Santos se impôs sobre o Palmeiras, mas final teve gosto ambíguo para os dois lados

Lances pegados, chuva pesada, confusão, arbitragem contestável, pênalti perdido, lances inacreditáveis e até substituição no apito. Teve de tudo um pouco na primeira partida da final da Copa do Brasil, por mais que o futebol tenha faltado durante parte dos 90 minutos. O Santos sai em vantagem sobre o Palmeiras com a vitória por 1 a 0 na Vila Belmiro, mas o sabor do placar é agridoce. E para ambos os lados. Os alvinegros poderão jogar pelo empate na volta, mas sabem que conseguiriam vencer por mais. Enquanto isso, os alviverdes reclamam da arbitragem, embora também tenham consciência de que o estrago poderia ter sido muito pior. Certeza mesmo é que o clássico segue aberto para o reencontro na próxima quarta, dentro do Allianz Parque.
O momento dos rivais dava o favoritismo ao Santos. Não apenas por jogar em casa, mas também pelos valores individuais em seu ataque e pela fase que ambos os clubes atravessam. O Palmeiras, inoperante nos últimos jogos, mais uma vez esteve vagando em campo na Vila Belmiro. Produziu muito menos que os adversários, cinco finalizações contra 17, e nenhuma delas no gol. Mas viram o Peixe perdoar em excesso, mesmo jogando muito melhor. O clima de tensão esteve presente na decisão. Até porque, em vários momentos, os dois times se esqueceram da bola e se concentraram apenas na rispidez. Com a chuva pesada e o gramado ruim, a qualidade por vezes ficou de lado.

De fato, o Palmeiras só vislumbrou dois momentos para vencer. Logo no primeiro lance de ataque, Vanderlei espalmou uma bola e Jackson perdeu no rebote com o gol aberto. A única finalização de perigo dos alviverdes durante os 90 minutos. Mais uma vez, o time de Marcelo Oliveira parecia não saber o que fazer com a bola. O meio-campo não cumpria seu trabalho, sem criar oportunidades e perdendo a posse antes mesmo de se aproximar da área. Além disso, a bolas longas vinham em excesso. Só que, em uma dessas, por pouco os alviverdes não descolaram um pênalti no início segundo tempo. David Braz e Lucas Barrios disputavam bola quando o paraguaio caiu, após se chocar com o zagueiro. O árbitro Luiz Flávio de Oliveira não marcou, em lance cuja visibilidade do assistente era ótima.
A arbitragem, no entanto, foi fraca de uma maneira geral – ainda que os lances mais agudos sejam reclamados pelo Palmeiras. Diante dos primeiros minutos em alta voltagem, Luiz Flávio começou a se perder quando marcou pênalti após Arouca segurar Ricardo Oliveira na área. Gabigol tentou tirar de Fernando Prass e acertou a trave. Mas, mesmo que o placar não tenha sido alterado, o árbitro seguiu mal na condução do jogo. Não tinha pulso com os jogadores e nem agradava qualquer um dos lados. Curioso é que, no segundo tempo, Luiz Flávio não se sentiu bem e acabou substituído pelo quarto árbitro. Ao menos Marcelo Aparecido de Souza não precisou lidar com maiores polêmicas nos 25 minutos finais.
De qualquer maneira, acima do apito, o Santos fez sua superioridade ser incontestável na Vila Belmiro. Um banho de bola dos alvinegros, muito mais intensos e agressivos. Partindo para o ataque em alta velocidade, o Peixe só não abriu o placar nos 45 minutos iniciais por causa de Fernando Prass. O goleiro palmeirense realizou três grandes defesas, uma delas milagrosa, desviando com as pernas o chute à queima-roupa de Ricardo Oliveira. E quando não pôde fazer nada, a trave salvou o pênalti de Gabriel.

Gabigol, aliás, chamava a responsabilidade como poucos na partida. E teve o reconhecimento merecido pela grande atuação no segundo tempo. Depois de parar em outra grande defesa de Prass logo aos dois minutos, o camisa 10 anotou o gol decisivo aos 33, em jogada de puro talento. Após receber de Ricardo Oliveira, deu um tapa na bola para se desvencilhar de Amaral. Já de frente com o goleiro adversário, demonstrou toda a sua qualidade na finalização, batendo colocado no canto. Mais um tento decisivo para aquele que vem sendo o craque santista na Copa do Brasil. Gabigol soma oito gols na competição, marcados em seis dos últimos sete jogos da campanha.
Já nos minutos finais, a Vila Belmiro acabou tomada pelo descontrole, e em diferentes sentidos. Lucas chutou a bola em cima de Lucas Lima e acabou expulso aos 42. Nos acréscimos, com o gol aberto, o atacante Nilson perdeu um dos gols mais imperdíveis dos últimos tempos, jogando no lixo a chance de dar uma vantagem mais larga ao Santos. E, fruto do clima pegado de todo o confronto, os jogadores ainda terminaram o clássico se estranhando no meio do gramado, sem maiores consequências.
Pelo que mostrou nesta quarta e também nas etapas anteriores da Copa do Brasil, o Santos tem condições de sair com um bom resultado do Allianz Parque. Diante da apatia dos adversários, o time de Dorival Júnior demonstrou a solidez necessária para manter o jogo sob seu controle. Assim como viu seus talentos individuais se destacarem na frente, sobretudo Gabigol. Enquanto isso, o Palmeiras pode agradecer por seguir vivo, diante de uma derrota pesada que não aconteceu na Vila Belmiro. Ainda tem o direito de uma vitória simples, em decisão na qual os gols qualificados não contam. Mantém em aberto uma final que teve sua primeira metade repleta de intensidade – o que não significou necessariamente qualidade.



