Brasil

O que levou o São Paulo a contratar definitivamente Michel Araujo

Meia uruguaio assina contrato até o fim de 2027 em valores acessíveis

O São Paulo firmou a permanência definitiva do meia Michel Araújo nesta quarta-feira (12). Antes emprestado pelo Fluminense, agora o uruguaio tem contato com o Tricolor até o fim de 2027.

No clube desde março de 2023, o jogador se tornou uma peça importante saindo do banco de reservas.

Já são 69 jogos, com quatro gols, incluindo um essencial contra o Sport nas oitavas de final da Copa do Brasil do ano passado, garantindo que fosse aos pênaltis e o clube avançasse na campanha do título.

Ele também participou do título da Supercopa do Brasil, já em 2024, em cima do rival Palmeiras.

Mesmo sendo um reserva, o São Paulo teve bons motivos para adquirir em definitivo Michel Araújo, e nós da Trivela explicamos neste artigo.

Por que São Paulo contratou Michel Araújo em definitivo?

1. Meia garante polivalência no meio-campo

Pelas mãos de três técnicos diferentes, vimos que o meia pode exercer várias funções e é sempre um coringa quando entra em campo.

Além da função natural de um meia central, ele pode atuar como uma meia aberto à esquerda ou à direita. Não é tão veloz, mas mostra qualidade nos duelos mano a mano, carregando a bola sempre próxima do pé.

Mesmo não sendo rápido, Araujo mostrou que pode atuar até como ala esquerdo quando o time está escalado em uma linha de três zagueiros.

Ainda já foi testado, não com tanto sucesso, como segundo volante.

– Michel Araujo é muito do projeto que a gente acredita no São Paulo, com jogadores que venham com comprometimento e entendam a grandeza que é jogar numa instituição do tamanho do São Paulo. […] Ele é comprometido, todos gostam dele aqui e faz diversas funções em campo, joga em diferentes posições. – exaltou o diretor de futebol Carlos Belmonte.

Imagem
Michel Araújo fica pelo menos até 2027 (Foto: Rubens Chiri / saopaulofc)

2. Valor acessível e fim de dívida com Fluminense

O clube paulista não divulgou oficialmente, mas a imprensa especula, desde o início do vínculo de empréstimo, que os valores seriam próximos de R$ 10 milhões para uma compra em definitivo.

Para um time em crise financeira como o São Paulo, com dívida acima dos R$ 600 milhões, é um valor acessível em um atleta que é importante para o elenco e traz boas alternativas ao treinador.

Ainda há uma dívida antiga do Fluminense com o Tricolor paulista de R$ 2 milhões por conta da negociação com Hudson e deve ser abatida nesse compra — era esperado que fosse na contratação de Caio Paulista, mas o lateral foi para o rival Palmeiras em janeiro.

– Estamos em troca de minutas de pagamento, envolveu a dívida do Fluminense pelo Hudson. – explicou Belmonte em 6 de junho aos jornalistas Arnaldo Ribeiro e Eduardo Tironi.

3. Histórica ligação entre São Paulo e Uruguai

A ligação uruguaia e são-paulina data desde 1930, a fundação do clube, e se estende até hoje.

Começa com Emílio Armiñana, primeiro uruguaio a vestir a camisa vermelha, branca e o preta entre 1930 e 1931, e campeão paulista no segundo ano, quando marcou um gol e participou de 10 dos 20 jogos da campanha.

Após Armiñana, vieram mais alguns nomes, mas, a partir da década de 1970, o elo tricolor e celeste realmente se firmou.

Em 1970, chegaram Pablo Forlan e Pedro Rocha (este, o estrangeiro com mais gols pelo São Paulo, com 131), dupla multicampeã no Morumbi.

Já sem Forlan e no último ano de Rocha, chegou Darío Pereyra, com apenas 20 anos, que se tornaria o segundo estrangeiro com mais jogos pelo clube, com 453 (atrás apenas do argentino José Poy, 525 jogos) e bicampeão brasileiro (1977 e 1988) e tetra paulista (1980, 1981, 1985 e 1987).

Foram mais diversos nomes até Diego Lugano também firmar seu nome na história do Clube da Fé, um representante marcante da raça uruguaia, titular e essencial nos títulos da Libertadores e Mundial de Clubes de 2005.

Institucionalmente, o São Paulo também reforça esse vínculo e já lançou diferentes camisas comemorativas com o azul-celeste.

Óbvio, Michel Araújo não é comparável a nenhum nome citado, mas é outro que ganha um carinho natural da torcida apenas por ser uruguaio.

Em campo, vemos o meia mostrar aquela vontade e empenho que caracteriza os talentos vindos dos vizinhos.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.
Botão Voltar ao topo