Brasil

São Paulo e Inter: falta de ambição

O início da movimentação são-paulina por reforços no início do ano indicava algumas necessidades urgentes. A maior delas era encontrar um meia-atacante com capacidade de organizar o jogo tricolor e chegar à área adversária. Obcecado pela idéia de voltar a vencer a Libertadores, porém, a direção tricolor trouxe seus três maiores reforços com contratos curtos, de apenas seis meses: Adriano, Carlos Alberto e Fábio Santos.

A falta de qualidade no setor de meio-campo é apenas uma das constatações que o São Paulo faz, agora, na reta final do campeonato. Tem faltado fôlego e principalmente ambição para todos que estão no Morumbi. Buscar o inédito tricampeonato brasileiro consecutivo, hoje, não é uma idéia que seduza o elenco e a comissão técnica tricolor. Os resultados em campo, como o pálido empate contra o frágil Santos neste domingo, apenas atestam a tese.

Em 2008, mais que em qualquer outra ocasião, o São Paulo paga por querer demais o título da Libertadores. Na competição continental, desde o furor visto já em 2004, o tricolor é uma equipe diferente, mais vibrante e que se impõe graças a sua personalidade. Em outras competições, mesmo no Brasileiro, a própria torcida comparece em menor número e sem a mesma vibração que costuma empurrar o time quando o assunto é Libertadores.

Por sua vez, a direção parece dar de ombros para a possibilidade de tricampeonato brasileiro. Com algumas boas contratações, especialmente para a ala-direita e para a armação do meio-campo, Muricy Ramalho teria mais condições de buscar o líder Grêmio e recuperar a consistência que sua equipe tinha nos últimos dois anos. Abdicando de investir, o São Paulo perde a oportunidade de se impor em um campeonato ainda em aberto e em que os adversários, indiscutivelmente, sentem o peso da camisa tricolor em jogos importantes.

Vencê-los, aliás, tem sido um problema para a equipe de Muricy. Nos últimos anos, o São Paulo era diferente em jogos como os contra o Grêmio, Santos e Internacional, por exemplo. Seja por um investimento esporádico apenas para o primeiro semestre, seja por demonstrar uma entrega e uma eficiência menores que o normal, a verdade é que o tricampeonato é uma ilusão no Morumbi. Tão grande quanto dizer que a direção tricolor é a que melhor planeja no nosso futebol.

Qual é a tua, Inter?

Nos últimos dois anos no Beira Rio, a temporada parece começar em agosto. É nesse período que a direção entrega um elenco pronto para o treinador e começa a exigir resultados. É inegável que o elenco montado para o Internacional, ainda que com algumas ressalvas, é muito bom. Sobra qualidade para Tite, mas falta tempo para buscar rivais azeitados como Grêmio e Palmeiras, por exemplo, que já trabalham com a mesma base desde o início do ano.

Assim, com o desenrolar da tabela do Campeonato Brasileiro, fica cada vez mais distante a possibilidade de buscar a turma que briga pelas quatro vagas da Libertadores. Atualmente, o Internacional é só o 11º e tem nove pontos a menos que o Botafogo, hoje o 4º colocado. Mais que isso, precisou se reformular após a trágica eliminação na Copa do Brasil – maior objetivo colorado em 2008.

Ao longo dos últimos dias, aliás, Tite vem demonstrando claros sinais de revolta com a postura do Internacional com relação à janela de transferências. Copa Sul-Americana e Campeonato Brasileiro são aparentemente questões menores perto das vultuosas negociações que envolveram as possíveis saídas de Alex e Nilmar, além das badaladas chegadas de D’Alessandro, Daniel Carvalho e até Luiz Carlos, ex-Ceará.

Assim, não bastasse o fato de perder jogadores importantes como Fernandão e Renan, o Internacional se vê sem foco suficiente para competir com equipes determinadas como a do rival Grêmio, por exemplo. A questão física, é verdade, é outra que pesa. A comissão técnica tem sido cética em afirmar que a melhor preparação dos vários novos membros do elenco só virá no fim de setembro. Pelo andar da carruagem, até lá, o Inter já vai precisar se contentar em brigar por objetivos menores em 2009, ano de seu centenário.

Ainda que tenha razão em desferir críticas e possua seus méritos em uma razoável recuperação da equipe, Tite também deve ser cobrado pela postura pouco convincente de seu time. Com uma vocação claramente ofensiva, o Internacional só conseguiu fazer mais que um gol por jogo, com Tite, em cinco dos 18 jogos que fez na Série A.

Nilmar atua muito sozinho no ataque – desde o início do ano – e assim fica mais fácil de marcar o atacante mais perigoso do futebol brasileiro. Tivesse um atacante forte prendendo os zagueiros, o Inter seria mais agressivo e sobrariam espaços para todos no setor ofensivo. Em um futebol onde os talentos são raros, Tite limita a capacidade que seu time tem de se impor sobre os demais.

Série B: surpresas entre os quatro

Já no início da Série B, parecia possível prever quem se posicionaria ao lado do Corinthians para comandar as primeiras posições e brigar pelo acesso. Juventude, Paraná Clube e Ponte Preta vinham embalados por boas campanhas nos estaduais e podiam ser considerados candidatos. Hoje, contudo, estão longe dessa condição.

