Brasil

Chuva de gols e título dos ‘Menudos’: as histórias do São Paulo no Brinco de Ouro

Tricolor será mandante pela primeira vez na casa do Guarani e guarda boas lembranças do palco

Pela primeira vez na história, o São Paulo fará um jogo como mandante no Estádio Brinco de Ouro da Princesa, casa do Guarani, em Campinas.

A partida será contra o Vasco, no dia 16, pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro. O motivo para ser fora do Morumbis é a série de shows do cantor Bruno Mars e a necessidade de trocar o gramado do estádio do Tricolor.

Jogos no Brinco de Ouro costumam ser movimentados quando o São Paulo está em campo. Das 81 partidas que fez como visitante por lá, normalmente contra o Bugre, o time da capital marcou 113 gols, mas sofreu 99. No geral, dá uma média de 2,61 gols nos duelos que estão em campo.

São Paulo no Brinco de Ouro da Princesa:

  • 81 jogos, 36 vitórias, 22 empates e 23 derrotas (53,5% de aproveitamento)
  • 113 gols marcados (1,39) e 99 sofridos (1,22)
  • Média geral de gols nos jogos do São Paulo no Brinco de Ouro: 2,61 gols

Fonte: Enciclopédia Tricolor

Essa chuva de gols se reflete na partida mais importante da história são-paulina em Campinas: a histórica conquista do Brasileirão de 1986, à época apenas o segundo na história do clube que hoje é hexacampeão nacional.

Após um 1 a 1 no Morumbi, onde mais de 80 mil pessoas viram Evair (Guarani) e Careca (São Paulo) marcarem, a volta da decisão se tornou uma das maiores finais da história do Campeonato Brasileiro (se não, a maior) pelo empate em 3 a 3 casa do Bugre. Relembre esta história neste artigo da Trivela.

A escalação do São Paulo no empate em 1 a 1 com o Gurani pela final do Campeonato Brasileiro de 1986.
De pé: Bernardo, Gilmar, Wagner Basílio, Darío Pereyra, Nelsinho e Zé Teodoro
Agachados: Müller, Silas, Careca, Pita e Sídnei.
A escalação do São Paulo no empate em 1 a 1 com o Gurani pela final do Campeonato Brasileiro de 1986.
De pé: Bernardo, Gilmar, Wagner Basílio, Darío Pereyra, Nelsinho e Zé Teodoro
Agachados: Müller, Silas, Careca, Pita e Sídnei. (Foto: Arquivo Histórico do São Paulo FC)

Depois do 3 a 3, título brasileiro do São Paulo no Brinco de Ouro vem nos pênaltis

Sob comando de Pepe, o São Paulo não chegou à final como favorito, visto que do outro lado estava o time com melhor campanha na competição — por isso, o Bugre decidiu em casa.

E, apoiado por 37 mil torcedores no Brinco de Ouro, o time de Campinas mostrou em menos de dois minutos porque foi tão bem na campanha: enquanto o narrador da TV Cultura escalava o time, o goleiro são-paulino Gilmar Rinaldi deixou um cruzamento passar por baixo do corpo dele e Nelsinho mandou contra o próprio gol.

Para o torcedor tricolor voltava um trauma de cinco anos atrás: iriam perder mais um título brasileiro, como aconteceu em 1981, para o Grêmio?

Mas o time dos Menudos (em referência ao grupo musical), como ficou conhecido pela reformulação que passou desde o vice nacional e a ascensão dos garotos Silas, Müller e Sidney, mostrou maturidade para assimilar o gol sofrido e empatar com Bernado, de cabeça, após escanteio.

Mesmo com bola na trave do Guarani e os goleiros trabalhando, o 1 a 1, como na ida, durou até a prorrogação, quando, aí, sim, o jogo ganhou contornos emocionantes.

Aos dois, Pita virou para o lado visitante, só que Marco Antônio Boiadeiro e João Paulo deram outra reviravolta no placar, a favor do Bugre que, como o adversário, sonhava com o bi nacional. No terceiro gol, o mandante já estava com um a menos após a expulsão de Vagner Mancini.

Tudo indicava que realmente a equipe do interior seria o terceiro paulista a levar dois títulos do Brasileirão, antes de Corinthians e do próprio São Paulo, mas surgiu mais um herói na rica história são-paulina.

Como nos grandes capítulos do Clube da Fé, Wagner Basílio deu um balão ainda do campo defensivo, Pita deu uma casquinha na entrada da área para Careca, que chegou fuzilando as redes, virando o artilheiro da competição com 25 gols (superando justamente o rival Evair) e calando o Brinco de Ouro.

Com a moral para baixo nos pênaltis, o Guarani perdeu a primeira cobrança logo de cara, com Boiadeiro, parado por Gilmar. Daquelas histórias que ninguém entende no futebol, Careca desperdiçou sua cobrança e deixou tudo igual.

Só que João Paulo, outro autor de gol, isolou a terceira tentativa e abriu caminho para que o São Paulo, com cobranças de Darío Pereyra, Rômulo, Fonseca e Wagner Basílio conquistasse o título que marcou uma geração.

— Foi emocionante demais, um dos títulos mais importantes para todos que presenciaram aquela geração do São Paulo. E todos são, até hoje, muito gratos ao que nós fizemos, pois nós realmente vestimos a camisa do São Paulo como nossa pele e fomos até o fim, conquistando aquele título brasileiro — disse o craque e herói são-paulino Careca ao site oficial do clube.

Pepe, um dos grandes treinadores do São Paulo, deixou o clube pouco após a conquista. Com exceção de Müller, não sobrou muito dessa geração campeã em 86 no Tricolor que venceria tudo no início dos anos 90, incluindo o tri brasileiro.

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Guarani se ‘vingou’ do Tricolor em 1994

Outros times históricos do lado do interior e da capital se encontraram no Brasileirão de 1994, só que dessa vez nas quartas de final.

À época, o Bugre era comandado por Carlos Alberto Silva e tinha no time uma dupla de ataque formada por Luizão e Amoroso, terminando a primeira fase com a melhor campanha. Já o São Paulo, três vezes consecutivo finalista da Libertadores (terminou vice naquele ano), estava prestes a vivenciar a derrocada do histórico time de Telê Santana.

Como em 1986, a ida foi no Morumbi, mas dessa vez o mandante conseguiu vencer: 1 a 0, gol de Palhinha. Só que a volta, no Brinco de Ouro da Princesa, terminou com vitória acachapante do Guarani.

Mesmo sem Amoroso desde os 19 minutos do primeiro tempo por uma lesão, o time do interior marca com Sandoval, Julio César, Luizão e Valder. Os gols de Aílton e Caio não adiantaram. O Bugre foi as semifinais, mas perdeu para o Palmeiras, que seria campeão em cima do Corinthians.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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