Brasil

Quem será o próximo técnico do Corinthians? Listamos cinco possibilidades

Mano Menezes deixará o comando do Corinthians no dia 31 de dezembro. O contrato do técnico não será renovado pelo presidente Mario Gobbi. No clube do Parque São Jorge, ainda não há uma definição sobre quem será o técnico e um dos motivos é que haverá eleição para presidente em fevereiro de 2015. Gobbi tentou antecipar o pleito para o final de 2014 e começar 2015 já com um nome definido pelo novo presidente, mas não conseguiu. Se Mano Menezes não fica, as especulações sobre o próximo treinador estão fortes. Isso porque o Corinthians foi muito criticado em 2014 por motivos parecidos ao que foi em 2013. Um time muito seguro defensivamente, mas pouco criativo, de futebol ruim e pouco atrativo. A torcida cobra melhoras, que não vieram. Quem pode fazer isso em 2015?

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O Corinthians de 2013, com Tite, marcou só 27 gols e levou só 22. Era um time de poucos gols dos dois lados. Em 2014, Corinthians tem 41 gols marcados em 33 rodadas, com 24 sofridos. Uma das coisas que o torcedor corinthiano pede quando está diante do time, na Arena Corinthians, em Itaquera, é que o time tenha mais alma. Em diversos momentos, o time é burocrático e corre poucos riscos, especialmente jogando fora de casa. Mesmo assim, é uma equipe muito forte, mas não o suficiente para brigar pelo título, como era esperado, e a situação para classificar à Copa Libertadores está longe de ser tranquila.

Por isso, o próximo técnico precisará lidar com a expectativa de um time que não seja só competitivo. É preciso ter mais alma e um futebol melhor. Jogar para o gasto não tem sido suficiente. Entre os muitos nomes cogitados, escolhemos cinco, alguns por estarem sendo especulados por presidenciáveis, outros por possibilidades de mercado e outros ainda por terem um estilo diferente, embora estejam sob contrato e sua contratação seja mais complicada. Veja os nomes e sugira outros, se tiver, na caixa de comentários.

Tite

Adenor Leonardo Bachi, 53 anos, sem clube

Tite foi campeão Paulista, Brasileiro, da Libertadores e Mundial pelo Corinthians (AP Photo/Shizuo Kambayashi)
Tite foi campeão Paulista, Brasileiro, da Libertadores e Mundial pelo Corinthians (AP Photo/Shizuo Kambayashi)

Uma possibilidade óbvia, pela ligação que tem com o clube, por estar sem clube, por ter uma história vencedora no Corinthians e por ter deixado o cargo com muitos admiradores na torcida e na própria diretoria (embora também tenha muitos críticos nos dois grupos). Tanto que um dos candidatos, Roberto de Andrade, tem Tite como nome para comandar o Corinthians se for eleito presidente no pleito que acontece em fevereiro.

A escolha de Tite faz sentido do ponto de vista emocional. Muitos corinthianos lembram do técnico com carinho pela sua passagem vencedora, os títulos Brasileiro (2011), da Libertadores e Mundial (2012). A saída do técnico, ao final de 2013, veio depois do time fazer uma campanha só mediana no Campeonato Brasileiro, com um time que empatava demais e rendia de menos. O futebol não era satisfatório e a avaliação da diretoria na época era que o técnico tinha ficado refém de alguns dos jogadores que foram campeões com ele e estavam rendendo mal, abaixo do que se esperava, e não eram sacados do time.

Mano Menezes foi contratado no final de 2013 para substituir Tite por ter características parecidas, mas com uma postura de comando mais rígida, algo que a diretoria avaliava como importante. O estilo de jogo não mudou e, um ano depois, o problema dos muitos empates e do futebol pouco atrativo continua. Mais do que pouco atrativo do ponto de vista de beleza, o futebol do Corinthians ficou abaixo do potencial do time – diagnóstico muito parecido com o de um ano antes, com Tite.

Desta vez, Tite poderia fazer mais mudanças e o elenco já mudou substancialmente. Tite é um técnico competente para mudar o esquema de jogo e até o estilo do time. Ficou um ano sem trabalhar para estudar futebol em várias partes do mundo – esteve com técnicos como Carlo Ancelotti, do Real Madrid, por exemplo, alguém que foi durante anos taxado como defensivista e montou times com ataques avassaladores no Chelsea e agora no Real Madrid. Tite pode se reinventar. Se o Corinthians o contratar, será imaginando esse Tite, renovado, atualizado, com mais bagagem, experiência e diferente do trabalho que terminou em 2013. Por que se não estará só voltando ao passado.

Oswaldo de Oliveira

Oswaldo de Oliveira Filho, 63 anos, sem clube

Oswaldo de Oliveira treinou Botafogo e Santos nos últimos anos
Oswaldo de Oliveira treinou Botafogo e Santos nos últimos anos

Um técnico com bom currículo, história de títulos no clube e que tem por característica montar times ofensivos. Oswaldo de Oliveira deu o primeiro título mundial ao Corinthians, no torneio de 2000. Foi com ele também que o clube foi campeão brasileiro em 1999, quando ele assumiu o time após a saída de Vanderlei Luxemburgo. Deixou a equipe naquele mesmo ano, em 2000, depois da dolorida derrota do Corinthians para o Palmeiras na semifinal da Libertadores.

