A saída de Vilson e o complexo de inferioridade do Palmeiras
Quando vendeu Hernán Barcos, o Palmeiras aceitou Vilson mesmo sabendo que o perderia nesta janela de transferências para o Stuttgart, da Alemanha. Acertou um valor relativamente baixo, coisa de R$ 700 mil, e ficou satisfeito, porque a diretoria adquiriu a mania de colocar o clube em situação de inferioridade em praticamente todas as negociações.
O principal responsável pelas idas e vindas de jogadores é José Carlos Brunoro, que ainda age como se estivesse administrando o Audax. Dos quatro jogadores que trouxe por Barcos, o melhor jogador do elenco, apenas Vilson foi anunciado como uma contratação “em definitivo”. O que era uma bela de uma mentira, afinal, o próprio dirigente disse que sabia da saída do jogador para a Alemanha nesta janela, mas “o Palmeiras precisava de jogador”.
A pressa de mandar Barcos para o Rio Grande do Sul em troca de um punhado de jogadores foi tanta que Brunoro fez um monte de bobagem. Anunciou Marcelo Moreno como “um dos jogadores envolvidos na negociação” sem sequer conversar com o procurador dele. Por isso, o torcedor do Palmeiras teve que ouvir do pai de um ex-jogador do Wigan que o seu clube é fracassado.
Paulo Nobre admitiu que não pode pagar os R$ 13 milhões estipulados pelo Grêmio por Leandro, um dos três, ao lado de Rondinelly e Léo Gago, que vieram por empréstimo. Não dava para negociar um valor que o clube poderia pagar para manter o seu principal destaque na temporada?
A diretoria alviverde abaixou a cabeça até para o Souza. O volante queria R$ 240 mil de salário, e o Palmeiras não aceitou. No entanto, deu 150% de aumento para o jogador sem estender o vínculo. Pagou R$ 60 mil para que ele cumprisse o contrato. A “inovação” durou pouco porque o Cruzeiro cedeu Ananias, também por empréstimo, para contratar o ex-atleta do Náutico.
No primeiro semestre, a diretoria e o técnico Gilson Kleina usaram o discurso do trabalho a longo prazo. Se a prioridade não era a Copa Libertadores, mas montar um time base pensando no retorno à elite, por que trazer um monte de jogadores mais ou menos, com contratos curtos ou de empréstimo? São, no máximo, soluções imediatas. Paliativas.
Iniciar a montagem de uma grande equipe exige mais criatividade, trabalho e bons olheiros que quantias exuberantes de dinheiro. Paulo Nobre acerta ao adotar a política de equilibrar as contas e comete um erro crasso ao permitir que o seu clube desenvolva um complexo de inferioridade que impede o Palmeiras de semear o seu retorno ao grupo dos principais clubes do Brasil.



