Brasil

Quem semeia chuva, colhe tempestade

As contratações são-paulinas para 2008 pareciam no mínimo perigosas. O ambiente tranqüilo, profissional e comprometido na Barra Funda recebia três reforços até certo ponto badalados. Por outro lado, e era inevitável não notar, jogadores de histórico problemático e nitidamente precisando de outro rumo na carreira. Para vencer a Copa Libertadores, o São Paulo se dispôs a oferecer essa oportunidade, em contratos de apenas seis meses.

Como já era de se esperar, Adriano, Carlos Alberto e Fábio Santos, criaram problemas. Mesmo com só pouco mais de um trimestre transcorrido, já houve tempo para o São Paulo se dar conta de que seu ambiente tranqüilo não foi suficiente para acalmar as feras. As reações rígidas e ofensivas da direção são-paulina, aliás, deixam transparecer que o golpe já foi assimilado por toda a cúpula.

Primeiro, foi com Adriano. O Imperador discutiu com profissionais da comissão técnica, abandonou tratamento físico e foi embora do CT. Pouco depois, foi punido com uma polpuda multa sobre o seu salário e, sem hesitar, os dirigentes se pronunciaram de maneira nada amistosa. Nesse episódio, deixaram claro que era a última chance de Adriano no Morumbi. Coincidência ou não, o centroavante foi enquadrado a partir disso e começou a jogar melhor.

Fábio Santos, até onde consta, não havia tido nenhum problema no São Paulo, ainda que tenha trazido um histórico pessoal e profissional problemático. Na sexta-feira, ficou irritado com o prolongado tempo de concentração e abandonou o resto do grupo e teria tido atritos com outros companheiros. De modo intempestivo, a direção anunciou 29 dias de punição para o volante e a suspensão quase que integral do salário referente ao mês de abril. Algo de uma rigidez poucas vezes vista no clube.

Carlos Alberto, é justo dizer, não tem criado grandes atritos. Na última sexta-feira, porém, chegou atrasado ao treinamento e também ganhou uma multa de presente. Com muitos problemas físicos, porém, ainda não completou 90 minutos em uma partida com a camisa são-paulina. Atuou em apenas 13 dos 23 jogos com Muricy, tendo vindo do banco em dez dessas oportunidades. Gol, só fez um – contra o Santos.

Do polêmico trio de reforços, só Adriano tem feito sua parte. Por mais que se aguardasse mais de um centroavante de classe mundial, o Imperador foi bem nos clássicos do Paulista e decidiu dois dos quatro jogos do time na Libertadores. Fábio Santos vem sendo bastante criticado desde que chegou ao clube e sua presença entre os titulares é tida como um dos fatores para a queda de produção de Richarlyson.

Pela equipe que tem e também por Adriano, o São Paulo pode, sim, ganhar a Libertadores e atingir seu grande objetivo na temporada. Mesmo que isso ocorra, certamente a sempre elogiada direção são-paulina e a comissão técnica de Muricy Ramalho terão aprendido algumas lições. Jogadores do perfil de Adriano, Fábio Santos e Carlos Alberto, é provável, não pisarão no Morumbi por algum tempo.

Alerta azul

Quem conhece e acompanha futebol já desconfiava da boa fase gremista em 2008. Não se imaginava, porém, que o time de Celso Roth pudesse ter uma semana tão ruim. Sete dias, aliás, bastante pedagógicos para uma temporada que, se não for corrigida em tempo, promete ser muito ruim no Olímpico.

Com Vágner Mancini, a direção fez, indiscutivelmente, uma aposta. Daquelas que podem dar certo ou não. Ao entrar em atrito com o treinador e trazer Roth, porém, a sensação era de que o sucesso se tornava um mito para a temporada gremista. Celso Roth é famoso por resultados medianos, campanhas irregulares – que começam bem e vão decaindo, além de extrair o máximo possível de elencos modestos. E o elenco do tricolor gaúcho é muito modesto.

Marcelo Gröhe, hoje o titular do gol, já teve inúmeras chances no clube. A lateral-direita é ocupada pelo limitado Paulo Sérgio, enquanto a lateral-esquerda, problema desde os tempos de Mano Menezes (com exceção de Lúcio), segue preenchida pelos instáveis Hidalgo, Pico e Bruno Teles. Na zaga, o prodigioso Léo tem o tosco Pereira como seu parceiro.

O meio-campo, excluindo o experiente e importante Eduardo Costa, é recheado por jogadores batalhadores e pouco confiáveis, como William Magrão, Peter, Julio dos Santos e Rudnei. Tratado como o astro da companhia, Roger não vai, evidentemente, carregar esse time nas costas. No ataque, todas as opções alternam momentos bons e ruins, o que tem provocado alterações seqüentes no setor.

Com um ambiente de direção bastante conturbado, fruto do modo Pelaipe de trabalhar, o Grêmio não tem mais o comando competente de Mano Menezes e nem a base confiável de William, Tcheco, Diego Souza e Tuta. Precisará mudar muito para ter um Campeonato Brasileiro como os dois recentes.

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Errata

Um atento – e anônimo – leitor identificou um grave erro medicinal da última edição desta coluna. Ao contrário de “antibióticos”, os reforços do Ipatinga deveriam ter sido classificados, evidentemente, como “analgésicos”.

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Equipe Trivela

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