Passou por Vasco da Gama, Fluminense, São Paulo, Flamengo e voltou ao Corinthians em 2004, sem muito sucesso. O time escapou do rebaixamento no Campeonato Paulista na última rodada no episódio que ficou famoso pelos gols de Grafite, pelo São Paulo, contra o Juventus. A vitória tricolor salvou o alvinegro. Depois, a eliminação para o Vitória na Copa do Brasil e goleadas sofridas contra Grêmio e Palmeiras selaram o destino do técnico, demitido em maio daquele ano. Foram só quatro meses no cargo. Desde então, trabalhou por muitos clubes diferentes.

Nos últimos anos, Oswaldo conseguiu destaque ao comandar o Kashiwa Antlers, do Japão, clube pelo qual conquistou o tricampeonato japonês entre 2007 e 2009. Veio para o Botafogo para a temporada 2012. Levou o time ao sétimo lugar em 2012, campeão carioca em 2013 e ao quarto lugar no Brasileiro de 2013, classificando a equipe à Libertadores, mas não renovou contrato e foi para o Santos. Levou o time à final do Campeonato Paulista jogando um ótimo futebol e com muitos garotos da base, o que agrada à diretoria do clube. Mas a derrota na final contra o Ituano deixou uma péssima impressão. Oswaldo de Oliveira deixou o Santos no dia 2 de setembro, em uma demissão controversa. A passagem pelo time da Vila Belmiro teve bons momentos, mas a sensação de alguns membros da diretoria era que o time estava abaixo do seu potencial.

É um técnico que tem característica de montar equipes ofensivas. Se o Corinthians quer mudar o estilo de jogo, marcar mais gols e ter um estilo que corra mais riscos, pode ser uma boa opção. O Botafogo marcou 60 gols em 2012, terceiro melhor ataque do Brasileirão, mas levou 50 – a pior defesa entre os sete primeiros da tabela. Em 2013, o Botafogo novamente teve o terceiro melhor ataque com 55 gols, levando 41. Considerando o passado no clube e o estilo de jogo, Oswaldo parece uma opção lógica se a ideia é montar um time com características ofensivas. É o nome que alguns dirigentes do Corinthians gostam. Por isso, é um dos candidatos a assumir o cargo, até por estar desempregado e, assim, não custará nada para contratá-lo. Tem a vantagem também de não ganhar um salário tão alto quanto Mano Menezes e Tite ganhavam.

Cristóvão Borges

Cristóvão Borges dos Santos, 55 anos, Fluminense

Cristóvão Borges, atualmente técnico do Fluminense
Cristóvão Borges, atualmente técnico do Fluminense

Ex-jogador, Cristóvão Borges atualmente dirige o Fluminense, que ainda briga por uma vaga na Libertadores. Apesar dos problemas do time, que ainda sofre com a instabilidade. O Fluminense tem momentos de um time moderno, compacto, que atua em uma faixa estreita do campo. O Fluminense não conseguiu manter a regularidade, mas é um time com características bem diferentes do Corinthians atual. E por bem diferentes, leia-se bem mais ofensivas.

O Fluminense é um time ofensivo, que marcou 51 gols em 33 jogos. É o terceiro melhor ataque, atrás apenas do Cruzeiro (59) e São Paulo (55). É um dos times que mais faz gols de dentro da área, 37, novamente atrás apenas de Cruzeiro (49) e São Paulo (43). O tricolor de Cristóvão Borges é segundo colocado em finalizações certas com 179, atrás só do Cruzeiro, com 205. É também o time com mais viradas de jogo corretas, 374, contra 367 do segundo colocado, Internacional. A bola gira quando está nos pés dos jogadores do Fluminense de Cristóvão. É o quarto time com mais passes certos no campeonato, 11.526, atrás de São Paulo (12.661), Cruzeiro (12.550), e Atlético Mineiro (11.570).

É um técnico que fez bons trabalhos desde o seu início como treinador principal, no Vasco, em 2011, quando conduziu o time ao vice-campeonato brasileiro, e em 2012, quando levou o time às quartas de final da Libertadores, derrotado pelo Corinthians de Tite em um confronto que foi classificado por alguns corinthianos como o mais difícil daquela campanha vitoriosa. Deixou o Vasco em setembro de 2012, depois de uma série de maus resultados. Em maio do ano seguinte, assumiu o Bahia em maio para conduzir o time no Campeonato Brasileiro. Manteve o time na primeira divisão, terminando em 12º lugar. Foi contratado pelo Fluminense depois da demissão de Renato Gaúcho neste ano.

Cristóvão Borges foi escolhido na sempre difícil disputa entre a diretoria do Fluminense e a patrocinadora, Unimed. O técnico é a opção da diretoria, mas a campanha atual não agrada tanto e o seu prestígio pode terminar no fim do ano, especialmente sem a classificação para a Libertadores. Ainda que ela venha, o próprio técnico pode optar por não renovar o contrato em um clube onde não tem todo respaldo e tentar o desafio no Corinthians, caso receba uma proposta, um clube pelo qual ele também atuou como jogador, em 1986 e 1987. Tem também a vantagem de não ter um salário tão alto quanto os últimos técnicos do Corinthians.

