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Ronaldo, o fenômeno, anuncia aposentadoria

Aos 34 anos, o atacante Ronaldo, um dos maiores jogadores da história do futebol, anunciou nesta segunda-feira sua aposentadoria. Com diversas dores no corpo e dificuldade em controlar o peso, questão atribuída por ele ao hipotireoidismo, afirmou que se dependesse de sua cabeça e coração, seguiria jogando, mas que precisava admitir a derrota para seu corpo.

“Vim aqui para anunciar que estou encerrando minha carreira como jogador profissional. Foi uma carreira linda, maravilhosa. Tive muitas derrotas, mas infinitas vitórias. Muito amigos, nenhum inimigo. Antecipo o final da minha carreira por alguns motivos. Nos últimos dois anos foram muitas lesões, que passavam de uma perna para a outra. Não consigo mais subir uma escada sem sentir dores. Tenho que admitir que perdi para o meu corpo”, disse, emocionado, com lágrimas nos olhos e acompanhado dos dois filhos – Ronald e Alex – e do presidente do Corinthians, Andrés Sanchez.

O anúncio acontece dias após a eliminação do Corinthians ainda na primeira fase da Libertadores da América, quando o time caiu diante do Deportes Tolima, da Colômbia. O tropeço rendeu diversas críticas a Ronaldo e muitos protestos de algumas torcidas organizadas do clube. Em sua despedida, o jogador fez questão de dizer que toda essa confusão não pesou em sua decisão, mas pediu desculpar à torcida corintiana por falhar no projeto Libertadores e disse que esse título foi o que faltou em sua carreira.

 

Ronaldo, ao lado dos filhos Alex e Ronald

“Agradeço a toda torcida brasileira, que vibrou comigo, que chorou comigo, que caiu comigo quando caí. Mas em especial a torcida do Corinthians… [chorando, ele pausa]. Nunca vi torcida tão empolgada, apaixonada, tão entregue a um time de futebol. Algumas vezes a cobrança por resultados torna essa torcida agressiva, fora do controle. Eu não imaginava ter vivido sem o Corinthians”, disse.

Sobre o hipotiroidismo, Ronaldo disse que descobriu o problema durante sua passagem pelo Milan e que nunca o tratou por temer que fosse pego no anti-doping. “No Milan descobri que sofria de um distúrbio chamado hipotireoidismo, que diminui o metabolismo do meu corpo e afeta o peso. Tenho certeza que muitos de vocês aqui estão arrependidos por tantas chacotas”, afirmou, referindo-se às mais de 400 pessoas presentes na coletiva de imprensa, realizada no Centro de Treinamento Joaquim Grava, no Parque Ecológico do Tietê, entre jornalistas brasileiros e estrangeiros, além de câmeras, fotógrafos e curiosos.

As oito operações pesaram no final da carreira. Tanto que Ronaldo atribuiu praticamente 100% da culpa nas dores. E contou como e quando decidiu: “Pensei em parar no dia seguinte à eliminação da Libertadores. Mas desisti, e depois voltei a pensar nisso por causa das dores, quando tive essa nova lesão no adutor. Estava na UTI. Foi na quinta-feira que decidi. Minha família estava viajando, e fiquei sozinho em casa, quebrando a cabeça. As dores me possuíam, não conseguia pensar em mais nada”.

Sobre sua relação comercial com o Corinthians, Ronaldo e Andrés Sanchez afirmaram que nada mudará, ou seja, até o final do ano os contratos seguirão valendo. O jogador aproveitou para agradecer e lembrar de outras marcas, também, que o acompanharam ao longo da carreira. Ele adiantou que não pretende trabalhar na comissão técnica ou na direção do Corinthians, e sim como um “embaixador institucional” do clube. Além disso, Ronaldo anunciou a criação de um instituto social, que se chamará “Criando fenômenos”.

O jogador deixa o futebol como um dos principais nomes do mundo. Teve passagens importantes por Cruzeiro (1993 a 1994), PSV (1994 a 1996), Barcelona (1996 a 1997), Internazionale (1997 a 2002), Real Madrid (2002 a 2007), Milan (2007 a 2008) e Corinthians (2009 a 2011). Foi muito bem também na Seleção Brasileira, pela qual esteve na Copa do Mundo de 1994 e jogou as de 1998, 2002 e 2006, tendo sido campeão com a equipe na primeira e terceira vez. É o artilheiro da história dos Mundiais, com 15 gols.

Foi eleito pela Fifa em três ocasiões o melhor jogador do mundo (1996, 97 e 2002), recordista ao lado de Zinedine Zidane.

 

Ronaldo ganhou uma camiseta personalizada em sua despedida

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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