Com escolhas equivocadas, Cléber Xavier se autopressiona no comando do Santos
Treinador vê pressão aumentar rapidamente mesmo quando parecia que vitória diante do Flamengo traria paz ao Peixe
Se há dez dias Cléber Xavier merecia os créditos pela importante vitória do Santos sobre o Flamengo, por 1 a 0, na Vila Belmiro, na noite deste sábado (26), ele merece críticas pelo suado empate com o Sport, por 2 a 2, na Ilha do Retiro.
Sem ainda ter conquistado uma vitória no Campeonato Brasileiro, o Leão da Ilha chegou a estar vencendo o Peixe por 2 a 0 até os 34 minutos da segunda etapa.
O empate alvinegro só veio a partir disso, na base do abafa, com gols de Gabriel Bontempo, que o treinador insiste em manter no banco de reservas, e João Basso, aos 43 minutos do segundo tempo.
Santos escalado com dois volantes de marcação
Com o Santos na zona de rebaixamento até o início da rodada, o torcedor esperava ver a equipe partindo para cima do Sport com o intuito de aproveitar toda a turbulência que afeta o adversário.
Essa expectativa, porém, começou a perder força a partir do anúncio da escalação do Peixe. No meio-campo, dois volantes de marcação: Tomás Rincón, como de costume, e João Schmidt no lugar de Zé Rafael.
Por mais que Zé Rafael ainda não mereça ser considerado titular absoluto, ele é um meio-campista com mais presença no campo de ataque e maior capacidade de ajudar na fase ofensiva do time. O mesmo poderia ser dito se a escolha de Cléber Xavier fosse por Gabriel Bontempo.
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Brazão e Rincón complicam a noite de Cléber Xavier
Ainda que com os dois volantes de marcação existisse uma estratégia trabalhada para se impor diante do Sport, ela ficou bastante prejudicada pelo erro grave de Gabriel Brazão, logo aos quatro minutos de jogo, que resultou no gol de Derick Lacerda.

Em desvantagem e pressionado para não ser o primeiro time a perder do Rubro-negro pernambucano, o Santos levou tempo para igualar a empolgação e intensidade dos donos da casa.
Quando já contava os minutos para fazer ajustes no intervalo visando o segundo tempo, Cléber Xavier viu Rincón ser expulso.
A incompreensível aposta em Tiquinho Soares
Na tentativa de dar alguma organização ao time, o treinador promoveu as entradas de Bontempo, Gustavo Caballero e Tiquinho Soares.
Bontempo, assim como imaginado, correspondeu e iniciou a reação santista marcando um belo gol; Caballero se esforçou correndo pelo lado direito do campo, mas nada além disso (o paraguaio desembarcou no CT Rei Pelé no meio da semana), e Tiquinho pouco acrescentou.
Os gols de Bontempo e João Basso no empate em 2 a 2, contra o Sport, na Ilha do Retiro. pic.twitter.com/Eojz1IiFpe
— Santos FC (@SantosFC) July 26, 2025
A entrada do experiente centroavante, assim como a aposta em Schmidt, também é de difícil compreensão.
No meio da semana, contra o Internacional, sem ver Deivid Washington fazer um bom jogo, o treinador recorreu às características do jovem e móvel Luca Meirelles, enquanto Tiquinho Soares permaneceu no banco de reservas.
Diante do Sport, já com um a menos e precisando justamente de mobilidade, Cléber Xavier deixou o Menino da Vila de fora e recorreu a Tiquinho, que não entrega grandes movimentações. E isso foi mais uma vez constatado na Ilha do Retiro.
Apesar das escolhas bastante questionáveis, o treinador alvinegro viu os seus comandados amenizarem os danos na base da entrega.
Isso, porém, não alivia em absolutamente nada a pressão que cresce semanalmente sobre o trabalho do treinador. Para que isso ocorra, a vitória contra o Juventude, segunda-feira (4), no MorumBIS, é inegociável.
De preferência, com uma atuação impositiva, não reativa, além de uma escalação correta que favoreça tudo isso. Caso siga insistindo nos mesmos erros, Cléber Xavier não conseguirá cumprir o curto contrato assinado com o Peixe, com validade até o fim da atual temporada.



