Ao apostar em Lucas Lima para 2023, Santos concordou com a lei do mínimo esforço no seu meio-campo
Sem intensidade no meio-campo do Santos, Lucas Lima terminou o ano no banco de reservas
Um deserto de ideias. Foi assim que o meio-campo do Santos se viu na maior parte da temporada 2023. No início do ano, o elenco não tinha à disposição um jogador de criatividade, alguém com real capacidade de pensar o jogo. Eram volantes e mais volantes, que, dentro das suas limitações, tentavam ajudar na construção das jogadas. Ao ver que setor tinha sérios problemas nesse sentido, a diretoria fechou a contratação de Lucas Lima. Mas foi justamente aí que cometeu um grave erro para o restante da temporada.
Sem clube desde o término do seu contrato com o Palmeiras, no final de 2022, Lucas Lima permaneceu dois meses desempregado. Vindo de um longo período sem jogar no Fortaleza, clube que o contratou por empréstimo, ele assinou um contrato de produtividade, que tinha cláusulas impossíveis de não serem atingidas. Ao batê-las, com assistências e o mínimo esforço nos compromissos do Campeonato Paulista e das primeiras fases da Copa do Brasil, renovou o seu contrato por duas temporadas.
A partir daí, aquele que fora contratado para comandar o meio-campo e municiar os homens de frente, mostrou os motivos que o fizeram ser ignorado por dois meses pelos outros 19 clubes da Série A. Sem intensidade, ele até tentou. Terminou o ano com nove assistências distribuídas – maior parte delas por meio de bolas paradas – e dois gols marcados.
Ocorre que o muito oferecido por Lucas Lima atualmente é pouco para um clube que disputa a Série A do Campeonato Brasileiro. Parte da torcida, que no início se empolgou e acreditou nas assistências dadas contra a Portuguesa, no Paulistão, terminou o ano vendo que confiar as suas esperanças nele foi uma ilusão. Concluindo que o dinheiro pago mensalmente a ele poderia ter sido empregado em atletas mais dispostos. E lamentando o fato de tê-lo visto tirar espaço para que o jovem Miguelito ganhasse minutagem em 2023.
O mesmo percebeu o técnico Marcelo Fernandes, que apesar dos elogios públicos em entrevistas coletivas, se viu obrigado a transformar Lucas Lima apenas em uma peça no banco de reservas para tentar salvar o Santos do rebaixamento. O que não conseguiu.
Segundo gol do Fortaleza. OLHA O PASSE DO "ARREPENDIDO" LUCAS LIMApic.twitter.com/RrqXfT4pI0
— Santos, o time do (@santosotimedo) December 8, 2023
Esses foram os pontos fortes do meio-campo do Santos
Diante de todos as dificuldades do meio-campo, a diretoria aproveitou a janela de transferências do meio do ano para reforçar o setor. Com o dinheiro das vendas de Ângelo e Deivid Washington para o Chelsea, o Santos investiu pesado e contratou Jean Lucas, que estava no Monaco, e Tomás Rincón, livre no mercado após o término do seu vínculo com a Sampdoria.
Mais: aproveitou uma oportunidade e arriscou no empréstimo de Nonato, que estava na reserva do Ludogorets, da Bulgária.
Por um momento, as contratações mudaram o meio-campo do Santos de nível. Porém, gradativamente, Jean Lucas foi sentindo a responsabilidade e acabou sucumbindo.
Rincón, com o apoio do voluntarioso Nonato, se esforçou, assumiu a braçadeira de capitão, marcou gols importantes, mas não foi capaz de fazer tudo praticamente sozinho naquela faixa do campo para evitar o trágico rebaixamento do Peixe. Ainda assim, deixou uma boa imagem.
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Esses foram os pontos fracos da meio-campo do Santos
Os problemas do setor, no entanto, não se resumiram a Lucas Lima. Muito pelo contrário. Eles foram diversos. A começar pelo primeiro ‘reforço’ do Santos para 2023: Camacho, que teve o contrato renovado em 2022, porque o presidente Andres Rueda, apaixonado por uma economia pouco inteligente, decidiu prorrogar o vínculo do jogador, pois o considerava bom de elenco e tinha salários factíveis aos cofres do Santos.
Resumo: Camacho encerrou o ano e, provavelmente, a sua passagem pelo clube, atuando em 21 dos 62 jogos do Santos no ano. Foram nove compromissos como titular e 1.047 minutos em campo nesta temporada. O meio-campista marcou um gol, não distribuiu assistências e recebeu seis cartões amarelos.
O que esperar do meio-campo do Santos em 2024?
É evidente que ao se deparar com essa pergunta, o torcedor do Santos responderá: contratações. É isso que ele espera para 2024, uma vez que Camacho, Lucas Lima, Dodi, Rodrigo Fernández, Luan Dias já mostraram que pouco ou nada podem acrescentar.
Por outro lado, existe a expectativa para saber qual será o futuro de Rincón, que mostrou qualidade. Experiente e com passagens por grandes clubes da Europa, a sua permanência na Vila para a disputa da Série B ainda é uma incógnita. O mesmo vale para Jean Lucas, que terminou o ano em baixa, mas tem mercado.
Apaixonado por suas categorias de base, os torcedores alvinegros torcem para que alguns desses jogadores mais cascudos possam permanecer, para, junto da iminente chegada de Diego Pituca, e ajudar na evolução de uma das principais promessas do clube no momento, que é o boliviano Miguelito.



