Brasil

Quem segura esse cara?

O ano já mudou, mas o assunto que domina as manchetes do futebol nesta semana é o mesmo de 2011: Neymar. O troféu recebido pelo gol mais bonito da temporada e a inclusão em 10º lugar na lista dos melhores jogadores do mundo mantiveram o atacante do Santos sob os holofotes esta semana.

Que Neymar é o principal jogador do futebol brasileiro na atualidade não há muita discussão. Assim como o Barcelona no futebol mundial, Neymar é o ponto fora da curva do futebol brasileiro. Teve uma temporada fantástica, carregou o Santos nas costas nos momentos agudos da Copa Libertadores e, mesmo sem jogar muitas partidas no Campeonato Brasileiro, teve atuações excepcionais como nos jogos contra Flamengo (onde fez o gol que lhe rendeu o prêmio da FIFA) e Atlético Paranaense (quando marcou seis gols, quatro válidos e dois anulados).

Mais que isso: para desespero dos puristas, que acham que futebol só se resume ao que é produzido dentro de campo, o atacante se tornou quase onipresente na televisão. Faz inúmeras campanhas publicitárias, aparece cantando com nomes de sucesso como Michel Teló e Exaltasamba, em capas de revistas de todas as editorias. Não é exagero afirmar que Neymar é o principal astro pop brasileiro do momento.

A simples indicação de um jogador que atua no futebol brasileiro na eleição da Fifa é um marco e tanto. O Campeonato Brasileiro não é visto lá fora (salvo dois jogos por rodada transmitidos pela Globo Internacional). Mas a ótima Libertadores, os bons jogos pela seleção brasileira e o interesse mútuo de Barcelona e Real Madrid acabaram voltando o foco para o jogador, que, nunca é demais lembrar, tem ainda 19 anos.

Os prêmios individuais, no entanto, são méritos de Neymar e de seu talento, por mais que o futebol seja um esporte coletivo. Não significam, nem para o bem, nem para o mal, “um triunfo do futebol brasileiro”, “uma vitória do Brasil” ou “um prêmio de consolação depois da derrota no Mundial”. Tudo isso é bobagem. O prêmio é de Neymar, só dele.

O gol diante do Flamengo foi um golaço, desde o primeiro drible no início da jogada, no lado esquerdo do ataque, passando pela tabela com Borges e a ultrapassagem sensacional sobre Ronaldo Angelim, culminando com a finalização que venceu Felipe. Pode se discutir se na lista inicial de dez gols havia algum mais bonito. Mas certamente, o do Neymar foi mais bonito e de mais difícil execução que o de Wayne Rooney (uma bela bicicleta, sem dúvidas, mas um lance corriqueiro no futebol) e o de Lionel Messi (o totozinho por cima do goleiro, que já é uma marca registrada do atacante argentino).

Com tudo isso, as expectativas em torno do jogador crescem ainda mais para 2012. Naturalmente, o Santos entra na Libertadores e no Campeonato Paulista com status de favorito – e Neymar é parte principal neste processo. Tecnicamente, o jogador evolui a cada mês. Consegue driblar em velocidade, mudando de direção como poucos no mundo, e a finalização melhora a olhos vistos. Além disso, mesmo sem ser o jogador mais velho, tudo indica que o atacante será o grande líder da seleção brasileira que tentará a inédita e tão perseguida medalha de ouro nos Jogos Olímpicos em Londres. Estará Neymar preparado para suportar cada vez mais pressão? Sinceramente, tudo indica que sim.

Os Estaduais vão começar. Mas quem ainda se importa?

Começa oficialmente neste final de semana a temporada 2012 no futebol brasileiro – isso, claro, se não considerarmos a Copa São Paulo de Futebol Junior, competição que abordo abaixo. Com seis partidas no domingo, o Campeonato Pernambucano é o primeiro estadual, dentre as federações que tem clubes na Série A do Brasileiro, a ter bola rolando.

