. O que esperava? Revidar? Irritar Tolói a ponto que esse revidasse e fosse expulso ou amarelado? Será que realmente imaginava isso acontecendo ou quis apenas fazer uma traquinagem?
Independente das respostas para essas perguntas, que apenas Sheik consegue dar com precisão, o Corinthians com um homem a menos virou presa fácil para um São Paulo com a faca dos dentes. Porque bastou ao time de Milton Cruz continuar a seguir o plano à risca, com um jogo forte pelo lado esquerdo, que teve Michel Bastos, o melhor da equipe na Libertadores, e um Reinaldo inspirado. Por lá, saíram três jogadas interessantes antes mesmo da expulsão. As cabeçadas de Dória e Luis Fabiano passaram perto. Ganso poderia ter definido com a direita, mas preferiu a esquerda, como sempre, e perdeu espaço. Chutou na marcação.
Antes do gol que abriu o placar, aos 32 minutos, o São Paulo passou um bom tempo encurralando o Corinthians. Ao ponto de, na hora em que a bola foi lançada para dentro da área, Vágner Love ser o jogador mais avançado do visitante, na entrada da área. Não havia contra-ataque para o time pressionado, nem alternativa que não fosse dar um chutão para fora, respirar fundo e se preparar para mais alguns minutos correndo atrás dos adversários.
O gol do São Paulo era uma questão de tempo. Veio com um chute que desviou na zaga e sobrou para Luis Fabiano, sempre pressionado a decidir partidas importantes, chutar cruzado e matar Cássio. Oito minutos depois, Michel Bastos acertou um arremate preciso da entrada da área, que pingou antes do goleiro corintiano e o enganou.
Tite voltou com a troca óbvia: Mendoza no lugar de Love para ter velocidade no contra-ataque, uma frágil válvula de escape à pressão do São Paulo. Nem deu tempo de testar. Aos 9 minutos do segundo tempo, Sandro Meira Ricci aproveitou que o jogo estava praticamente decidido para aparecer. Na bandeirinha de escanteio, Luis Fabiano deu um pequeno empurrão em Mendoza, que virou o corpo irritado e deu um tapa no braço do atacante. O são-paulino caiu no chão com a mão no rosto como se tivesse sido atacado por uma bazuca. O árbitro deu amarelo para Fabiano, o segundo dele, por simulação, e vermelho para Mendoza por agressão ou tentativa de.
O São Paulo continuou dando seus cruzamentos e chutes de longa distância, mas já ciente que se classificaria, até porque San Lorenzo e Danúbio ainda empatavam na Argentina (os uruguaios acabaram vencendo por 1 a 0). O Corinthians, por sua vez, não viu motivos para forçar e se desgastar ainda mais. O jogo esperado com ansiedade pelas duas torcidas foi transformado em uma mera pelada na última meia hora.
Se é verdade que o Corinthians caiu de rendimento nas últimas semanas, por cansaço, por ser mais conhecido pelos adversários, ou por inconscientemente poupar as energias para as fases finais da Libertadores, também é que o São Paulo foi desde o início da partida o melhor time em campo. Mesmo sem a expulsão de Emerson e a bagunça protagonizada por Sandro Meira Ricci, poderia ter vencido um jogo que em condições normais seria muito mais equilibrado. Mas ficou claro que a partida era uma antes da primeira expulsão e foi outra depois. E quem tem que ser mais cobrado por isso é Emerson Sheik.



