Brasil

Raio X do inchaço da Copa São Paulo

Entra ano, sai ano, e o discurso sobre a Copa São Paulo é o mesmo: a competição está inchada demais, com a participação de muitos clubes que conseguiram a vaga por critérios políticos e times de aluguel montados por empresários. A falta de qualificação de muitos times seria o motivo para determinados times serem goleados na estreia. O inchaço, de fato, acontece, mas é preciso entender a presença dos clubes na competição para saber onde é possível enxugar. E onde vale a pena enxugar.

A Copa São Paulo tem como característica misturar clubes grandes e pequenos. Considerando que o torneio sempre teve o papel informal (e nem tão informal assim desde que a CBF deu a seu campeão uma vaga na Libertadores) de Campeonato Brasileiro das categorias de base, tem algum sentido colocar clubes de vários estados. Afinal, não houve uma segunda divisão no ano anterior para que os times conquistassem sua vaga no cenário nacional. Como também faz sentido dar vaga a clubes com resultados consistentes com a garotada, separando esses dos times oportunistas que se montam para o torneio de início de temporada.

Nesse espírito, é possível separar em duas categorias as equipes com algum mérito técnico para ter a vaga na Copa São Paulo:

1) As equipes da Série A do Campeonato Brasileiro;
2) Os campeões estaduais das categorias de base (nos estados em que o campeão já disputa a primeira divisão, se classificaria o melhor colocado que não estivesse na elite brasileira);

Desse modo, 43 das 96 equipes participantes de 2012 teriam lugar de alguma forma na Copinha:

Participantes da Série A: São Paulo, Palmeiras, Corinthians, Santos, Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Internacional, Grêmio, Atlético Paranaense, Coritiba, Avaí, Figueirense, América-MG, Bahia e Ceará.

Campeões estaduais (ou vice em estados que possuem times na Série A): ABC, Ji-Paraná-RO, Sport, Rondonópolis-MT, Gama, Confiança, Santos-PB, Americano-MA, Flamengo-PI, Fortaleza, CSA, Goiás, Remo, Oratório-AP, Atlético Acreano, Nacional-AM, Palmas, Vitória, Mogi Mirim, Paraná, Criciúma, Aquidauanense-MS e Caxias-RS. No Espírito Santo, Desportiva e Linhares chegaram à decisão do estadual sub-17, mas não disputaram a final. Diante desse impasse, as duas equipes foram contempladas com uma vaga para a competição. Uma teria direito por critério técnico, a outra está sobrando.

Outras 14 poderiam exigir uma vaga pelo trabalho consistente na base nos últimos anos: Mirassol, Olé Brasil-SP, Porto-PE, Paulista, Portuguesa, Audax-SP, Juventus, Guarani, Ponte Preta, Desportivo Brasil-SP, Grêmio Barueri, Nacional-SP, Santo André e São Caetano.

Se a Copa São Paulo ficasse com 44 ou 58 clubes, já seria considerada inchada, mas haveria algum tipo de parâmetro técnico. De qualquer modo, esse corte inicial mostra que, em qualquer critério, 38 times estão sobrando. Equipes sem motivos muito claros para ter recebido o convite da Federação Paulo. Ou seja, mesmo com um caráter inclusivo e generoso, o torneio deveria ser bem menor.

O equívoco é achar que são os clubes de Norte, Nordeste e Centro-Oeste que baixam o nível técnico da competição. Dos 38 times sem resultados para legitimar suas participações, 27 são paulistas: América-SP, Linense, Marília, Batatais, Rio Preto, Ferroviária, Monte Azul, Botafogo de Ribeirão, Lemense, Sumaré, São Carlos, União São João, Taubaté, Sertãozinho, São Bernardo, Noroeste, Brasilis, Primeira Camisa, XV de Piracicaba, Inter de Limeira, Grêmio Osasco, Bragantino, Guaratinguetá, Taboão da Serra, São José, Flamengo-SP e Red Bull Brasil.

Alguns desses têm tradição, mas não fazem nada na base há anos e ganharam espaço como representantes de cidades-sede. Outras equipes nem têm trabalho de base, como o Brasilis, que pertence ao ex-zagueiro Oscar e “alugou” o time inteiro do Andraus, do Paraná, para a disputa. Em 2009, o Rio Claro havia adotado essa prática com a mesma equipe paranaense.

Entre as equipes de outros estados (Desportiva-ES ou Linhares, Sinop-MT, Uberlândia-MG, Goiânia, Sete de Setembro-MS, Cruzeiro-DF, Assu-RN, Vitória das Tabocas-PE, CRB-AL, Sergipe, São Francisco-BA e Vila Nova-GO), o maior problema é em Pernambuco. Os clubes grandes de Recife não participavam da competição desde 2005, e apenas o Sport voltou em 2012. Além do time rubro-negro, representam o estado o Porto, que faz bom trabalho de base, e o Vitória das Tabocas, eliminado na primeira fase do estadual sub-17 e semifinalista do sub-20. O Náutico, vice-campeão estadual sub-20, não foi convidado para participar e reclamou publicamente disso. Em Goiás, a situação é bastante semelhante. O Goiânia, que foi eliminado nas quartas de final do Campeonato Goiano sub-18, está na Copinha, enquanto o Atlético Goianiense, que está na elite nacional desde 2010, não figura entre os participantes.

O inchaço praticamente impossibilita a visão de todos os 144 jogos na primeira fase, mais os 31 até a final. Mas permite a clubes pequenos mostrar o trabalho que é feito e revelar jogadores, como o Londrina, que em 2007 apresentou Sandro (depois contratado pelo Internacional) ao mundo, ou o Porto, de Caruaru, que em 2008 tinha o jovem Rômulo, hoje no Vasco, como volante titular.

A Copa São Paulo, mesmo nas décadas de 80 e 90, sempre deu espaço para equipes pequenas que tivessem bons trabalhos na base, e clubes grandes que serão convidados por serem grandes. É a tradição do torneio. Por isso, é um torneio que nunca ficará com apenas 16 ou 20 clubes. Mas fica claro que, mesmo sendo um torneio inclusivo, há muita gordura para queimar.

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Equipe Trivela

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