Cuca

Alexi Stival, 51 anos, Shandong Luneng

Cuca fez muito sucesso com o Atlético Mineiro (AP Photo/Bruno Magalhaes)
Cuca fez muito sucesso com o Atlético Mineiro (AP Photo/Bruno Magalhaes)

O sucesso recente de Cuca foi no Atlético Mineiro. Depois da passagem pelo Cruzeiro em 2011, foi contratado pelo Atlético Mineiro no ano seguinte, 2012. Transformou o Galo em uma equipe de alta intensidade, velocidade e fez de Ronaldinho Gaúcho o seu maestro no centro das ações ofensivas. O time fez uma campanha história no Brasileirão de 2012, brigando pelo título com o Fluminense até o final do segundo turno, quando o tricolor carioca mostrou mais regularidade e acabou ficando com a taça. Mas o trabalho recolocou o Atlético Mineiro, que ficava na parte de baixo da tabela, entre os melhores times do Brasil.

Em 2013, o Atlético Mineiro se tornou o campeão da Libertadores com um futebol ofensivo, envolvendo os adversários e sendo avassalador na primeira fase da competição. No mata-mata, mesmo com os problemas, criou o estigma de um time capaz de reverter qualquer resultado. Como decidiu em casa todos os mata-matas, acabou sendo atrás em todos os confrontos das quartas de final até a final, mas reverteu todos e ficou com a taça. Deixou o Atlético depois da desastrosa campanha no Mundial de Clubes, no qual o Galo acabou derrotado pelo Raja Casablanca.

Cuca é um técnico criativo, que não tem medo de ousar. Foi assim no Botafogo, onde montou um time forte entre 2006 e 2008. Foi assim no Atlético Mineiro, que transformou em um time de intensidade alta, que sufocava os adversários. Pode mudar o estilo do Corinthians, transformar em um time ofensivo e mais interessante de ser ver jogar. O problema é que tem contrato com o Shandong Luneng até 2016, o que o torna mais caro de ser contratado. Além disso, deve pedir um salário alto – nenhuma novidade para quem pagava salários altos para Tite e Mano Menezes. Mas a multa e a dificuldade de tirá-lo do Shandong Luneng podem ser grandes demais. Ele foi vice-campeão chinês com o time e seu trabalho está longe de desagradar por lá. Seria preciso convencer Cuca a, provavelmente, abrir mão de um bom dinheiro.

Marcelo Oliveira

Marcelo de Oliveira Santos Uzai, 59 anos, Cruzeiro

Marcelo Oliveira, técnico do Cruzeiro (AP Photo/Jorge Saenz)
Marcelo Oliveira, técnico do Cruzeiro (AP Photo/Jorge Saenz)

Campeão Brasileiro pelo Cruzeiro em 2013, Marcelo Oliveira comanda um time muito forte que está perto do título também em 2014, além de ainda disputar a final da Copa do Brasil. Marcelo Oliveira fez apostas arriscadas, como o lateral Egídio, mas ele mesmo sempre disse que confiou nos jogadores. Foi assim com Willian, Dagoberto, Júlio Baptista e lançando ao time garotos como o lateral Mayke, o volante Lucas Silva e o atacante Alisson. O Cruzeiro tornou-se um time muito forte e competitivo, mas também impondo a sua marca com um futebol ofensivo e atraente de ser visto. É um técnico de sucesso no Cruzeiro, apesar da eliminação precoce na Libertadores, quando se esperava que fosse mais longe.

Marcelo Oliveira mostrou capacidade de montar uma equipe que saia do padrão do Corinthians em 2014, que seja ofensivo sem perder a força defensiva também. Seu trabalho no Cruzeiro o credencia a treinar qualquer time no Brasil, sendo até cotado por alguns como um nome que deveria ter sido considerado à seleção brasileira. Se conseguir o bicampeonato com a Raposa, como está muito perto, será um dos poucos técnicos a conseguir o feito. Ainda tem a chance de ganhar a Copa do Brasil, embora tenha perdido o primeiro jogo por 2 a 0.

Por que, então, Marcelo Oliveira deixaria o sucesso no Cruzeiro para treinar o Corinthians? O primeiro fator é o contrato. Marcelo ainda não renovou com a equipe da Toca da Raposa e seu contrato acaba no fim do ano. Segundo, porque uma derrota do time na Copa do Brasil para o Atlético Mineiro poderia deixar marcas. Ou, no mínimo, o colocaria mais propenso a aceitar uma outra oferta de um outro time grande, onde também tivesse chance de brilhar. Claro que isso depende não só de Marcelo Oliveira querer sair do Cruzeiro – e nada indica que ele quer -, mas também do Corinthians querer contratá-lo e do Cruzeiro não querer fazer uma contra-proposta para mantê-lo, o que, atualmente, não parece muito provável.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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