Ao contrário das folclóricas fórmulas dos anos 1990 e 2000, desde o ano passado a Federação Pernambucana adotou uma fórmula bem simples de disputa. As 12 equipes se enfrentam em turno e returno. As quatro equipes mais bem classificadas passam para as semifinais em cruzamento olímpico (primeiro contra o quarto e segundo contra o terceiro) em dois jogos. Os vencedores das semifinais disputam o título, também em dois jogos, nos dias seis e 13 de maio.

Os Estaduais perderam muito de sua força depois da consolidação do Brasileirão disputado no sistema de pontos corridos. Nos estados onde há mais de um clube na série A, além dos clássicos locais, a rivalidade entre os grandes clubes do país aumenta a cada ano. Além disso, mesmo os clubes de porte médio já conseguem se organizar e, se ainda não brigam pelo título, já incomodam na luta por vagas para a Libertadores – como fez o Figueirense no ano passado.

Com tudo isso, na maioria dos lugares, o campeonato estadual vem perdendo força e interesse. Curiosamente, Pernambuco é o estado onde a rivalidade local ainda parece (pelo menos à distância) maior que a importância do Brasileiro, mesmo com Sport e Náutico retornando à Série A.

Por outro lado, no Rio e em São Paulo, campeonatos inchados, com um calendário extenso (quase quatro meses) e jogos desinteressantes atraem cada vez menos gente aos estádios. Para piorar, este ano, Corinthians, Santos, Vasco e Fluminense já estão garantidos na fase de grupos da Taça Libertadores – e o Flamengo pode se juntar a eles, se superar o Real Potosí da Bolívia na primeira fase. Caso o rubro-negro também passe de fase, nada menos que cinco dos oito principais clubes dos dois estados estarão envolvidos com a competição continental, deixando, obviamente, os torneios locais em segundo plano, pelo menos nas fases iniciais. Menos interesse à vista.

CURTAS

– A primeira fase da Copa São Paulo de Futebol Júnior está chegando ao final. Todo mundo já falou sobre o inchaço da competição: 96 clubes é gente de mais. Nem mesmo a justificativa de “balcão de negócios” cola mais, porque, pelo que se viu nesta edição, é tanto time ruim, sem a mínima condição de disputar um torneio dessa amplitude, que não há como negociar jogador algum.

– A competição seria muito mais útil se tivesse 64 clubes. Não seria tão restritiva, atenderia aos interesses de quem quer mais clubes no torneio e evitaria as distorções de clubes se classificando com cinco pontos ganhos, na primeira posição de seu grupo (caso do São Carlos), e outros eliminados com seis pontos, mas saldo insuficiente para entrar pelo critério técnico dos segundos colocados.

– Com a bola voltando a rolar, finalmente acabam as especulações do vai e vem de jogadores, que são a tônica do mês sem jogos – e acabam cansando a maioria dos torcedores. Chama a atenção o “pacotão” de reforços do São Paulo e a inércia de alguns clubes para contratar, em especial a do Flamengo.
– Informação importante sobre o Estadual do Rio: somente cinco estádios foram aprovados para receber jogos de Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo. Além dos quatro utilizados no ano passado (Engenhão, São Januário, Claudio Moacyr, em Macaé; e Estádio da Cidadania, em Volta Redonda, esse passando por reformas no gramado), o simpático estádio de Moça Bonita, do Bangu, também está na lista. Os demais só podem receber jogos sem transmissão da TV e/ou participação dos quatro grandes.

– Palmeiras x Ajax é um bom (e raro) amistoso entre times brasileiros e europeus nessa pré-temporada. Se os calendários fossem sincronizados, estes jogos seriam ainda mais frequentes – e mais positivos para os europeus, que, como disse Frank de Boer, técnico do time holandês, ainda conhecem bem pouco do nosso futebol doméstico.

 

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Equipe Trivela

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