Vila Nova e Santo André são as maiores surpresas da competição, justamente no momento em que as diferenças na pontuação vão aumentando e as vagas se definem. No ano passado, por exemplo, foi a partir dessa fase que o Criciúma se distanciou das primeiras posições e o Marília já se via sem condições de alcançar os quatro clubes que acabaram, de fato, subindo: Coritiba, Ipatinga, Portuguesa e Vitória.

Coincidentemente, Santo André e Vila Nova tiveram rebaixamentos recentes e, chegar à primeira divisão, teria um sabor bastante especial para ambos.

O Santo André, que conseguiu voltar à elite paulista em 2008 após ter sido rebaixado em 2007, já havia, por pouco, escapado de disputar a Série C nacional, pois brigou contra a queda no ano passado. Na atual Série B, porém, está muito longe de brigar pela permanência. Hoje, a equipe comandada pelo velho conhecido Sérgio Soares é real candidata ao acesso.

Após um início de campeonato com muitas dificuldades, Sérgio faz bom trabalho após a saída de Fahel Júnior, treinador na A-2. Os veteranos como Marcelinho Carioca, Fernando e Márcio Mixirica têm feito ótimo papel, enquanto jovens como Pará – que acaba de ser negociado com o Santos – e Jéfferson, meia talentoso, também se destacam.

O Vila Nova tem, no banco de reservas, um treinador que conhece os caminhos das divisões inferiores do futebol brasileiro. O experiente Givanildo, responsável pela última boa temporada do Santa Cruz – justamente com o acesso, em 2005 –, comanda um elenco de boa rodagem e moldado com o famoso perfil que se diz exigir a Série B. Nomes como os zagueiros Valença (ex-Náutico) e Carlinhos (ex-Guarani), o goleiro Max (ex-Botafogo), o lateral Osmar (ex-Sport) e os meias Caíco (ex-Santos) e Alex Oliveira (ex-Vasco) são macacos velho nesse tipo de competição.

Nenhum deles, porém, vive momento comparável ao do interminável Túlio Maravilha. Aos 39 anos, o centroavante fanfarrão é um dos maiores nomes da atual Série B e está novamente em alta. O campeonato só está na 22ª rodada, mas ele já é o goleador com incríveis 19 gols. Ele que, ainda em 2008, já havia liderado a artilharia do Campeonato Goiano – vencido pelo Itumbiara – com 15 gols. Túlio pode levar o Vila de volta à elite nacional, onde os goianos não chegam desde 1982.

O terror da janela

Nesta segunda-feira, se fecha oficialmente a janela de transferência no mercado europeu. Confira quais foram os jogadores já negociados pelos clubes da Série A.

Atlético-MG: Almir (Ulsan Hyundai), Coelho (Bologna), Danilinho (Jaguares) e Renan (Celta de Vigo)
Atlético-PR: Kaio (futebol japonês)
Coritiba: Michael (futebol japonês)
Cruzeiro: Marcelo Moreno (Shakhtar), Marcinho (Kashima Antlers), Charles (Lokomotiv Moscou), Jonathas (AZ Alkmaar), Kerlon (sem clube) e Luís Alberto (Nacional)
Figueirense: Felipe Santana (Borussia Dortmund)
Flamengo: Souza (Panathinaikos), Renato Augusto (Bayer Leverkusen), Marcinho (Al Jazira), Rodrigo Arroz (Belenenses) e Vinícius Pacheco (Belenenses)
Fluminense: Gabriel (Panathinaikos), Cícero (Fluminense) e Thiago Neves (Hamburgo)
Grêmio: Roger (FC Catar) e Rodrigo Mendes (Al-Sharjah)
Internacional: Sidnei (Benfica), Fernandão (Al Gharaffa) e Renan (Valencia)
Náutico: Wellington (Hoffenhein)
Palmeiras: Henrique (Barcelona), Diego Cavalieri (Liverpool) e Valdívia (Al-Ain)
Portuguesa: Diogo (Olympiacos) e Christian (Pachuca)
Santos: Betão (Dínamo de Kiev), Marcinho Guerreiro (Lecce), Rodrigo Tabata (Gaziantespor), Vítor Júnior (Kashima Antlers) e Alemão (Udinese)
São Paulo: Reasco (LDU), Alex Silva (Hamburgo) e Aloísio (Al-Rayyan)
Sport: Daniel Paulista (Steaua Bucareste)
Vitória: Dinei (Celta de Vigo)

RESUMOS DO PRIMEIRO TURNO
Grêmio, Cruzeiro, Palmeiras, São Paulo e Vitória
http://dassler.blogspot.com/2008/08/anlise-do-primeiro-turno-grmio-cruzeiro.html
Coritiba, Flamengo, Botafogo, Sport e Internacional
http://dassler.blogspot.com/2008/08/anlise-do-primeiro-turno-coritiba.html
Figueirense, Atlético-MG, Goiás, Portuguesa e Náutico
http://dassler.blogspot.com/2008/08/anlise-do-primeiro-turno-figueirense.html
Atlético-PR, Vasco, Santos, Fluminense e Ipatinga
http://dassler.blogspot.com/2008/08/anlise-do-primeiro-turno-atltico-pr.html
 

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