Roger parece a escolha certa para dar ao Atlético-MG o que mais vem faltando: equilíbrio
O Atlético Mineiro venceu a corrida para contar com os serviços de Roger Machado. Precisou superar a concorrência do Fluminense e do Palmeiras, que também haviam manifestado interesse no ex-técnico do Grêmio, para anunciá-lo na última quarta-feira. Da mesma forma que o gaúcho de 41 acerta na teoria na maioria das suas declarações, o Galo faz uma escolha teoricamente muito boa. O casamento tem uma boa chance de dar certo. Agora, precisamos ver na prática.
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Roger tem uma carreira curta, mas ascendeu rapidamente na carreira de treinador. Depois de um ano meio no Juventude e no Novo Hamburgo, foi a aposta do Grêmio para substituir Luiz Felipe Scolari. Pegou terra arrasada em um clube sem dinheiro e com poucas estrelas, mas terminou o Campeonato Brasileiro na terceira posição, classificado à próxima Libertadores. Mais do que isso, fez o time jogar um bom futebol. Organizado, próximo, os jogadores tocavam bola e buscavam triangulações com facilidade. Teve a sabedoria para armar o time de maneira a maximizar o futebol de Douglas, que se tornou o grande maestro do Grêmio.
O seu ciclo chegou ao fim, com certo desgaste, porque os resultados decaíram na segunda temporada. O clube gaúcho perdeu para o Juventude nas semifinais do Campeonato Gaúcho, foi eliminado pelo Rosario Central nas oitavas de final da Libertadores e, depois de um bom começo de Brasileirão, passou por uma queda de rendimento. Sua saída veio depois de uma sequência com uma única vitória em nove partidas, incluindo empates sem gols com os lanternas América Mineiro e Santa Cruz.
A maior prova de que Roger conseguiu deixar a sua marca é que Renato Gaúcho construiu em cima do legado de seu antecessor, com alguns ajustes táticos – a entrada de Ramiro e uma melhora na marcação da bola aérea – e muita motivação, e conseguiu chegar à final da Copa do Brasil. O estilo de jogo é o mesmo de Roger. E, também, que ele tenha sido tão procurado neste segundo semestre, sempre associado a clubes grandes que precisavam de treinadores.
O Atlético Mineiro era um deles. Precisa profundamente de um bom trabalho tático para conseguir transformar seu talentoso elenco, talvez o mais talentoso do Brasil, em um grande time. Levir Culpi e Marcelo Oliveira não conseguiram. Nem Diego Aguirre, que parecia uma boa escolha para dar mais solidez defensiva ao Galo, mas deixou o clube depois de perder na final do Campeonato Mineiro nas quartas da Libertadores.
A missão de Roger é encontrar o equilíbrio, conceito pouco presente no Horto nesses últimos anos – que incluem, também, a Era Cuca. Um time que, nos últimos dois Campeonatos Brasileiros, marcou 126 gols, média 1,68 por partida, e sofreu 97, ou 1,29 por partida. Brigou pelo título em ambos, é verdade, mas sempre à distância e sem a regularidade necessária para conquistá-lo.
Pelas suas entrevistas e declarações, pelo perfil estudioso, pela busca em buscar conhecimento em outros países depois de sair do Grêmio, ele parece ter o domínio da teoria para executar essa tarefa. Mas, com um único bom trabalho em time grande no currículo, precisa provar na prática daqui para frente.



