Brasil

Com contrato renovado, Renato Portaluppi terá o desafio de elevar o nível do Grêmio em 2020

Um dos melhores técnicos do país anunciou o seu destino, depois de um ano de muitos questionamentos. Renato Portaluppi renovou o seu contrato com o Grêmio por mais uma temporada, até o fim de 2020. Com isso, ampliará ainda mais o tempo como treinador mais longevo do futebol brasileiro atualmente. O treinador, campeão da Copa do Brasil em 2016 e da Libertadores em 2017, se colocou entre os principais técnicos do Brasil ao fazer o tricolor jogar o melhor futebol do país – até a chegada de Jorge Jesus no Flamengo, ao menos. Será a quarta temporada consecutiva de Portaluppi como técnico do Grêmio e, provavelmente, aquela que oferecerá o maior desafio.

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O trabalho de Renato ao longo das três temporadas anteriores foi muito bom. Não apenas pelo resultado, mas o desempenho também tornou o Grêmio um time envolvente, o levou ao topo da América, além de constante presença entre os primeiros colocados do Campeonato Brasileiro. Isso tudo é verdade, mas o ano de 2019 trouxe questionamentos maiores. O bom futebol continuava, mas sem a mesma constância. Além disso, a aposta sempre com todas as fichas nas Copas, Libertadores e Copa do Brasil, tornou o time apenas um coadjuvante no Campeonato Brasileiro. Mesmo tendo capacidade para ir além disso.

Reformular elenco e manter olho na base

A confirmação da permanência de Renato Portaluppi era esperada e o técnico precisará fazer uma reformulação no elenco. O lateral Victor Ferraz já foi acertado, em uma troca com o Santos por Madson, que neste ano de 2019 defendeu o Athletico Paranaense por empréstimo. Foi o primeiro reforço gremista para o ano. Será preciso mais e Renato sabe disso. Tanto que condicionou a sua permanência, semanas atrás, a manter gastos com contratações, em contraste com declarações da diretoria do clube dizendo que o cinto iria ter que apertar.

Para manter o Grêmio competitivo contra o principal concorrente, o Flamengo, será preciso melhorar muito o time e o elenco como um todo. O confronto com os cariocas na Libertadores deixou a impressão que a distância é grande. Menor do que o resultado sugere, mas ainda grande. E ainda há concorrentes como o Palmeiras, que segue sendo um time forte, ainda que sem rumo.

Há posições carentes, como um goleiro mais confiável que Paulo Victor e Julio Cesar. Nas laterais também há problemas. Victor Ferraz pode revigorar a lateral direita, mas ainda é preciso alternativa na esquerda para Bruno Cortez e Juninho Capixaba, este último que não se firmou no clube. O centroavante do time também é um problema. André nunca conseguiu se firmar, Felipe Vizeu chegou e também não convenceu, também prejudicado por lesões. Ainda tem Diego Tardelli, reforço mais caro, que não brilhou como se esperava. Por fim, ainda chegou Luciano, vindo do Fluminense, mas que não é exatamente um camisa 9.

Maicon é um jogador importante para o estilo de jogo, mas mostrou que não tem consistência física para jogar em tantas frentes. Como ele dá o estilo do time, será preciso encontrar uma alternativa que possa atuar com mais frequência. Sem dinheiro para grandes contratações, será preciso encontrar os jogadores necessários com uma boa visão de mercado, ou sendo criativo no mercado para conseguir mais jogadores com trocas – como foi a de Madson por Victor Ferraz, satisfazendo uma posição carente do time. E, como tem sido constante, será preciso continuar achando bons jogadores na base. Isso é importante para seguir renovando o time.

Um dos grandes trunfos desta passagem de Renato desde 2016 pelo clube é o aproveitamento da base. Além de Arthur, que foi alçado aos profissionais por Luiz Felipe Scolari, mas foi transformado no grande jogador por Renato Portaluppi. Foi com ele que o meio-campista se tornar um jogador que dita o ritmo no meio-campo, foi chave no time que conquistou a Libertadores e acabou no Barcelona.

Matheus Henrique é o seu herdeiro e brilhou em 2019, promovido por Renato. É um jogador que tem tudo para ser essencial ao time, capaz de também fazer o time jogar ao seu ritmo. Há outros nomes que ganharam força nesta temporada, como Jean Pyerre, que virou titular no lugar de Luan, Pepê, uma alternativa sempre importante pelas pontas, e Thaciano, um meia que mostrou boas qualidades.

Há expectativas ainda sobre o goleiro Phelipe Megiolaro, convocado à seleção olímpica. Outro que é visto com bons olhos é Victor Bobsin, que pode pintar no time principal já no Gaúcho. Renato tem feito muito bem isso e, com o Grêmio sem poder gastar demais, será importante dar oportunidade e fazer esses jogadores crescerem, como ele tem feito nos últimos anos.

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Competir em todas as frentes

Um dos desafios de Renato para este ano será manter a consistência. E, mais do que isso, equilibrar melhor o time para jogar as competições, sem deixar o Brasileiro tão em segundo plano por uma parte tão grande do ano. O elenco atual do Grêmio permite que o time tenha uma campanha ainda melhor no principal torneio nacional. A impressão que se repete ano após ano é que o Grêmio poderia competir pelo título, se ao menos estivesse com o time mais inteiro.

É inegável que para o Grêmio é muito mais difícil competir em todas as frentes com a mesma qualidade, como fez o Flamengo este ano. Ainda assim, é possível competir mais e não só assistir ao Flamengo passear, ou o Palmeiras vencer o Brasileirão de 2018 sem nem usar todos seus titulares. Para tentar brigar em todas as frentes com mais força, será sim preciso reforços, como quer Renato, mas precisará algo diferente do técnico também. Colocar 11 reservas antes de jogos importantes torna a missão muito mais complicada, para não dizer inviável.

Embora a idolatria de Renato seja inconteste entre os gremistas, há também críticas em relação ao seu trabalho, a insistência com alguns nomes que parecem não render. Talvez a renovação do elenco melhore alguns desses aspectos. Há muitos nomes especulados e a expectativa, até pelas declarações de Renato, é que o time se reforce.

Com menos dinheiro que Palmeiras e Flamengo, será preciso olhar melhor ao mercado, como o Grêmio fez muitas vezes nos últimos anos. Muitos dos jogadores que estavam no time campeão da Libertadores em 2017 foram recuperados, bem olhados pelo treinador e o departamento de futebol do clube.

Renato se colocou entre os melhores técnicos do país com o que fez nos últimos anos. Agora, precisará mostrar mais neste quarto ano para conseguir competir com dois times muito mais ricos. Manter desempenho constante será o desafio.

Com tudo isso, Renato terá que provar que consegue elevar o nível do Grêmio para jogar contra adversários que subiram o sarrafo. É possível, mas é preciso combinar bom trabalho, boas contratações e consistência. E juntar tudo isso é sempre difícil, ainda mais com concorrentes pesados fazendo bons trabalhos, como foram Flamengo e Santos neste ano. Como o próprio Renato mostrou nos últimos anos, é possível. Precisará ser melhor que em 2019, porém.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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