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São Paulo conseguiu o improvável: dar uma festa à altura do que Ceni representou para o clube

Por todos os mais de 22 anos dedicados ao São Paulo, pelos 131 gols marcados, pelos títulos conquistados no clube e pela identificação que sempre teve com a torcida, era missão dificílima proporcionar a Rogério Ceni uma despedida à altura daquilo que o goleiro representou para o Tricolor. Mas tanto a organização do evento quanto as pessoas que lotaram o Morumbi na noite desta sexta-feira conseguiram dar ao “Mito”, como é chamado pelos tricolores, uma festa digna do tamanho dos feitos do ídolo.

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Para a festa, Ceni e São Paulo reuniram os campeões mundiais pelo clube, com figuras como Raí, Aloísio Chulapa, Amoroso e Zetti, fazendo um jogo festivo entre os vencedores em 2005 e aqueles que compunham a equipe em 1992 e 1993. O personagem especial da noite atuou pelo primeiro time, que venceu por 5 a 3, resultado natural levando em conta há quanto tempo os primeiros campeões mundiais se aposentaram, mas os gols e o futebol em campo foram mero detalhe na noite especial para Rogério.

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A recepção da torcida são-paulina na entrada do goleiro foi de arrepiar. Com as arquibancadas do Morumbi lotadas, as luzes apagadas e os celulares dos fãs às mãos, com suas telas ligadas para criar um efeito no entorno do gramado, os torcedores deram as boas-vindas a Ceni, que entrou em campo sob fortes gritos de “todos têm goleiro, só nós temos Rogério, goleiro matador”. As bandeiras em mastros e os sinalizadores, proibidos em jogos oficiais por questão de segurança, deixaram a festa ainda mais espetacular.

No intervalo, foi a hora de se explorar mais uma das facetas de Ceni: o amor pelo rock. A banda Ira! se apresentou para os torcedores, e o goleiro, como não podia deixar de ser, subiu ao palco ao lado de Nasi, carregando uma guitarra, mas foi mesmo com a voz que deu sua contribuição. Ceni não conseguiria ganhar a vida cantando, mas para o torcedor são-paulino, naquele momento, não devia haver cantor no mundo páreo para o ídolo.

Em campo, os torcedores ainda puderam ver algo que já passou pela cabeça de muitos deles: Ceni como jogador de linha. Bosco tomou sua posição no gol, e o goleiro-artilheiro deixou seu lugar de costume para se divertir como sempre fez em treinos. Por fim, ainda deixou o seu gol, em cobrança de pênalti, fechando a vitória dos campeões de 2005 em 5 a 3.

Os dez segundos finais do jogo comemorativo foram acompanhados de uma contagem regressiva dos torcedores, que bem desejavam que fosse eterna. Não foi. Ceni precisava se despedir. Encerrar seu ciclo. Após a festa, declarou que, quando morrer, quer que suas cinzas sejam espalhadas pelo gramado do Morumbi. Um pedido que na voz de qualquer outro jogador poderia parecer fabricado, mas que, saído da boca do “Mito”, soa apenas como consequência natural de sua relação com o clube.

O jogador vai, a idolatria permanece, e o legado continuará para sempre entre torcedores e instituição. Ceni protagonizou um tipo de relação rara com a agremiação, e, para seu adeus, a festa sem precedentes organizada pelo São Paulo foi o capítulo final perfeito de sua história como atleta.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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