“Rothina”

Desde o tumulto com Wagner Tardelli na véspera da última rodada do Brasileiro em 2008, o São Paulo faz ameaças à Federação Paulista. Jurou jogar o Estadual com time reserva, ou mesmo com os juniores, o que se repetiu algumas vezes ao longo desses primeiros meses do ano. Em nenhum momento, as ameaças se concretizaram, mostrando que ainda falta coragem para realmente fazer com os estaduais, por exemplo, como o Arsenal faz com a Copa da Liga Inglesa.
O mau humor de Muricy Ramalho já na primeira derrota do ano, contra o Santo André no Morumbi, prova que a coragem para dar de ombros aos estaduais durou pouco. E depois de outra derrota, contra o Mogi Mirim, o treinador ainda decretou o fim do rodízio que mantinha o clube na zona de classificação e fazia com que os titulares não se desgastassem tanto e os reservas não perdessem o ritmo.
O cúmulo, porém, aconteceu com a saída de Celso Roth, ainda que isso não tenha sido motivado apenas pelos resultados ruins. O Grêmio caminhava sem sustos na Libertadores e, ao longo de todas as últimas semanas, Roth deixava claro que o Gaúcho era a segunda opção.
Perder três Gre-Nais, porém, foi fatal para o treinador. O que mostra que não só os estaduais, mas que os grandes clássicos também têm uma vida própria. Se a tendência era jogar as quartas-de-final da Taça Fábio Koff com os reservas, Roth e a direção gremista precisaram mudar completamente os planos quando souberam que o rival seria, justamente, o Internacional.
Roth, deve se dizer, teve desempenho bastante criticado nos dois primeiros Gre-Nais, sobretudo na final da Taça Fernando Carvalho – o primeiro turno do Gaúcho. Armou a retranca e voltou a ser hostilizado pelos torcedores, uma constante ao longo de sua passagem pelo Grêmio. A herança quanto ao real objetivo, porém, a Copa Libertadores, é muito positiva: o tricolor gaúcho lidera sua chave na competição.
A queda de Roth, aliás, ajuda a completar um terço de técnicos trocados entre os clubes da Série A com menos de três meses de futebol em 2009. Além do gremista, já saíram Márcio Fernandes (Santos), Toninho Moura (Barueri), René Simões (Fluminense), Roberto Fernandes (Náutico), Vágner Mancini (Vitória).
Se aos clubes grandes o número já parece elevadíssimo para esta altura da temporada, os pequenos se mostram ainda mais dependentes de uma grande campanha nos estaduais. Pegando o Campeonato Paulista como exemplo, é gritante observar que, dos 20 participantes, 15 trocaram de treinadores ao longo da disputa, sendo que alguns ainda repetiram a dose.
Se para muitos, inclusive para o colunista, os estaduais devem ser motivo de laboratório, especialmente para os clubes que estão na Série A, os grandes provam que ainda têm muito o que aprender no tocante ao planejamento e em definir prioridades e trabalhar sobre elas. O caso de Grêmio e Celso Roth, que provavelmente não será substituído por ninguém melhor, é emblemático.
Despedida
Foram quase dois anos ocupando este espaço que, a partir da próxima semana, terá outro representante. Felizmente, muitas coisas boas aconteceram nesse período, o que, por sua vez, infelizmente, me obriga a desafogar as tarefas para manter o nível que foi característico da coluna de Brasil desde sua origem.
Escrever a coluna de futebol brasileiro da Trivela foi uma massagem gigantesca no ego e uma forma de muitos aprendizados, além de uma grande responsabilidade: afinal, assumi o lugar de, nada mais nada menos, que o do editor-chefe.
Agradeço aos amigos Leonardo Bertozzi e Ubiratan Leal, dois grandes responsáveis por tudo isso, e ainda, claro, a todos os fiéis leitores, que podem seguir me acompanhando em meu blog, no Olheiros.net e, também, no Terra Esportes. Um forte abraço a todos!



