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Salgueiro bate o Santa Cruz nos pênaltis e é o primeiro campeão pernambucano de fora de Recife

Foram 105 anos de domínio da capital no Campeonato Pernambucano, mais de um século em que o interior de Pernambuco não experimentou a glória de ser o melhor time do estado. A hegemonia acabou. Na noite da última quarta-feira, o Salgueiro segurou o 0 a 0 no Estádio do Arruda e, nos pênaltis, tornou-se o primeiro clube de fora de Recife a se consagrar campeão pernambucano, 15 anos depois de retomar suas atividades.

O clube que fica a aproximadamente 500 quilômetros ao oeste de Recife havia batido na trave duas vezes. Em 2015, foi derrotado pelo mesmo Santa Cruz, por apenas 1 a 0 no agregado, e, dois anos depois, foi derrotado pelo Sport. A missão agora, além de representar o interior, era evitar o 30º título do Cobra-Coral, o seu sexto na década, o que aconteceu apenas uma vez na história do clube – nos anos 1970, considerados os melhores do Santa Cruz.

Muito antes de virar moda, o interior de Pernambuco dava trabalho para um treinador português. Daniel Neri chegou ao Porto de Caruaru, em 2013, e no ano seguinte se mudou para as categorias de base do Sport. Em 2018, começou a campanha estadual do Flamengo de Arcoverde antes de se mudar para o Salgueiro, em abril da temporada passada. Ele se tornou, segundo o Superesportes, o primeiro estrangeiro campeão estadual desde o argentino Alfredo González, no começo do hexacampeonato do Náutico, em 1963, e o décimo no total.

O jogo de ida no Cornélio de Barros terminou em 1 a 1. Quem vencesse no Arruda era campeão, empate levaria aos pênaltis, e ninguém fez muita coisa para quebrar o impasse. No fim do primeiro tempo, cada um teve um chute perigoso de fora da área. O de Renato, do Salgueiro, passou muito perto da trave. O de Jeremias, do Santa Cruz, parou em boa defesa de Tanaka, que voltaria a brilhar depois do intervalo.

Aos 32 minutos, a bola foi lança para a área e sobrou para Paulinho, que pegou bem mal. Acabou sendo um passe involuntário para Didira, pela esquerda da grande área. O camisa 19 dominou em ótima situação, bem perto do gol, e bateu colocado de perna direita. Não muito colocado, e Tanaka espalmou para escanteio.

Os seis primeiros pênaltis foram convertidos. Pipico, Danny Morais e Toty para o Santa Cruz. Ciel, Alison Araçoiaba e Adenilson para o Salgueiro. O primeiro a falhar foi Victor Rangel, que bateu tão longe que teria acertado a cabeça de algum torcedor se houvesse algum torcedor no Arruda. Ranieri devolveu a gentileza e soltou aquele chute à meia-altura, não muito ao canto, para defesa de Maycon.

Porém, André soltou o pé no meio do gol, e Tanaka não se mexeu, mas também não precisou defender. A bola explodiu no travessão, quicou no chão e voltou a subir. A cobrança seguinte seria de Muller Fernandes. Se acertasse, o Salgueiro seria campeão.

Ele tomou bastante distância e respirou fundo. Deixou assentar a responsabilidade que havia caído sobre seus ombros. Ainda deu uma paradinha e chapou no canto esquerdo de Maycon.

Acertou. E o Salgueiro foi campeão.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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