Brasil

Quebra de hierarquia

O Santos tomou a decisão na madrugada desta terça-feira, já entrando nos primeiros minutos da quarta. O assunto que suscitou a reunião para que fosse tomada a decisão era a situação de Dorival Júnior no comando da equipe.

Isso porque no final da tarde o técnico anunciou que Neymar estaria barrado do jogo contra o Corinthians, pelo Campeonato Brasileiro, nesta quarta-feira. O técnico já tinha deixado o jogador fora da partida de domingo contra o Guarani como punição pela indisciplina na última quarta-feira – o atacante xingou o técnico e o capitão da equipe, Edu Dracena, que o repreendeu. A diretoria ainda concordou em multá-lo em 30% do salário.

Há algo de errado nessa história. A diretoria, que não queria afastar o jogador pela primeira vez, aceitou quando o técnico o deixou de fora da partida do fim de semana. A expectativa, porém, era que Neymar fosse reintegrado para jogar a partida contra o Corinthians, principal rival. Esse pode ter sido um acordo com o técnico, mas que não é confirmado.

Só que o anúncio de Dorival Júnior surpreendeu a diretoria, que se irritou com a decisão e convocou o treinador para uma reunião com membros da diretoria, que pediram sua cabeça. Era sabido que o técnico queria uma punição de 15 dias de afastamento para o atacante e que a diretoria aceitou em princípio apenas o afastamento para o jogo contra o Guarani.

O fato é que a demissão de Dorival Júnior, seja porque descumpriu algo combinado com a diretoria, seja porque a diretoria exigia que Neymar jogasse, foi uma decisão ruim da diretoria santista. Causa um desconforto evidente para qualquer técnico que vier, que não terá qualquer autoridade para disciplinar o elenco e especialmente Neymar.

Além disso, o elenco pode reagir mal à decisão. Há rumores que os jogadores não gostaram da atitude de Neymar. A força que ele ganha com esse episódio pode fazer esse desentendimento virar, efetivamente, um racha na equipe. Ainda mais se Neymar não mudar a sua postura, como disse ter mudado.

Digamos que haja um novo episódio de indisciplina dentro do elenco que não tenha sido cometido por Neymar. Qual será a punição? Não poderá ser grande coisa, ou então ficará evidente que dois pesos e duas medidas.

Dorival Júnior pode ter mantido sua postura, o que é elogiável sempre. Mas ter tomado a decisão de manter a punição ao jogador sem comunicar nem a ele nem à diretoria. Mostra uma certa falta de tato para lidar com a questão que, ele sabia, incomodava os dirigentes. Seria prudente ter dito qual seria sua decisão antes de torná-la pública.
Um episódio que deixa apenas conseqüências ruins. O Santos mostra que Neymar e o projeto para mantê-lo é mais importante do que a hierarquia interna do clube. O jogador ganha uma força que não deveria ter dentro do clube e que certamente incomoda muita gente lá dentro.

Dorival Júnior mostra que tem postura, o que é importante. Mas saber com quem lidava, já que a diretoria do Santos mostrou-se contrária à punição desde o começo. Ou, talvez, o técnico soubesse e quis se impor, o que pode ter levado à demissão.

A diretoria do Santos mostra que, de diferenciada, só tem o discurso. Manteve Neymar em uma operação para lá de interessante, mas mostrou que se se o calo aperta, faz o mesmo que todo mundo: dane-se o técnico. Mostra que hierarquia não é algo tão importante quando um jogador, ou quanto ele pode render ao clube. O clube, através dos seus dirigentes, dá sinais que o jogador é mais importante que o clube.

E, quem agradece a tudo isso, é mesmo o São Paulo, que vê um técnico no mercado que pode preencher a vaga vazia desde a final da Libertadores.

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Equipe Trivela

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